Omã. História, Cultura e Artes Tradicionais

Exposição itinerante e diplomática sobre a história e a cultura de Omã, fruto da iniciativa do Ministério do Património Nacional e da Cultura. Contando com a colaboração da Embaixada do Sultanato de Omã em Portugal e da Fundação Calouste Gulbenkian, constituiu uma boa oportunidade para difundir a nova imagem de Omã como país árabe progressista.
Travelling diplomatic exhibition on the history and culture of Oman, an initiative of the country's Ministry of National Heritage and Culture. Hosted in Portugal by the Embassy of the Sultanate of Oman and the Calouste Gulbenkian Foundation, the show provided an excellent opportunity to present Oman's new image as a progressive Arab country.
Exposição itinerante e diplomática sobre a história e a cultura de Omã, da iniciativa, e com o patrocínio, do Ministério da Património Nacional e da Cultura, contando ainda com a colaboração da Embaixada do Sultanato de Omã em Portugal e da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG), através dos seus vários serviços.

Desta forma, a FCG continuaria a dar especial atenção às relações culturais com o mundo árabe, enquadradas nas linhas orientadoras do seu fundador, o arménio Calouste Sarkis Gulbenkian, tendo também em consideração os seus interesses estratégicos, ligados aos fundos petrolíferos naquela região. Além das exposições organizadas pela FCG, o circuito internacional da exposição passaria pelo Reino Unido, Suíça e Espanha, havendo também a indicação da possibilidade de apresentação da exposição nos Estados Unidos da América.

Iniciadas as conversações para a realização da exposição em Portugal ainda durante o ano de 1979, a mostra só se viria a realizar em 1981, tendo lugar, primeiramente, no Centre Culturel Portugais, delegação da FCG em Paris, seguindo-se a sua apresentação em Lisboa, na Zona de Congressos da Sede da FCG. Com estas iniciativas, os organizadores pretendiam levar ao conhecimento do público português e francês os «diversos aspectos da arte e da história daquele país, nomeadamente no que se refere às suas relações com Portugal» (Nota do administrador José Blanco sobre a exposição «Omã», 1 out. 1979, Arquivos Gulbenkian, SEM 00232).

Era igualmente objetivo desta exposição difundir uma imagem positiva de Omã, enquanto país árabe progressista, missão assumida desde 1970 pelo sultão Qaboos bin Said Al Said e levada a cabo nesta exposição através do Ministério do Património Nacional e da Cultura. O folheto da exposição no Reino Unido pressupunha idênticos propósitos: «O novo governo empenhou-se em descobrir e divulgar informação sobre a história rica e variada daquele país.» (Folheto da exposição: «Omã. História, Cultura e Artes Tradicionais», itinerância Reino Unido [tradução], [1981], Arquivos Gulbenkian, SEM 00232)

Este propósito de divulgação cultural do país, de dimensão diplomática, era ainda mais implicitamente assumido com a integração de um posto de venda de produtos de artesanato omanita no final do percurso expositivo.

Segundo os organizadores da mostra, o olhar do visitante da exposição deveria recair sobre «os antigos vestígios, artefactos, fotografias e desenhos [...] cuidadosamente selecionados no sentido de pôr em evidência as várias épocas do passado de Omã, nomeadamente o comércio marítimo, a produção do cobre e a construção; chamando ao mesmo tempo a atenção para a cerâmica antiga, a cultura em madeira e a arte da ourivesaria do povo de Omã» (ibid.).

O projeto expositivo foi organizado em sete núcleos, constituídos por grandes painéis com fotomontagens e informação textual, percorrendo o período desde o 3.º milénio a.C. até à contemporaneidade. O primeiro era dedicado à arte da pedra; o segundo evocava a história do 3.º milénio a.C.; seguindo-se os vestígios arqueológicos; os restauros, que davam novamente destaque à qualidade das técnicas construtivas da arquitetura civil e militar omanita. Outro dos núcleos da exposição, expressamente realizado para esta itinerância portuguesa, dizia respeito às relações históricas e culturais entre Omã e Portugal.

Para reforçar a ligação entre os dois países, foi acrescentado à exposição preexistente um núcleo dedicado ao período da expansão marítima portuguesa, com referências à arquitetura militar e ao armamento, às trocas e rotas comerciais durante cerca de 150 anos de dominação portuguesa nas zonas costeiras de Omã (1507-1649); bem como sobre a influência portuguesa na construção naval.

Dada a importância do comércio marítimo para o desenvolvimento de Omã, foi também desenhado um núcleo com documentação relativa ao projecto Sindbad, que consistia na recriação das viagens épicas de Sindbad, ilustre e lendário marinheiro da cultura omanita, que se havia realizado no ano anterior, em 1980, percorrendo seis mil milhas desde Mascate (Omã) até Cantão (China). Para tal, foi necessária a constituição de uma equipa de 32 construtores navais, liderada por Tim Severin, responsável pela manufatura da réplica de uma embarcação construída segundo as ancestrais técnicas dos capitães navais de Omã: «As pranchas de madeira aini do casco foram unidas com 400 milhas de corda fabricada à mão a partir da casca do coco, e os mastros foram feitos com madeira de puna; a madeira foi cortada em Malabar, na Índia Meridional, e arrastada por elefantes desde a floresta.» (Oman. História, Cultura e Artesanato, 1981, Arquivos Gulbenkian, PRS 05171)

Um modelo do barco de Sindbad, no centro, enfatizava e sintetizava o espírito do projeto.

Houve ainda a intenção de se exibir uma coleção numismática proveniente de Omã, em depósito para estudo nas reservas do Museu Calouste Gulbenkian, mas até à data não foi possível comprovar a sua realização.

A qualidade dos detalhes museográficos do projeto expositivo da mostra sobre Omã seria valorizada por Manuela de Azevedo, em notícia publicada no Diário de Notícias, onde a exposição é referida como «sedutora e documental, e está primorosamente montada, com muito dinamismo de linhas arquitectónicas, em sectores de forma semicircular» (Azevedo, Diário de Notícias, 12 set. 1981).

Para a inauguração em Lisboa foram convidadas cerca de 350 individualidades, e o ato inaugural contou com a presença do ministro do Património Nacional e da Cultura de Omã, Sayyid Faisal Bin Al Said, e do ministro da Cultura e Coordenação Científica de Portugal, Francisco Lucas Pires.

A relevância deste evento não se esgotou na exposição, servindo também os propósitos diplomáticos de uma programação mais vasta de cooperação entre os dois países. Por ocasião da inauguração foi assinado um acordo de cooperação entre Omã e Portugal, depois de várias visitas oficiais realizadas nos dois sentidos. O programa integrou igualmente uma visita com diplomatas árabes à mesquita islâmica de Lisboa, então em construção.

No contexto destas visitas, Sayyid Faisal Bin Al Said revelaria que a abertura a esta cooperação bilateral tinha sido promovida por Roberto Gulbenkian, sobrinho de Calouste Gulbenkian e organizador da primeira visita deste representante do sultanato de Omã a Portugal (Primeiro de Janeiro, 11 set. 1981).

Há ainda informação de que foram realizados dois pequenos filmes/documentários sobre a exposição (RTP, Informação 1 e 2), exibidos no noticiário da noite da inauguração do certame e no dia seguinte (Apontamento do Gabinete de Imprensa da FCG, s.d., Arquivos Gulbenkian, SPG 00667)

No âmbito das relações diplomáticas e do intercâmbio cultural entre a FCG e Omã, foi também prestada cooperação técnica ao sultanato para o projeto do novo Museu de História e Etnografia de Omã (Mascate), no qual esteve envolvido Fernando Libório, técnico do Serviço de Exposições e Museografia da FCG, e a conservadora da coleção de arte islâmica do Museu Calouste Gulbenkian, Maria Manuela Mota. Desta forma, a competência dos técnicos da FCG era confirmada internacionalmente, sendo-lhes confiado o plano de transferência das coleções do museu antigo para o museu provisório em Khuwair (Mascate, Omã) e o projeto expositivo para a integração das recentes aquisições no novo museu.

Filipa Coimbra, 2017


Ficha Técnica


Publicações


Material Gráfico


Fotografias

Francisco Lucas Pires (à esq.) e José de Azeredo Perdigão (ao centro)
Roberto Gulbenkian (ao fundo, à esq.) e Kamal Kholi (à dir.)
Kamal Kholi (à esq.)
Roberto Gulbenkian (ao centro)

Documentação


Imprensa


Fontes Arquivísticas

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Exposições e Museografia), Lisboa / SEM 00232

Pasta com documentação referente à produção da exposição. Contém convite, orçamentos, ofícios internos, correspondência recebida e expedida, elementos para inclusão nos painéis, lista de convidados e planta do CCP. 1981 – 1982

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Petróleo e Gás), Lisboa / SPG 00667

Pasta com documentação referente à produção da exposição. Contém programa da visita oficial da comitiva de Omã, lista de convidados, correspondência recebida e expedida, orçamentos, recortes de imprensa, plantas do CCP e elementos para os painéis. 1980 – 1982

Arquivos Gulbenkian (Centre Culturel Portugais de Paris), Lisboa / PRS 05171

Pasta com documentação referente à produção da exposição. Contém folheto da exposição, planta e correspondência recebida e expedida. 1979 – 1981

Arquivos Gulbenkian (Centre Culturel Portugais de Paris), Lisboa / PRS 04814

11 provas, p.b.: inauguração (FCG-CCP, Paris) 1981

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Comunicação), Lisboa / COM-S001/019-D02133

20 provas, p.b.: inauguração (FCG, Lisboa) 1981

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Exposições e Museografia), Lisboa / SEM-S007-P0055-D00196

15 provas, p.b.: inauguração (FCG, Lisboa) 1981

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Exposições e Museografia), Lisboa / SEM-S007-P0055-D00194

6 provas, cor: aspetos (FCG, Lisboa) 1981


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