20 Anos de Gravura

20.º Aniversário da Gravura - Sociedade Cooperativa de Gravadores Portugueses

Exposição integrada nas comemorações do 20.º aniversário (1956-1976) da Gravura – Sociedade Cooperativa de Gravadores Portugueses, cuja iniciativa contou com a colaboração e organização da Fundação Calouste Gulbenkian. Foram apresentados 117 trabalhos, produzidos por artistas ativos durante os vinte anos de existência da cooperativa.
Exhibition included in the commemorations for the 20th anniversary (1956-1976) of the Portuguese printmakers’ cooperative Gravura - Sociedade Cooperativa de Gravadores Portugueses, an initiative that involved cooperation and organisation by the Calouste Gulbenkian Foundation. A total of 117 works were presented, produced by artists active during the twenty years of the Cooperative's existence.

Exposição integrada nas comemorações do 20.º aniversário (1956-1976) da Gravura – Sociedade Cooperativa de Gravadores Portugueses, cuja iniciativa contou com a colaboração e organização da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG).

Além da FCG, várias instituições nacionais, como a Sociedade Nacional de Belas-Artes (SNBA) e a Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa (ESBAL), participaram num programa mais amplo de comemorações, promovido pela Gravura, que integrou a realização de eventos, de exposições e de publicações, durante todo o ano de 1976 e início de 1977, e que terminou com a realização da «I Exposição Nacional de Gravura», também realizada na Fundação Calouste Gulbenkian.

A colaboração da FCG com a Gravura, estreitada desde 1956 através da concessão de importantes subsídios para a beneficiação das instalações da cooperativa e realização de cursos, concretizou-se nestas comemorações pela apresentação de três exposições dedicadas à gravura.

Autónomas, mas integradas e apresentadas em complementaridade e com o propósito de assinalar os vinte anos de atividade da Gravura – Sociedade Cooperativa de Gravadores Portugueses, estas exposições procuraram abranger a produção contemporânea nacional («20 Anos de Gravura»), a produção antiga («Gravura Antiga») e a produção internacional («Gravura Estrangeira»).

Inicialmente, para divulgar e assinalar estas comemorações, foram lançados dois concursos de premiação: um para o cartaz anunciador do evento (30.000$00) e outro, restrito aos sócios da Gravura, para a edição da gravura comemorativa do vigésimo aniversário (40.000$00). Um júri composto por representantes da Gravura, da Secção Portuguesa da Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA), da FCG e da ESBAL determinou a atribuição dos prémios a José Cândido (1932-2012) (cartaz) e a Gil Teixeira Lopes (1936) (gravura).

No que se refere à mostra dedicada à retrospetiva da gravura nacional contemporânea, a organização desta importante exposição constituiu, segundo Gil Teixeira Lopes, um significativo momento que procurou refletir sobre a «aventura organizada» que foram os vinte anos de atividade da Cooperativa de Gravadores, através das suas edições e artistas (20 Anos da Gravura, 1976). Foram apresentados trabalhos de 117 artistas, ativos na sociedade durante este período de vinte anos, com o intuito de oferecer ao público «a súmula da “Exposição das obras editadas por GRAVURA”, que constitui o núcleo central desta grande mostra» (Lopes, Jornal da Exposição, 1976).

Desta forma, a exposição evidenciava igualmente o processo pelo qual a Gravura se constituiu enquanto «centro de afirmações culturais, laboratório de pesquisa e iniciação, local de profissionalização e distribuição democrática, núcleo de estudo, convívio e aperfeiçoamento técnico» (Ibid.).

Referindo-se à complexidade das escolhas que resultaram nesta «exposição-inventário», o crítico de arte Rocha de Sousa (1938), num ensaio para a Colóquio/Artes, elaboraria ainda um balanço histórico sobre a atividade da sociedade, refletindo sobre as práticas artísticas, filiações e tendências expressivas e destacando o voluntarismo desta Sociedade na «aventura de entregar ao coletivo o resultado da persistência solitária» (Sousa, Colóquio/Artes, out. 1976).

Logo no projeto prévio da exposição ficou expresso, por parte dos organizadores, um dos principais objetivos das comemorações: a inventariação e publicação das edições da Gravura durante estas duas décadas de atividade. Assim, num ofício interno da FCG, o diretor do Serviço de Exposições e Museografia, José Sommer Ribeiro, referia-se à questão nos seguintes termos: «[…] pensamos que seria de grande interesse editar um catálogo que constituísse um inventário total das 450 gravuras editadas pela “Gravura”. Este catálogo passaria a ser um documento de extrema importância para a história da gravura em Portugal.» (Apontamento do Serviço de Exposições e Museografia, 21 abr. 1976, Arquivos Gulbenkian, SEM 00076)

Foi então publicado o catálogo da exposição, que continha a biografia dos artistas e a reprodução da produção anual das edições da Gravura – Sociedade Cooperativa de Gravadores Portugueses, as 411 gravuras documentadas na exposição. Esta cronologia inaugurava-se com o pioneirismo de Jorge Barradas (1894-1971), Júlio Pomar (1926), Cipriano Dourado (1921-1981) e José Júlio (1916-1963), entre outros, numa filiação que Rocha de Sousa situou esteticamente em «prolongamentos de opções realistas» (Sousa, Colóquio/Artes, out. 1976).

Cruzando os caminhos da abstração e da nova figuração, até aos contributos de outras disciplinas, como a fotografia, esta exposição permitiu uma leitura mais ampla da gravura nacional, sem prejuízo para as soluções originais e a individualidade artística dos representados.

A conceção da exposição destacou-se também pela originalidade de iniciativas paralelas, nomeadamente no que se refere aos mecanismos de interação do público. Integrado na programação das três exposições da FCG, foi montado temporariamente um ateliê de gravura, destinado a informar os visitantes sobre as várias fases de execução dos trabalhos de gravura e sobre a variedade e especificidades das suas técnicas.

Estes pressupostos didático-participativos, tidos em conta pelos organizadores, estavam também implícitos na projeção de uma montagem de slides, com som sincronizado, exemplificativa da prática da gravura, exibida durante o período de duração das exposições.

No mesmo sentido, foi publicado pelo Serviço de Exposições e Museografia da FCG um jornal da exposição onde eram apresentados esclarecimentos relativos às várias técnicas de impressão (Jornal da Exposição, 1976).

A receção pública da exposição foi francamente positiva, registando-se enorme afluência, também comprovada pela participação dos visitantes em diversas visitas orientadas por artistas e críticos. Pela crítica chegaria mesmo a ser evocada como «magna exposição da Gravura», na medida em que transcendia «o mero alcance exposicional para atingir o marco histórico da jovem arte do gravado contemporâneo português» («A transcendência de um aniversário», O Tempo, 10 jun. 1976).

No que se refere à possível itinerância desta exposição até ao Porto não foi possível confirmá-la. Contudo, pela documentação consultada, há indicação de se ter feito a seleção e a cedência de algumas destas obras com a finalidade de serem apresentadas no Museu Nacional de Soares dos Reis, poucos dias após o encerramento da exposição em Lisboa.

Filipa Coimbra, 2016

Exhibition included in the commemorations of the 20th anniversary (1956-1976) of the Portuguese printmakers' cooperative Gravura - Sociedade Cooperativa de Gravadores Portugueses, an initiative that involved cooperation and organisation by the Calouste Gulbenkian Foundation (FCG).
As well as the FCG, several Portuguese institutions, including the fine arts society, Sociedade Nacional de Belas-Artes (SNBA), and the Lisbon fine arts school, Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa (ESBAL), took part in a wide-ranging programme of commemorations developed by Gravura. The programme included events, exhibitions and publications throughout 1976 and the beginning of 1977, and began with the I Exposição Nacional de Gravura (First National Printmaking Exhibition), which was also held at the FCG.
The FCG's cooperation with Gravura, which had been enhanced since 1956 thanks to important subsidies to improve facilities and run courses, was materialised in these commemorations with the presentation of three exhibitions.
Independent, although integrated and presented as complementary features with the aim of marking twenty years' work by Gravura - Sociedade Cooperativa de Gravadores Portugueses, these exhibitions sought to cover contemporary Portuguese work (20 Anos de Gravura - 20 Years of Printmaking), ancient production (Gravura Antiga - Ancient Printmaking) and international output (Gravura Estrangeira - Foreign Printmaking).
At an early stage, two competitions were launched to publicise and mark these commemorations: one for a poster announcing the event (with a 30,000 escudo prize) and another, only open to Gravura members, for a 20th anniversary commemorative print (with a 40,000 escudo prize). A panel comprising representatives of Gravura, the Portuguese Section of the International Association of Art Critics (AICA), the Calouste Gulbenkian Foundation and the Lisbon fine arts school, Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, decided to award the prizes to José Cândido (1932-2012) (poster) and Gil Teixeira Lopes (1936) (print).
According to Gil Teixeira Lopes, the organisation of this important retrospective exhibition of Portuguese printmaking was an important moment that sought to reflect on the organised adventure of the twenty years of the cooperative's work thanks to its prints and artists (20 Anos da Gravura, 1976).
Pieces by 117 artists who were active over the 20-year period were displayed, with the aim of offering the public a summary of the 'Exhibition of works produced by GRAVURA which form the core of this great exhibition (Lopes, Jornal da Exposição, 1976).
The exhibition also showed how Gravura was set up and became a centre for cultural affirmation, laboratory for research and induction, place for professionalisation and democratic distribution, centre for study, interaction and technical refinement (ibid.).
Discussing the complexity of the choices that led to this exhibition-inventory, the art critic Rocha de Sousa (1938), in an essay for Colóquio.Artes, also performed a historical reflection on the cooperative's work, discussing artistic practices, membership, trends in expression and highlighting the voluntary nature of the cooperative in the adventure of delivering to the collective the results of solitary persistence (Sousa, Colóquio. Artes, Oct. 1976).
The organisers expressed one of the main goals for the commemorations in the prior plans for the exhibition: an inventory of the publication of Gravura prints during these two decades of work. In an internal FCG memo, the head of the Exhibitions and Museography Department, José Sommer Ribeiro (1924-2006), discussed the issue in the following terms:
(...) we believe that it would be of great interest to publish a catalogue functioning as a total inventory of the 450 prints made by 'Gravura'. This catalogue would be an extremely important document for the history of printmaking in Portugal (Note by the Exhibitions and Museography Department, 21 Apr. 1976, Gulbenkian Archives, SEM 00076).
The exhibition catalogue was then published, containing biographies of the artists and reproductions of the annual production of prints by Gravura - Cooperativa de Gravadores Portugueses, the 411 prints documented in the exhibition. The chronology began with the pioneering Jorge Barradas (1894-1971), Júlio Pomar (1926), Cipriano Dourado (1921-1981) and José Júlio (1916-1963), among others, in a membership that Rocha de Sousa described, in aesthetic terms, as extensions of realist choices (Sousa, Colóquio. Artes, Oct. 1976).
Intersecting the paths of abstraction and new-figuration, and even including contributions from other disciplines, such as photography, the exhibition made it possible to make a broader reading of Portuguese printmaking, without forgetting the original solutions and artistic individuality of the artists represented.
The originality of the initiatives organised alongside the exhibition was also remarkable, particularly regarding the mechanisms for interaction with the public. Included in the programme of the three FCG exhibitions, a printmaking workshop was set up temporarily to give visitors information about the different stages of creating prints and the variety and specific features of the techniques involved.
These educational and participative principles that were taken into consideration by the organisers were also implicit in the projection of a slideshow with a synchronised soundtrack shown during the exhibitions to provide examples of the practice of printmaking.
Similarly, the FCG Exhibitions and Museography Department published an exhibition newspaper, Jornal da Exposição, containing some information about the different printing techniques (Jornal da Exposição, 1976).
Public reception of the exhibition was very positive, with an enormous number of visitors, which was also attested by the visitors' participation in the different tours guided by artists and critics. It would even be called the great printmaking exhibition, in that it went beyond the mere scope of an exhibition to become a historic landmark in the young art of Portuguese contemporary printmaking (O Tempo, 10 Jun. 1976).
It has not been possible to confirm whether or not the exhibition was repeated in Porto. Nevertheless, from the documents consulted, there are indications that some of these pieces were selected and loaned to be shown at the Museu Nacional de Soares dos Reis a few days after the exhibition closed in Lisbon.

Ficha Técnica


Artistas / Participantes


Eventos Paralelos

Visita(s) guiada(s)

[20 Anos de Gravura]

2 jun 1976 – 8 jun 1976
Fundação Calouste Gulbenkian / Edifício Sede – Galeria de Exposições Temporárias (piso 0)
Lisboa, Portugal

Publicações


Material Gráfico


Documentação


Imprensa


Fontes Arquivísticas

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Exposições e Museografia), Lisboa / SEM 00076

Pasta com documentação referente à produção da exposição. Contém convite, correspondência recebida e expedida, ofícios internos, elementos para o catálogo e recortes de imprensa. 1975 – 1976

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Comunicação), Lisboa / COM-S001/019-D01965

4 provas, p.b.: inauguração (FCG, Lisboa) 1976

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Comunicação), Lisboa / COM-S001/028-D00042

24 provas, p.b.: inauguração (FCG, Lisboa) 1976

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Exposições e Museografia), Lisboa / SEM-S007-P0392-D01170

11 provas, p.b.: inauguração (FCG, Lisboa) 1976

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Exposições e Museografia), Lisboa / SEM-S007-P0392-D01308

12 provas, p.b.: objetos (FCG, Lisboa) 1976

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Comunicação), Lisboa / COM-S001/028-D00047

6 provas, p.b.: visita guiada por Maria Gabriel (FCG, Lisboa) 1976

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Comunicação), Lisboa / COM-S001/028-D00048

6 provas, p.b.: visita guiada por Alice Jorge (FCG, Lisboa) 1976

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Comunicação), Lisboa / COM-S001/028-D00049

5 provas, p.b.: visita guiada por Rui Mário Gonçalves (FCG, Lisboa) 1976

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Comunicação), Lisboa / COM-S001/028-D00051

5 provas, p.b.: visita guiada por Fernando de Azevedo (FCG, Lisboa) 1976


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