Juan Carlos Langlois. Antologia Itinerante

Exposição antológica de Juan Carlos Langlois (1926-2001), na qual foram apresentados 122 trabalhos de pintura, desenho e tapeçaria, com temática na relação entre a arte e a poesia. A mostra pretendeu evidenciar as influências que a arte pré-colombiana, a arte negra, a identidade sul-americana, o discurso surrealista e o discurso intelectual europeu operaram na estética do artista.
Retrospective exhibition on Juan Carlos Langlois (1926-2001) featuring 122 paintings, drawings and tapestries on the relationship between art and poetry. The show was designed to clearly demonstrate the influence of pre-Columbian and African art, South American identity, as well as surrealist and European intellectual discourse, on the artist's work.

A exposição intitulada «Juan Carlos Langlois. Antologia Itinerante» apresentou 122 peças de pintura, desenho e tapeçaria deste artista argentino na Galeria de Exposições Temporárias (piso 0) da Fundação Calouste Gulbenkian, de 17 de novembro a 15 de dezembro de 1982.

O trabalho exposto refletia, segundo Léopold Senghor, autor do prefácio do catálogo, a relação entre a pintura de Langlois e a poesia, entendida como poiesis, que «como a etimologia indica, era, no tempo dos antigos Gregos, o trabalho, e não só o manual, do artesão e do artífice, ao criarem um objecto novo. A utilidade, longe de excluir a beleza, reclamava-a, exigia-a como uma complementaridade necessária» (Langlois. Antologia itinerante, 1982, s.p.).

A pintura de Langlois combina as influências da arte pré-colombiana, a arte negra, a identidade sul-americana, a liberdade do discurso surrealista e o discurso intelectual europeu. A arte era entendida por Langlois como um «processo de conhecimento, e não apenas como um “simples meio de representação”, não tendo portanto dúvidas de ser a criação que conduz a esse conhecimento» (Azevedo, Colóquio/Artes, dez. 1982, p. 71).

O catálogo da exposição, cujo design coube ao próprio artista, integra o texto de abertura «A pintura-poesia de Juan Carlos Langlois», assinado pelo poeta e presidente do Senegal Léopold Sédar Senghor. Traçando uma breve biografia do artista, este texto faz uma análise da estética de Langlois, referindo-se às cinco viagens que ele fez a África e às marcas que daí sobrevieram, bem como ao modo como um latino-americano assimilou as experiências culturais vividas e que se materializaram em trabalhos profundamente marcados pelo simbolismo.

O catálogo inclui igualmente um texto de Langlois em que este escreve sobre o seu trabalho, intitulado «Antologia itinerante: fragmentos», intercalado com reproduções das obras expostas.

O último texto do catálogo é uma separata, intitulada Acerca da Pintura. A Propósito de Langlois, assinada por Michel Conil Lacoste.

Compulsando a documentação, tomamos conhecimento de que a produção da exposição se terá iniciado ainda em maio de 1980, segundo ofício enviado por José Blanco a José Sommer Ribeiro, propondo a realização da exposição na sequência de um contacto efetuado por Juan Carlos Langlois, em que este manifestou interesse em expor na Fundação Gulbenkian (o artista desempenhava, à data, as funções de secretário executivo do Fonds International pour la Promotion de la Culture, da UNESCO) (Ofício de José Blanco para José Sommer Ribeiro, 27 mai. 1980, Arquivos Gulbenkian, SEM 00265).

A documentação refere ainda a produção de um filme de dez minutos sobre a exposição, realizado pela Cinequipa – Grupo de Cinema Experimental. No entanto, no decorrer da investigação não foi encontrado qualquer registo audiovisual que ateste a sua efetiva realização.

A itinerância da exposição é comprovada por uma carta de 11 de junho de 1982, enviada por Langlois a Luis González Robles, na qual o artista informa sobre a presença da exposição na Sala Recoletos, em Madrid, de 15 de janeiro a 31 de março de 1983.

Não se conseguiu apurar se a exposição contou com a produção da Fundação Calouste Gulbenkian. Há registos de ter sido divulgada nos jornais O Diário, Correio da Manhã, Comércio do Porto, O Dia, Diário de Lisboa, Diário de Notícias, Diário Popular, Notícias da Tarde e O Setubalense, com elogios à iniciativa da Fundação Calouste Gulbenkian.

Carolina Gouveia Matias, 2017


Ficha Técnica


Artistas / Participantes


Coleção Gulbenkian

Canto para Macchu Picchu

Juan Carlos Langlois

Canto para Macchu Picchu, 1974 / Inv. PE29

Canto para Macchu Picchu

Juan Carlos Langlois

Canto para Macchu Picchu, 1974 / Inv. PE29


Publicações


Material Gráfico


Fotografias

José de Azeredo Perdigão e José Blanco (ao centro)
José Sommer Ribeiro, José de Azeredo Perdigão e José Blanco (ao centro)

Documentação


Imprensa


Fontes Arquivísticas

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Exposições e Museografia), Lisboa / SEM 00265

Pasta com documentação referente à produção da exposição. Contém convites, orçamentos, correspondência interna e externa, material para o catálogo e recortes de imprensa. Contém ainda recortes de imprensa correspondentes às exposições de Teresa Wennberg e Thereza Miranda. 1980 – 1983

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Comunicação), Lisboa / COM-S001/019-D02162

6 provas, p.b.: inauguração (FCG, Lisboa) 1982

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Exposições e Museografia), Lisboa / SEM-S007-P0096-D00321

14 provas, cor: aspetos (FCG, Lisboa) 1982

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Exposições e Museografia), Lisboa / SEM-S007-P0096-D00322

28 provas, p.b.: aspetos (FCG, Lisboa) 1982

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Exposições e Museografia), Lisboa / SEM-S007-P0096-D00323

25 provas, p.b.: aspetos (FCG, Lisboa) 1982


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