Manuela Marques e Versailles. A Face Escondida do Sol

Ciclo «Conversas»

Nesta exposição apresentou-se um conjunto de obras inéditas, fruto de dois anos e meio de visitas da artista portuguesa ao Palácio de Versalhes. Em diálogo com a Coleção do Fundador, a exposição inaugurou o ciclo «Conversas», permitindo o contágio entre a arte contemporânea e sumptuosos exemplares da arte francesa do século XVIII.
This exhibition featured a series of previously unseen works, the outcome of two and a half years of visits by the Portuguese artist to the Palace of Versailles. Initiating a dialogue with the Founder’s Collection, the exhibition was the first in the “Conversations” cycle and fosters discourse between contemporary art and lavish works of French 18th century art.

Manuela Marques (1959) é uma artista portuguesa radicada em Paris, cujo «trabalho está amplamente representado em várias coleções públicas e privadas», nacionais e internacionais (Nota Interna. Museu Calouste Gulbenkian, 2017, Arquivos Gulbenkian, ID: 27599). A artista trabalha a fotografia e a instalação, medium a partir do qual a imagem vídeo e o som ganham destaque. Expõe regularmente desde o início da década de 90, sobretudo em instituições francesas, e ainda no Brasil, no Canadá, em Nova Iorque e em Madrid. «Em Portugal expôs, pela primeira vez, nos Encontros da Imagem de Braga em 2002 e na Bienal de Fotografia de Lisboa em 2005» (Ibid.). Em 2011, venceu o Prémio BES Photo, e em 2014 expôs na Delegação Francesa da Fundação Calouste Gulbenkian, numa mostra intitulada «Manuela Marques. La taille de ce vent est un triangle dans l’eau», com curadoria de Sérgio Mah.
«Manuela Marques e Versailles. A Face Escondida do Sol» foi apresentada na senda de um novo ciclo de programação do Museu Calouste Gulbenkian, encetado pela então diretora, Penelope Curtis, e implementado em março de 2017 com o objetivo de valorizar o diálogo, a experimentação e a criação de novos públicos no Museu. Inserida num programa anual de exposições temporárias, tal como a mostra «Tamás Kaszás. Alegria e Sobrevivência» (no Espaço Projeto), e a par de outra mostra, «Portugal em Flagrante», de caráter semipermanente (no Centro de Arte Moderna), a exposição, inaugurada em simultâneo com aquelas duas, marcou um momento de viragem para a Fundação Calouste Gulbenkian (Memória descritiva, 2007, Arquivos Gulbenkian, ID: 122020).
«Manuela Marques e Versailles. A Face Escondida do Sol» abriu o ciclo «Conversas», um novo formato expositivo que contava com três exposições por ano e pretendia dialogar com a Coleção do Fundador, criando uma «oportunidade para repensar a apresentação de núcleos da coleção» e estabelecer pontes entre os espaços do Museu e a Galeria do Piso Inferior (Programa de Exposições 2017, 2018, 2019, 2017, Arquivos Gulbenkian, MCG 04713). Partindo prioritariamente da justaposição do «território artístico de um artista contemporâneo» com obras da coleção reunida por Calouste Sarkis Gulbenkian, datadas da Antiguidade ao início do século XX, a iniciativa viria potenciar o «cruzamento entre diferentes tempos históricos, geografias e temáticas» (Memória descritiva, 2017, Arquivos Gulbenkian, ID: 122020)
«Manuela Marques e Versailles. A Face Escondida do Sol» foi, assim, a primeira de muitas exposições em confabulação com a Coleção do Fundador. Nesse ano, seguir-se-iam «Helmut Federle. Matéria Abstrata [Pinturas e Cerâmicas]» e «Ana Hatherly e o Barroco. Num Jardim Feito de Tinta». A exposição resultou do trabalho de vários meses de deambulações pelo Palácio de Versalhes e partiu do convite da então presidente da instituição pública que o geria, Catherine Pégard, que considerou que este poderia ser um projeto particularmente interessante para Manuela Marques «em termos de pesquisa do ato fotográfico naquele local tão singular» (Nota interna. Museu Calouste Gulbenkian, 23 dez. 2017, Arquivos Gulbenkian, ID: 2799). Foi neste contexto que a artista aceitou «esse enorme desafio […] de olhar, através da câmara, um lugar tão magnífico quanto avassalador» (Manuela Marques. A Face Escondida do Sol, 2017, p. 15).
«Durante dois anos e meio, nos dias em que as portas do Palácio de Versailles encerravam ao público, […] [Manuela Marques] era autorizada a entrar e a explorar as infinitas salas, câmaras e antecâmaras de um dos mais grandiosos palácios da Europa.» (Nota Interna. Museu Calouste Gulbenkian, 23 fev. 2017, Arquivos Gulbenkian, ID: 27599)
No entanto, o simbolismo de Versalhes – «uma ideia sustentada pela História para uns, arquitetada em mitos para outros, ou construída segundo entendimentos próprios da linguagem artística, dos fenómenos culturais e da análise social que ainda outros não dispensam» – tornava imperativo pensar nas formas de executar o projeto, antes que o peso da sua relevância histórica se tornasse um «fator de inibição» (Manuela Marques. A Face Escondida do Sol, 2017, p. 15). A artista revela que várias destas visitas – sempre realizadas a um ritmo seu, respirável, e sobre o qual apenas a ela se impunha decidir – serviram para fazer o «reconhecimento visual» desse «lugar tão cheio de história», uma espécie de materialização de todo o Ancien Régime (Ibid.). Assim, todas as segundas-feiras, ao longo desse período, pôde perscrutar e analisar o sumptuoso ambiente do palácio de Luís XIV. Deambulando por infinitos corredores, quartos e dependências, locais de intimidade do Rei Sol e da antiga corte inacessíveis ao grande público, Manuela Marques pôde, enfim, observar, demorar-se e tomar notas desse local onde muitas vezes lhe foi fácil perder-se, para acabar a devolver-nos essa «face escondida do sol» (Ibid.).
O resultado foi uma série inédita de fotografias acompanhadas por uma obra em formato vídeo e instalações sonoras, que captavam não a monumentalidade vertiginosa do palácio, mas a ambiência e a atmosfera desse lugar entregue aos mais ínfimos detalhes, em clara desarticulação com o luxo de Versalhes.
A seleção de fotografias, correspondentes exclusivamente a espaços interiores, revelava uma organização por conjuntos que dialogavam «entre si e com outros núcleos», cujos títulos obedeciam a uma ordem categórica e estrutural: Espace, Or, Reflet, Verre – ou, na tradução para português, «espaço», «ouro», «reflexo», «vidro» (Ibid.). Suivante, o único retrato na exposição, fechava sozinho um núcleo tornando-se, por isso, a exceção.
Na série Espace (2016), a artista explorou uma espécie de «coreografia de linhas», numa réplica do labirinto visual que Versalhes é. Além das oito fotografias idênticas, que repetiam incessantemente o tema das linhas a verde e creme, dobradas e refletidas em espelhos, e criadas pela sucessão de corredores e vestíbulos do palácio, destacavam-se as obras Lit bleu (2016) e Paravent (2016), fotografias monocromáticas em tons de azul e violeta, respetivamente, atravessadas por linhas que rasgavam o plano, formando composições próximas da colour field painting. Se à primeira vista Lit bleu e Paravent se revelavam abstratas, o tempo permitia desvendar formas concretas e identificá-las como mobília.
Em Or (2016), um conjunto de cinco fotografias, Manuela Marques olhou de perto os «objetos sumptuosos», registando os seus pormenores mais interessantes e reluzentes (Nota Interna. Museu Calouste Gulbenkian, 23 fev. 2017, Arquivos Gulbenkian, ID: 27599). Com as séries Reflet (2016), três fotografias, e Verre (2016), sete fotografias, a artista conseguiu evocar a presença efémera das multidões eternamente renovadas que, «numa espécie de peregrinação laica» a Versalhes, deixam marcas da sua passagem, através de gatafunhos e graffiti desenhados nos vidros e nas superfícies espelhadas do palácio (Manuela Marques. A Face Escondida do Sol, 2017, p. 16).
Finalmente, em Vanished (2016), um registo-vídeo de quase três minutos que se repetia em loop, Manuela Marques apresentava uma fonte de «água sólida, branca», interrompida pela «realidade intermitente de veículos [e pessoas que passavam] […] em primeiro plano» e pela neve que, «cobrindo, pouco a pouco, a paisagem», caía com intensidade (Ibid.). Este era o único momento em que o espaço exterior, sob a forma de paisagem, invadia a exposição. A gravação, no entanto, tinha sido feita a partir do interior do palácio, o que lhe permitira resgatar um «enquadramento poético» que brincava com a «história do lugar», e que era concedido pelo som repetitivo dos ensaios de uma orquestra que tocava a umas salas de distância, na Galeria dos Espelhos (Ibid.).
A captura destes momentos cristalizados em imagem, vídeo e som remetia «para a vivência contemporânea do palácio, lugar de trabalho para uns, e de deleite» para outros (Manuela Marques. A Face Escondida do Sol, 2017, p. 16).
«Manuela Marques e Versailles. A Face Escondida do Sol» ocupou a Galeria de Exposições Temporárias, localizada no piso inferior do Museu, e a galeria da Coleção do Fundador dedicada às artes francesas do século XVIII. A instalação sonora, reproduzindo os acordes do ensaio registado na Galeria dos Espelhos foi replicada e exposta em ambas as galerias, permitindo assim unir os ambientes da exposição distribuída por dois pisos.
A Galeria de Exposições Temporárias, que marcava o início do percurso expositivo, acolheu grande parte das obras da artista. À entrada, o retrato Suivante (2016) recebia o visitante junto a um livro aberto mas impossível de folhear, por se encontrar fechado numa vitrina (Ibid.). O livro, publicado em 1901, era da autoria de Pierre de Nolhac (1859-1936), e tratava a história da criação e execução do Palácio de Versalhes e das primeiras transformações de que foi alvo. Seguiam-se as séries Espace, Reflet, Verre e Or, dispostas em redor da sala.
A exposição prolongava-se depois para a galeria de artes decorativas do século XVIII, onde Espace, Reflet 2, Reflet 3, o vídeo Vanished e as instalações sonoras dialogavam com os «referentes possíveis […] de Versalhes e de todas as artes produzidas em França durante» essa época, desde a pintura à escultura, do mobiliário à ourivesaria, da cerâmica aos têxteis e às artes do livro (Manuela Marques e Versailles. A Face Escondida do Sol [folha de sala], 2017, Arquivos Gulbenkian, ID: 81164). De salientar que a produção editorial foi uma das tipologias com presença mais significativa.
Como refere João Carvalho Dias no catálogo da exposição, é de notar a «forma […] eloquente [e] despretensiosa» como Vanished foi exposta, dialogando com o espaço envolvente. Projetada nas paredes envidraçadas da galeria do Museu cujo «mote é justamente Versailles», a instalação associou as duas paisagens – a dos jardins do Museu Calouste Gulbenkian, trazidos do exterior, e a do espaço circundante a Versalhes, que nos chega a partir do vídeo – aos interiores luxuriosos do palácio, representados pelas obras selecionadas da Coleção do Fundador e pelo olhar único de Manuela Marques sobre Versalhes (Manuela Marques. A Face Escondida do Sol, 2017, p. 16).
As obras da Coleção do Fundador foram adquiridas entre 1899 e 1950; algumas são «objetos que Gulbenkian, ele próprio, comprou de Versalhes», esclarece Penelope Curtis (Santos, Diário de Notícias, 3 mar. 2017, p. 35). Muitas destas obras foram trazidas da reserva do Museu, onde são habitualmente mantidas, tornando-se assim acessíveis ao público.
Além destas, foram ainda cedidas obras da Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian e da Torre do Tombo, de que é exemplo o desenho de «um colar muito provavelmente ligado à rainha Maria Antonieta, mulher de Luís XVI, […] que tanto terá contribuído para manchar a sua reputação em vésperas da Revolução Francesa» (Candeias, Público, 3 mar. 2017, pp. 28-29). Apesar de o «epicentro da mostra [ser] Versalhes, […] o tema expandiu-se, revelando a propagação dos seus modelos e gostos um pouco por toda a Europa» (Manuela Marques e a Face Escondida do Sol, 2017, Arquivos Gulbenkian, ID:107353).
Para identificar este conjunto de obras e de modo a distingui-las da parte integrante da exposição permanente, o projeto museográfico usou painéis de MDF pintados a magenta, onde se liam breves textos introdutórios, elucidativos dos núcleos ou temas a apresentar. Eram eles: 1) «Um mundo de papel: a palavra impressa e a ilustração»; 2) «Os marchands-merciers e a reinvenção do exótico»; 3) «Tecer o Luxo»; 4) «As festas»; 5) «Para além de Versalhes». As vitrinas usadas foram também construídas para o efeito.
A Fundação Calouste Gulbenkian editou um caderno de exposição em formato bilingue (português-inglês), com textos assinados por ambos os curadores, João Carvalho Dias e Nuno Vassalo e Silva. Este foi o primeiro de uma série de cadernos que celebraria o ciclo de exposições «Conversas».
Ao longo de 69 dias, a exposição atraiu 3610 visitantes. Não se registaram visitas de escolas nem marcações extra para visitas orientadas. No que diz respeito aos eventos paralelos, foram organizadas quatro visitas: uma com ambos os curadores e a própria artista, que abrangia ainda a exposição de Tamás Kaszás; outras duas com cada um dos curadores, acerca do «exotismo recriado no século XVIII francês» e da produção editorial sobre Versalhes, e uma última exclusiva a convidados da feira ARCO em Lisboa.
Produto de um olhar atento e amplificado sobre o mundo concreto, as imagens de Manuela Marques «procuram a abstração e a complexidade dos espaços e dos objetos», tornando-se, por isso, muitas vezes irreconhecíveis (Manuela Marques. A Face Escondida do Sol, 2017, p. 16). Em «Manuela Marques. A Face Escondida do Sol», a artista revisitou a possibilidade de uma experiência estética de «deambulação e de devaneio de pensamentos» encetada por Jean-Jacques Rousseau em Rêveries du Promeneur Solitaire (1782), aplicando-a na contemporaneidade (Consiglieri, Artecapital, 20 mar. 2017).
Assim, à luz do seu trabalho, o Palácio de Versalhes – «lugar de história», ou «da História», como a artista sublinha – viria a transformar-se no «espaço da história» (Manuela Marques. A Face Escondida do Sol, 2017, p. 15). Essa mudança de paradigma, que o processo levado a cabo pela artista conseguiu concretizar, ocorre, como afirma Joana Consiglieri, «numa aparente simplicidade», em que a artista «assume uma conversa entre passado e presente, Versailles e contemporaneidade» (Consiglieri, Artecapital, 20 mar. 2017).
Entre o grande volume de menções e artigos sobre a exposição, importa referir «Finalmente, o Museu Gulbenkian como a diretora o pensou», uma entrevista de Lina Santos a Penelope Curtis, na qual a estratégia adotada para o novo rumo da instituição e os novos formatos de programação «Conversas» e «Espaço Projeto» são os principais temas (Santos, Diário de Notícias, 3 mar. 2017, p. 35). O artigo cita ainda o cocurador João Carvalho Dias, a propósito dos livros raros, geralmente escondidos nas reservas, e agora trazidos para a exposição, como a «biografia de Maria Antonieta que continha no interior uma carta manuscrita pelo rei Luís XVI» (Ibid.).
Num artigo semelhante, intitulado «A partir de hoje, a Gulbenkian vai mostrar mais o que tem», Lucinda Candeias refere o novo ciclo da programação no qual a exposição se insere (Candeias, Público, 3 mar. 2017, p. 28).
Destaque para o artigo «Versailles entre a luz e a sombra», no qual Luísa Soares de Oliveira tece um sincero elogio ao olhar contemporâneo de Manuela Marques sobre o palácio do Rei Sol, avaliando a exposição com a nota máxima (Oliveira, Público, 17 mar. 2017, p. 28).
Na imprensa especializada, são de referir a recensão crítica de Joana Consiglieri na Artecapital, e outros dois artigos assinados por Christine Coste no Le Journal des Arts, «Manuela Marques convoque les esprits du grand siècle» (29 mar. 2017) e «Conversations à Versailles» (17 abr. 2017).

 

Maria Madalena Dornellas Galvão, 2022-00-00


Ficha Técnica


Artistas / Participantes


Coleção Gulbenkian

Héroïdes ou Lettres en vers. Nouvelle édition, revue, corrigée, augmentée & ornée de gravures

Adrien-Michel-Hyacinthe Blin de Sainmore (1733 - 1807)

Héroïdes ou Lettres en vers. Nouvelle édition, revue, corrigée, augmentée & ornée de gravures, 1767 / Inv. LA233

André-Charles Boulle (1642-1732)

c. 1700 / Inv. 324A/B

André-Charles Boulle (1642-1732)

c. 1712 / Inv. 256

A very fine series of eighteen unpublished and highly finished original sepia drawings, by Borel, many signed and dated 1788, with Ms. title-page and descriptions, boards.

Antoine Borel (1743-1810)

A very fine series of eighteen unpublished and highly finished original sepia drawings, by Borel, many signed and dated 1788, with Ms. title-page and descriptions, boards., Séc. XVIII / Inv. LA235

Antoine Sébastian Durand (maître 1740)

1750-51 / Inv. 287A/B

Antoine Sébastian Durand (maître 1740)

1754-55 / Inv. 2381

L' Oeuvre d' Antoine Watteau, peintre du Roy, en son Académie Roïale de Peinture et Sculpture. Gravé d' après les tableaux et desseins originaux tirez du Cabinet du Roy et des plus curieux de l 'Europe par les soins de M. de Jullienne.

Antoine Watteau (1684-1721)

L' Oeuvre d' Antoine Watteau, peintre du Roy, en son Académie Roïale de Peinture et Sculpture. Gravé d' après les tableaux et desseins originaux tirez du Cabinet du Roy et des plus curieux de l 'Europe par les soins de M. de Jullienne., S. d. [1735] / Inv. LA124A/B

Le Concert

Antoine-Jean Duclos (1742-1795)

Le Concert, Gravada em 1773 / Inv. 1807

Il Tempio della Pace edificato dalla virtù dell' Eminentissimo Cardinale Mazarino

Aurelio Amalteo (1626-1690 ?)

Il Tempio della Pace edificato dalla virtù dell' Eminentissimo Cardinale Mazarino, Séc. XVII / Inv. LA205

Bernard (II) van Risen Burgh (me. c. 1730)

c. 1750 / Inv. 285

Cérémonies et coutumes religieuses de tous les peuples du monde, representées par des figures dessinées de la main de Bernard Picard: avec une explication historique, & quelques dissertations curieuses.

Bernard Picart (1673 - 1733)

Cérémonies et coutumes religieuses de tous les peuples du monde, representées par des figures dessinées de la main de Bernard Picard: avec une explication historique, & quelques dissertations curieuses., 1723-1743 / Inv. LA103A/K

Formule de cérémonies et prières pour le Sacre de sa Majesté Louis XVI, qui se fera dans l'Église Métropolitaine de Reims, le Dimanche de la Trinité, 11 Juin 1775

Charles Emmanuel Patas (1744-1802)

Formule de cérémonies et prières pour le Sacre de sa Majesté Louis XVI, qui se fera dans l'Église Métropolitaine de Reims, le Dimanche de la Trinité, 11 Juin 1775, Séc. XVIII / Inv. LA53

Sacre et couronnement de Louis XVI, roi de France et de Navarre, à Rheims, le 11 Juin 1775. précédé de recherches sur le Sacre des rois de France, depuis Clovis jusquà  Louis XV; et suivi d'un journal historique de ce qui s'est passé a cette auguste cérémonie.

Charles Emmanuel Patas (1744-1802)

Sacre et couronnement de Louis XVI, roi de France et de Navarre, à Rheims, le 11 Juin 1775. précédé de recherches sur le Sacre des rois de France, depuis Clovis jusquà Louis XV; et suivi d'un journal historique de ce qui s'est passé a cette auguste cérémonie., Séc. XVIII / Inv. LA198

Charles Spire (maître 1736)

1752-53 / Inv. 1071

Charles Spire (maître 1736)

1753-54 / Inv. 2166

Nouvel abrégé chronologique de l'Histoire de France, contenant les événements de notre histoire depuis Clovis jusqu'à la mort de Louis XIV. Les guerres, les batailles, les sièges, etc. Troisième édition, revue, corrigée, augmentée & ornée de vignettes & fleurons en taille-douce.

Charles-Nicolas Cochin, filho (1715-1790)

Nouvel abrégé chronologique de l'Histoire de France, contenant les événements de notre histoire depuis Clovis jusqu'à la mort de Louis XIV. Les guerres, les batailles, les sièges, etc. Troisième édition, revue, corrigée, augmentée & ornée de vignettes & fleurons en taille-douce., Séc. XVIII / Inv. LA61

Oeuvres de Cochin. Recueil factice des oeuvres de Cochin

Charles-Nicolas Cochin, le Jeune (1715-1790)

Oeuvres de Cochin. Recueil factice des oeuvres de Cochin, Séc. XVIII / Inv. LA25A/C

Nascimento de Luís

Charles-Nicolas Cochin, o Jovem (1715 - 1790)

Nascimento de Luís, 1753 / Inv. 459

Claude Siméon Passemant

Inv. 2328

Desconhecido

Início do séc. XVIII / Inv. 2081

Desconhecido

Inv. 2327

Desconhecido

Inv. 99

Desconhecido

Inv. 124A

Desconhecido

Inv. 124B

Desconhecido

Inv. 124C

Desconhecido

Inv. 690

Desconhecido

Inv. 1290

Almanach Royal, Année  MDCCLIII

Desconhecido

Almanach Royal, Année MDCCLIII, (1753) / Inv. LA194

Busto de Luís XIV

Desconhecido

Busto de Luís XIV, Séc. XVIII-XIX / Inv. 286-A

Étrennes  mignones, curieuses et utiles avec plusieurs augmentations et corrections pour l'année mil sept cent quatre-vingt-trois

Desconhecido

Étrennes mignones, curieuses et utiles avec plusieurs augmentations et corrections pour l'année mil sept cent quatre-vingt-trois, 1783 / Inv. LA224

Etrennes mignones curieuses et utiles avec plusieurs augmentations & corrections pour l'année mil sept cent quatre-vingt-deux

Desconhecido

Etrennes mignones curieuses et utiles avec plusieurs augmentations & corrections pour l'année mil sept cent quatre-vingt-deux, 1782 / Inv. LA41

Exercice de pénitence, dédié à la Reine

Desconhecido

Exercice de pénitence, dédié à la Reine, Séc. XVII / Inv. LA42

Fragmento de tecido de seda

Desconhecido

Fragmento de tecido de seda, Inv. 1447

Le microscope des visionnaires ou Le hochet des incrédules. Almanach orné de jolies gravures.

Desconhecido

Le microscope des visionnaires ou Le hochet des incrédules. Almanach orné de jolies gravures., S.d. / Inv. LA225

Luís XIV, rei de França (trigésima terceira efígie)

Desconhecido

Luís XIV, rei de França (trigésima terceira efígie), 1667 / Inv. 2874

Panejamento de seda

Desconhecido

Panejamento de seda, Inv. 1448B

Desconhecido

Retrato de Mme. Du Barry e do pajem Zamore, Final do Séc. XVIII / Inv. 435

Trajo masculino - Casaca, colete e calção

Desconhecido

Trajo masculino - Casaca, colete e calção, Inv. 1459

Histoire de Marie-Antoinette

Edmond de Goncourt (1822 - 1896)

Histoire de Marie-Antoinette, 1858 / Inv. LM301

Madame de Pompadour.Nouvelle édition, revue et augmentée de lettres et documents inédits...

Edmond de Goncourt (1822 - 1896)

Madame de Pompadour.Nouvelle édition, revue et augmentée de lettres et documents inédits..., 1888 / Inv. LM100

Les aventures de Télémaque, fils d'Ulysse par M. de Fénelon. Imprimé par ordre du roi pour l'éducation de Monseigneur le Dauphin

François Fénelon , pseudonimo de François de Salignac de la Mothe-Fénelon (1651-1715)

Les aventures de Télémaque, fils d'Ulysse par M. de Fénelon. Imprimé par ordre du roi pour l'éducation de Monseigneur le Dauphin, 1783 / Inv. LA44A/B

La Henriade. Nouvelle édition

François Marie Arouet, conhecido por Voltaire (1694-1778)

La Henriade. Nouvelle édition, 1728 / Inv. LA122A/B

François-Thomas Germain (maître 1748)

1766 / Inv. 1085A/B/C

François-Thomas Germain (maître 1748)

1761 / Inv. 1086A/B

Le parc de Versailles. Sculpture décorative

Gaston de Brière

Le parc de Versailles. Sculpture décorative, Sèc. XX / Inv. LM216

La Marchande à la Toilette

Gérard Vidal (1742-1801)

La Marchande à la Toilette, Gravada em 1782 / Inv. 1800

La Soubrette Confidente

Gérard Vidal (1742-1801)

La Soubrette Confidente, Gravada em 1782 / Inv. 1796

Histoire philosophique et politique des établissements et du commerce des Européens dans les deux Indes

Guillaume-Thomas François Raynal (1713-1796)

Histoire philosophique et politique des établissements et du commerce des Européens dans les deux Indes, 1780-81 / Inv. LA110A/E

La cité des eaux

Henri de Regnier (1864-1936)

La cité des eaux, 1912 / Inv. LM233A/B/C

Hubert Robert ( 1733-1808)

Le Bosquet des Bains d'Apollon, c. 1775-77 / Inv. 627

Hubert Robert ( 1733-1808)

Le Tapis Vert, c. 1775-77 / Inv. 626

Jacques Caffieri (1678-1755)

Inv. 362

Jacques-Charles Mongenot (maître 1775)

Inv. 2217

Panejamentos de seda

Jean Charton

Panejamentos de seda, Inv. 1401

Les Amours de Psyché et de Cupidon avec le poème d'Adonis, par La Fontaine

Jean de La Fontaine (1621 - 1695)

Les Amours de Psyché et de Cupidon avec le poème d'Adonis, par La Fontaine, 1795 / Inv. LA70

Jean Desforges (me. c. 1739)

C.1750 / Inv. 284

Oeuvres de Jean Racine, avec des commentaires par M. de Luneau de Boisjermain

Jean Racine (1639-1699)

Oeuvres de Jean Racine, avec des commentaires par M. de Luneau de Boisjermain, 1768 / Inv. LA109A/G

Luís XIV, Rei de França (quadragésima sexta efígie)

Jean Warin ou Varin (1606-1672)

Luís XIV, Rei de França (quadragésima sexta efígie), 1674 / Inv. 2875

Jean-Baptiste Boulard (me. 1754)

1785 / Inv. 127

Choix de Chansons mises en musique par M. de La Borde, Premier Valet-de-Chambre ordinaire du Roi, Gouverneur du Louvre. Ornées d'estampes par J.M. Moreau, dédiées à Madame la Dauphine

Jean-Benjamin de La Borde (1734-1794)

Choix de Chansons mises en musique par M. de La Borde, Premier Valet-de-Chambre ordinaire du Roi, Gouverneur du Louvre. Ornées d'estampes par J.M. Moreau, dédiées à Madame la Dauphine, 1774 / Inv. LA68A/D

Contes Moraux

Jean-François Marmontel (1723-1799)

Contes Moraux, 1765 / Inv. LA86A/C

Jean-Henry Riesener (me. 1768)

1773 / Inv. 2082

Busto de Jean-Baptiste Poquelin de Molière

Jean-Jacques Caffieri (1725-1792)

Busto de Jean-Baptiste Poquelin de Molière, 1785 / Inv. 20

Jean-Marc Nattier (1685-1766)

Retrato do Marechal Duque de Richelieu, 1732 / Inv. 96

Jean-Nicolas Blanchard (me.1771)

1784 / Inv. 1452

Représentation des fêtes  données par la Ville de Strasbourg pour la convalescence du Roi, à l'arrivée et pendant le séjour de Sa Majesté en cette Ville. Inventé, dessiné et dirigé par J. M. Weiss, Graveur de la Ville de Strasbourg

Johann Martin Weiss (1711-1751)

Représentation des fêtes données par la Ville de Strasbourg pour la convalescence du Roi, à l'arrivée et pendant le séjour de Sa Majesté en cette Ville. Inventé, dessiné et dirigé par J. M. Weiss, Graveur de la Ville de Strasbourg, s. d. [1745] / Inv. LA203

Louis Lenhendrick (maître 1747)

Inv. 1088A/B

Louis Lenhendrick (maître 1747)

Inv. 1090A/B

O Caçador de Pássaros

Manufactura de Aubusson

O Caçador de Pássaros, Inv. 32G

O Dançarino

Manufactura de Aubusson

O Dançarino, Inv. 32E

O Pescador Infeliz

Manufactura de Aubusson

O Pescador Infeliz, Inv. 32C

Os Equilibristas

Manufactura de Aubusson

Os Equilibristas, Inv. 32D

"Jupiter en raisin"

Manufactura Real de Beauvais

"Jupiter en raisin", Inv. 281

Painel de seda

Marie Olivier Desfarges

Painel de seda, 1786 / Inv. 1448A

Martin Carlin (me.1766)

c.1772 / Inv. 2267

Maurice-Quentin de La Tour (1704-1788)

Retrato de Duval de L'Épinoy, 1745 / Inv. 2380

Les Oeuvres de Monsieur de Molière. Revuës, corrigées & augmentées, enrichies de figures en taille-douce.

Molière (Jean-Baptiste Poquelin, chamado) (1622-1673)

Les Oeuvres de Monsieur de Molière. Revuës, corrigées & augmentées, enrichies de figures en taille-douce., 1682 / Inv. LA87A/H

"Le carquois epuisé"

Nicolas Delaunay (1739-1792)

"Le carquois epuisé", Inv. 1806

La Consolation de l'Absence

Nicolas Delaunay (1739-1792)

La Consolation de l'Absence, Inv. 1802

La Consolation de l'Absence

Nicolas Delaunay (1739-1792)

La Consolation de l'Absence, Gravada em 1785 / Inv. 1797

Nicolas-Bernard Lépicié (1735-1784)

O Astrónomo, c. 1777 / Inv. 2385

O Romance Perigoso

Niklas Lafrensen (1737-1807)

O Romance Perigoso, c. 1781 / Inv. 251

Le premier baiser de l'amour

Noel Le Mire (1724-1801)

Le premier baiser de l'amour, 1774 / Inv. 1920

Fragmento de seda

Phillipe de Lasalle

Fragmento de seda, Inv. 201

La création de Versailles d'après les sources inédites. Études sur les origines et les premières transformations du chateau et des jardins

Pierre de Nolhac (1859 - 1936)

La création de Versailles d'après les sources inédites. Études sur les origines et les premières transformations du chateau et des jardins, Sèc. XX / Inv. LM210

Le Trianon de Marie-Antoinette

Pierre de Nolhac (1859 - 1936)

Le Trianon de Marie-Antoinette, Sèc. XX / Inv. LM209

Louis XV et Madame de Pompadour

Pierre de Nolhac (1859 - 1936)

Louis XV et Madame de Pompadour, Sèc. XX / Inv. LM206

Le Sacre de Louis XV, Roy de France et de Navarre dans l'Église de Reims, Le Dimanche XXV Octobre MDCCXXII

Pierre Dulin (1669-1748)

Le Sacre de Louis XV, Roy de France et de Navarre dans l'Église de Reims, Le Dimanche XXV Octobre MDCCXXII, S. d. [1731] / Inv. LA115

Aeglé - Ballet en un acte par Mr. de Lagarde, de la Musique du Roy. Le divertissement est de Mr. Martin. Les paroles sont de Mr. Laujon.

Pierre Laujon (1727-1811)

Aeglé - Ballet en un acte par Mr. de Lagarde, de la Musique du Roy. Le divertissement est de Mr. Martin. Les paroles sont de Mr. Laujon., [c. 1748] / Inv. LA214

Armorial des principales maisons et familles du royaume, particulierement de celles de Paris et de l'Isle de France. Contenant les armes des Princes, Seigneurs, Grands Officiers de la Couronne & de la Maison du Roi, celles des Cours Souveraines, etc. Avec l'explication de tous les blasons.

Pierre Paul Dubuisson (1707-1762)

Armorial des principales maisons et familles du royaume, particulierement de celles de Paris et de l'Isle de France. Contenant les armes des Princes, Seigneurs, Grands Officiers de la Couronne & de la Maison du Roi, celles des Cours Souveraines, etc. Avec l'explication de tous les blasons., 1757 / Inv. LA35A/B

Traité des Pierres Gravées

Pierre-Jean Mariette (1694-1774)

Traité des Pierres Gravées, 1750 / Inv. LA195A/B

Suite d'estampes gravées par Madame la Marquise de Pompadour, d'après les pierres gravées de Guay, graveur du Roy

Pompadour (La Marquise de) (1721-1764)

Suite d'estampes gravées par Madame la Marquise de Pompadour, d'après les pierres gravées de Guay, graveur du Roy, 1751-1758 / Inv. LA105

Les Adieux

Robert Delaunay (1749-1814)

Les Adieux, Gravada em 1777 / Inv. 1798

Les Métamorphoses d' Ovide, en latin traduites en françois, avec des remarques, et des explications historiques par M. l' Abbé Banier, de l'Académie Royale des Inscriptions et Belles Lettres. Ouvrage enrichi de figures en taille douce, gravées par B. Picart, & autres habiles Maîtres.

Wandelaar (1690-1759)

Les Métamorphoses d' Ovide, en latin traduites en françois, avec des remarques, et des explications historiques par M. l' Abbé Banier, de l'Académie Royale des Inscriptions et Belles Lettres. Ouvrage enrichi de figures en taille douce, gravées par B. Picart, & autres habiles Maîtres., 1732 / Inv. LA94

Inv. 18A/B

Espace 3

Manuela Marques (1959-)

Espace 3, 2016 / Inv. 17FP643

Verre 1

Manuela Marques (1959-)

Verre 1, 2016 / Inv. 17FP644


Eventos Paralelos

Visita(s) guiada(s)

O Exotismo Recriado no Século XVIII Francês

8 abr 2017
Fundação Calouste Gulbenkian / Museu Calouste Gulbenkian – Galerias da Exposição Permanente
Lisboa, Portugal
Visita(s) guiada(s)

Versailles em Papel

18 mai 2017
Fundação Calouste Gulbenkian / Museu Calouste Gulbenkian
Lisboa, Portugal
Visita(s) guiada(s)

À Conversa com os Curadores. João Carvalho Dias e Nuno Vassalo com Manuela Marques

4 mar 2017
Fundação Calouste Gulbenkian / Museu Calouste Gulbenkian
Lisboa, Portugal

Publicações


Material Gráfico


Fotografias

João Carvalho Dias e Rui Esgaio (ao centro, da esq. para a dir.)

Multimédia


Documentação


Imprensa


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