70 – 80 Arte Portuguesa

Exposição itinerante de arte portuguesa contemporânea, organizada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, Secretaria de Estado da Cultura de Portugal, com a colaboração da Embaixada de Portugal no Brasil. Esta mostra, comissariada por José Sommer Ribeiro, Rui Mário Gonçalves e Fernando Calhau, contou com 75 obras de pintura, escultura e fotografia de 23 artistas portugueses.
Travelling exhibition of Portuguese contemporary art organised by Portugal's Ministry of Foreign Affairs and its Secretariat of State for Culture, with collaboration from the Embassy of Portugal in Brazil. The show, curated by José Sommer Ribeiro, Rui Mário Gonçalves and Fernando Calhau, featured 75 paintings, sculptures, and photographs by 23 Portuguese artists.

Exposição coletiva de pintura, escultura e fotografia de artistas portugueses contemporâneos, organizada por iniciativa do Ministério dos Negócios Estrangeiros e da Secretaria de Estado da Cultura de Portugal (SEC), realizada com o apoio do Centro de Arte Moderna (CAM) e com a colaboração da Embaixada de Portugal no Brasil.

Esta iniciativa, promovida pelo Estado português, teve como objetivo a divulgação no Brasil (extensível aos Estados Unidos da América) da arte portuguesa produzida durante as décadas de 1970 e 1980, dando continuidade ao intercâmbio cultural estabelecido com o Brasil desde 1979. Na inauguração da exposição, esteve presente o presidente da República, Mário Soares, que se encontrava em visita oficial àquele país em 1987.

José Sommer Ribeiro, comissário-geral da exposição, sublinharia, no prefácio do catálogo, a importância da difusão artística como garantia de conhecimento de uma comunidade, afirmando que «é através das artes visuais que mais profundamente se pode compreender o espírito de uma sociedade» (70-80 Arte Portuguesa, 1987).

No comissariado da exposição, Sommer Ribeiro seria coadjuvado pelo crítico de arte Rui Mário Gonçalves e pelo pintor Fernando Calhau que se encarregaram da seleção dos 23 artistas portugueses e das 75 obras a apresentar nas três categorias artísticas estipuladas: a pintura, a escultura e a fotografia. Quanto aos critérios e objetivos que orientaram as suas escolhas, os comissários pretendiam evocar um «entendimento da situação actual da arte portuguesa» através dos seus «momentos principais», mostrar a atividade dos artistas portugueses durante quase duas décadas, desde os «experimentalismos» e a «abordagem reflexiva» praticados no final da década de 1960, à «releitura de referências» assente na «liberdade criativa individual» e à «abertura a um universo cultural mais vasto», presente nas práticas artísticas dos anos de 1980 (Ibid.).

A amostragem reunia exemplos da transição entre as práticas do conceptualismo e o retorno às tradicionais disciplinas da pintura e da escultura, reflexo de uma nova atitude artística e crítica. Na introdução do catálogo, Rui Mário Gonçalves afirmava em jeito de síntese: «Dez anos permitiram mudar muitas coisas na cena artística. Dez anos é porém um período relativamente curto para que essas mudanças encontrem explicação apenas na chegada de novas gerações. Na verdade, viu-se aumentar a presença de alguns dos mais velhos; viu-se a recuperação de propostas anteriores ao Conceptualismo por parte de alguns artistas que dele se reclamaram ou aproximaram; mas, sobretudo, viu-se também que o retorno à pintura, quando procurou ser polémico, ajudou a aproximar o que igualmente combateu: o Conceptualismo e o Minimalismo.» (70-80 Arte Portuguesa, 1987)

Além de pedir a colaboração de algumas galerias de arte portuguesas, através da cedência de obras para o efeito, a SEC estendeu o pedido à FCG, por entender que, «dada a qualidade das obras do acervo do Centro de Arte Moderna, […] o recurso a algumas dessas obras se reveste da maior importância para a obtenção de uma maior representatividade e relevância do conjunto» (Carta da diretora do Gabinete de Relações Culturais Internacionais da SEC para José de Azeredo perdigão, 21 jan. 1987, Arquivos Gulbenkian, CAM 00118).

Todavia, aspetos ligados à conservação das obras «em tão prolongadas viagens e a ausência das mesmas no Centro de Arte Moderna durante tão largo prazo de tempo» circunscreveram esta seleção apenas a obras que existiam nas reservas do CAM (Apontamento de Isabel Guedes Olazabal para José de Azeredo Perdigão, 26 jan. 1987, Arquivos Gulbenkian, CAM 00118).

Tratando-se de uma exposição itinerante, esta mostra esteve patente em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro, após o que seguiu para os Estados Unidos da América, onde foi apresentada no Port of History Museum, em Filadélfia.

Filipa Coimbra, 2017

Collective painting, sculpture and photography exhibition of contemporary Portuguese artists organised on the initiative of the Ministry of Foreign Affairs and the Portuguese Secretary of State for Culture (SEC), with the cooperation of the Portuguese Embassy in Brazil.
This initiative, promoted by the Portuguese state, aimed to publicise in Brazil (and then extending to the United States) Portuguese art produced during the 1970s and 1980s, continuing the cultural exchange established with Brazil since 1979. This exchange was underlined by the attendance of the President of the Portuguese Republic Mário Soares at the exhibition opening during his official visit to Brazil in 1987.
Pursuing this dissemination mission, the importance of publicising art as a guarantee of getting to know a community was highlighted by José Sommer Ribeiro, since: it is through the visual arts that we can better understand the spirit of a society (70.80 Arte Portuguesa, 1987).
The director of the Calouste Gulbenkian Foundation (FCG) Modern Art Centre (CAM), José Sommer Ribeiro, was appointed to curate the exhibition, assisted by art critic Rui Mário Gonçalves and a representative of the SEC, painter Fernando Calhau, who together were responsible for selecting 23 Portuguese artists and 75 works to be exhibited in the three art forms included in the exhibition: painting, sculpture and photography.
Regarding the criteria and objectives that guided their choices, the curators aimed to create an understanding of the current situation of Portuguese art through its key moments, demonstrating Portuguese artists' work over almost two decades, from the experimentalisms and reflective approach of the end of the 1960s to the reinterpretation of references based on individual creative freedom and openness to a wider cultural world found in artistic practices of the 1980s (ibidem).
The sample included the transition between conceptualist practices which reverberated from the Alternativa Zero [Zero Alternative] exhibition and the return, renewal and critique of the traditional disciplines of painting and sculpture. In the introduction to the catalogue, Rui Mário Gonçalves provided a summary: Ten years allowed many things to change in the art world. Ten years is, however, a relatively short period to find an explanation for those changes only in the arrival of new generations. In fact, the presence of some older ones increased. Proposals pre-dating conceptualism were recovered by some artists who claimed it or approached it; above all, however, there was also a return to painting, when seeking controversy, which brought it closer to what it was also trying to fight against: conceptualism and minimalism (70.80 Arte Portuguesa, 1987).
As well as cooperation with some Portuguese art galleries, which lent pieces for the exhibition, the SEC made the same request to the FCG. In the words of the head of the SEC's International Cultural Relations Office: due to the quality of works in the Modern Art Centre's collection, it is believed that some of those pieces are of the utmost importance to achieve a most representative and important whole (Letter from the head of the SEC's International Cultural Relations Office to the FCG president, 21 Jan. 1987, Gulbenkian Archives, CAM 00118).
The grounds for this request demonstrate the importance of the CAM's collection now the Calouste Gulbenkian Museum's Modern Collection bearing in mind the high quality and current nature of Portuguese artistic values. However, some aspects linked to conservation of the pieces on such long journeys, and their absence from the Modern Art Centre for such a long period of time, limited this selection to just works found in the CAM's reserves (Note to the president, 26 Jan. 1987, Gulbenkian Archives, CAM 00118).
As a travelling exhibition, it was held in Brasilia, São Paulo and Rio de Janeiro, and afterwards in the United States at the Port of History Museum in Philadelphia.

Ficha Técnica


Artistas / Participantes


Coleção Gulbenkian

Voici nos Acteurs

Álvaro Lapa (1939-2006)

Voici nos Acteurs, 1972 / Inv. 73P415

Pintura

Ângelo de Sousa (1938-2011)

Pintura, 1973/74 / Inv. 80P574

Espaço - Poético - Natureza

António Costa Pinheiro (1932- 2015)

Espaço - Poético - Natureza, 1983 / Inv. 84P466

Os Óculos do Poeta Álvaro de Campos - Heterónimo de Fernando Pessoa

António Costa Pinheiro (1932- 2015)

Os Óculos do Poeta Álvaro de Campos - Heterónimo de Fernando Pessoa, 1980 / Inv. 83P429

Sonho de Fernando Pessoa Debaixo de uma Latada numa Tarde de Verão

António Dacosta (1914-1990)

Sonho de Fernando Pessoa Debaixo de uma Latada numa Tarde de Verão, 1982/83 / Inv. 84P129

Colagem

António Sena (1941- )

Colagem, 1974 / Inv. P1248

A Caça

Graça Morais (1948- )

A Caça, 1982 / Inv. 83P593

Uma Rosa É

João Vieira (1934-2009)

Uma Rosa É, 1968 / Inv. 80P536

Lisboa - Algeciras

Joaquim Rodrigo (1912-1997)

Lisboa - Algeciras, 1969 / Inv. 69P145

Soria-Nîmes

Joaquim Rodrigo (1912-1997)

Soria-Nîmes, 1971 / Inv. 83P147

Annie

Júlio Pomar (1926-2018)

Annie, 1973 / Inv. 83P774

Les Arnolfini à mi-corps, d'aprés Van Eyck

Júlio Pomar (1926-2018)

Les Arnolfini à mi-corps, d'aprés Van Eyck, 1972 / Inv. 83P773

Mêlée

Júlio Pomar (1926-2018)

Mêlée, 1968 / Inv. 68P764


Publicações


Documentação


Fontes Arquivísticas

Arquivos Gulbenkian (Centro de Arte Moderna), Lisboa / CAM 00118

Pasta com documentação referente à produção da exposição. Contém correspondência relativa ao empréstimo de obras de arte do acervo do Centro de Arte Moderna da FCG, e informação sobre o restauro de uma obra do pintor Álvaro Lapa. 1986 – 1989


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