Delfim Maya. Exposição Comemorativa do Centenário do Escultor

Exposição comemorativa do centenário do nascimento do escultor português Delfim Maya (1886-1978), apresentando a sua obra pictórica e gráfica, do início da década de 1910. Organizada através de núcleos temáticos, a mostra apresentou esculturas em barro e gesso, assim como dinâmicas composições em bronze e chapa de ferro, refletindo diferentes fases da vida do artista.
Commemorative exhibition for the centenary of the birth of Portuguese sculptor Delfim Maya (1886-1978), with a display of the artist's graphic and pictorial work from the beginning of the 1910s. Arranged according to themed sections, the show presented sculptures in clay and plaster as well as dynamic compositions in bronze and iron, representing the different phases of the artist's life.

A exposição comemorativa do centenário do nascimento do escultor português Delfim Maya (1886-1978) deu a ver a sua obra escultórica, que se iniciou em princípios da década de 1930, apresentando esculturas em barro, gesso, bronze e as inovadoras esculturas em chapa industrial de ferro e outros metais. Reuniu ainda parte da sua obra pictórica e gráfica, que se iniciou com aguarela, cerca de 1908, e caricatura, no início da década de 1910. Muitos dos desenhos deste início, e até mesmo as caricaturas de 1931/32, aparecem assinadas como «Mifled», anagrama de «Delfim».

Oficial de cavalaria, demitido do Exército em 1919 por ter lutado pela causa monárquica, Delfim Maya decidiu, em 1930, com 44 anos, viver profissionalmente da arte. Sendo autodidata, é de assinalar que Delfim Maya foi o primeiro escultor português a realizar escultura em chapa industrial de ferro e de outros metais, em 1934, o que fez planificando as figuras, que recortava e dobrava, passando da bidimensionalidade da planificação à tridimensionalidade da escultura.

Este inovador método de trabalho levaria José Sommer Ribeiro a afirmar que Delfim Maya se situava «num lugar bem alto da escultura portuguesa» (Delfim Maya. Exposição Comemorativa do Centenário do Escultor, 1987, p. 3). É ainda de salientar que a produção artística de Delfim Maya reflete as suas diferentes paixões ? e, acima de todas, a paixão pela vida e pelo movimento, um efeito que perpassa por toda a sua obra e que contrasta com a escultura da sua época.

A exposição decorreu na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, no Celeiro da Patriarcal, da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, e no Museu de José Malhoa, nas Caldas da Rainha. Em Lisboa, foi organizada na Galeria de Exposições Temporárias da Sede da Fundação Calouste Gulbenkian (piso 01), distribuindo-se por diversos núcleos temáticos, o primeiro dos quais consistia numa área biográfica, disposta ao longo do corredor, onde foram apresentados autorretratos, retratos, uma série de fotografias de família, recortes de imprensa com críticas de exposições, algumas das suas primeiras aguarelas e esculturas que remetiam para a sua ligação à vida militar e ao hipismo ? não esqueçamos o início da sua vida profissional como oficial de cavalaria e a sua participação em concursos hípicos e, mais tarde, o seu fascínio pela tourada.

Seguiam-se depois, no percurso expositivo, outros núcleos diferenciados, que aprofundavam a sua produção escultórica. Na primeira sala, foram reunidos bustos de generais e outros oficiais, aos quais se juntava um baixo-relevo com uma carga de cavalaria ? que reproduz, em pequeno, o baixo-relevo da fachada da ex-Escola Prática de Cavalaria, em Santarém ?, pequenas esculturas de cenas equestres e algumas das aguarelas de barcos que Maya realizou no período em que esteve preso no Forte de São Tiago, no Funchal, em 1930. As esculturas em bronze, chapa de ferro e cobre recortada, de média e pequena dimensão (entre as quais, Jockey, escultura em bronze que participou no «Salon d’Automne», em 1932), foram dispostas ora em plintos ora em vitrinas, ocupando o seu lugar consoante a temática tratada.

A produção dedicada a motivos hípicos (o tema principal na sua obra), e também à festa brava, predominou na exposição, unindo-se no universo da lezíria. As cenas que envolviam figuras femininas diversas (varinas e bailarinas andaluzas) e pares galantes partilhavam o espaço com caricaturas desenhadas e com a animália construída em chapa industrial de ferro e cobre (felinos, cães, galos e veados). Numa vitrina, foram ainda incluídas algumas peças religiosas em chapa industrial de prata e ouro; noutra vitrina, podiam ser vistas algumas peças em porcelana da Vista Alegre.

Esta exposição apresentou um olhar abrangente sobre a obra deste artista.

Mariana Roquette Teixeira, 2017

Maria Maya, 2019


Ficha Técnica


Artistas / Participantes


Publicações


Material Gráfico


Fotografias

José Sommer Ribeiro (à dir.)
José Sommer Ribeiro (à esq.)

Documentação


Imprensa


Fontes Arquivísticas

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Exposições e Museografia), Lisboa / SEM 00370

Pasta com documentação referente à produção da exposição. Contém ofícios, listagem de obras, convites, recortes de imprensa. 1986 – 1989

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Comunicação), Lisboa / COM-S001/004-D00483

Coleção fotográfica, p.b,: inauguração (FCG, Lisboa) 1987

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Exposições e Museografia), Lisboa / SEM-S007-P0201-D00604

Coleção fotográfica: aspetos (FCG, Lisboa) 1987

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Exposições e Museografia), Lisboa / SEM-S007-P0201-D00605

Coleção fotográfica: aspetos (FCG, Lisboa) 1987

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Exposições e Museografia), Lisboa / SEM-S007-P0201-D00606

Coleção fotográfica, p.b.: aspetos (FCG, Lisboa) 1987

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Exposições e Museografia), Lisboa / SEM-S007-P0201-D00607

Coleção fotográfica: inauguração (FCG, Lisboa) 1987


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