Saúde e Arquitetura em Diálogo

Fórum Gulbenkian de Saúde 2015

Exposição de arquitetura integrada no programa da 16.ª edição do Fórum Gulbenkian de Saúde. Apresentada na Zona de Congressos do Edifício Sede da Fundação Calouste Gulbenkian, a mostra foi comissariada pelos arquitetos Teresa Nunes da Ponte (curadora da 16.ª edição do Fórum) e António Belém Lima.
Architecture exhibition included in the 16th edition of the Gulbenkian Forum on Health. Staged in the Congress Area of the Main Building of the Calouste Gulbenkian Foundation, the show was curated by architects Teresa Nunes da Ponte (curator of the 16th Forum) and António Belém Lima.

Exposição de arquitetura integrada no programa da 16.ª edição do Fórum Gulbenkian de Saúde, com curadoria de Teresa Nunes da Ponte e organização do Programa Gulbenkian de Saúde.

O tema proposto para esta edição, «Saúde e Arquitetura em Diálogo», que serviu de título à exposição, foi debatido ao longo de dois dias num ciclo de conferências em que se cruzaram história e teoria da arquitetura, do urbanismo e do design. Este evento trouxe a Lisboa profissionais de referência nas referidas áreas, como Charles Jencks, Jan Gehl e Albert de Pineda, entre outros, que partilharam as suas experiências e estudos.

A exposição associada ao ciclo ocupou o espaço da Zona de Congressos do Edifício Sede da Fundação Calouste Gulbenkian (piso 01) e teve a duração de dois meses. Cocomissariada por Teresa Nunes da Ponte e António Belém Lima, esta mostra documentava o modo como a arquitetura foi acompanhando os desenvolvimentos da medicina ao longo da História, desde a Antiguidade Clássica até aos nossos dias. Tratando-se de um projeto com uma forte componente historiográfica, mas também teórica e técnica, os curadores contaram com a colaboração de uma equipa de consultores, constituída por profissionais de diversas áreas, e da qual fizeram parte Manuel Salgado, Tiago Costa, Teresa Valsassina Heitor, António Barros Veloso, José Sarmento Matos e Palmira Fontes da Costa.

Com projeto museográfico da responsabilidade dos arquitetos curadores, juntamente com Sónia Antunes e Rita Soares, esta exposição estendia-se pela área da Zona de Congressos que circunda o jardim interior. No espaço, o diálogo entre saúde e arquitetura tomou a forma de uma linha do tempo, com períodos históricos bem definidos (Antiguidade Clássica, Idade Média, Renascimento, Iluminismo, Romantismo, Modernismo, Contemporâneo), na qual eram apresentadas em paralelo as principais descobertas científicas e seus protagonistas, as práticas e cuidados instituídos, alguns acontecimentos históricos determinantes e os modelos arquitetónicos decorrentes de novas práticas e conhecimentos.

Os diferentes modelos foram exemplificados através de uma seleção de projetos arquitetónicos, nacionais e internacionais, que se tornaram históricos. Estes foram apresentados com recurso a maquetas e modelos, plantas e reproduções fotográficas. Paralelamente, os avanços nos cuidados de saúde eram documentados através de uma seleção de equipamentos e materiais técnicos, objetos, livros, documentação diversa e vídeos. A diversidade de materiais em exposição e o espaço disponível, com as suas limitações, não sendo um espaço de exposições, levou à criação de um padrão expositivo: primeiro surgiam os materiais que faziam referência aos desenvolvimentos científicos, em seguida os referentes às transformações na arquitetura.

De cada um deles foram selecionados casos de estudo, dois por cada um dos períodos entre a Antiguidade Clássica e o Romantismo, à exceção dos mais recentes, Modernismo e Contemporâneo, dos quais se escolheu um maior número. Cada obra arquitetónica era representada por uma maqueta em madeira, quase sempre suspensa (à exceção do Templo de Esculápio e do Hospital Real de Todos-os-Santos, dispostos sobre plintos), marcando o ritmo do percurso. À maqueta seguia-se a respetiva planta e reproduções de documentação iconográfica associada, ambas impressas na parede. Como mencionado anteriormente, em alguns destes núcleos eram apresentados objetos e outro tipo de materiais que remetiam para os desenvolvimentos na área da saúde e cuidados, sendo estes dispostos em vitrinas afixadas na parede. A cor escolhida para a parede e restantes suportes expositivos foi um tom de azul-escuro. Este funcionava como elemento aglutinador, nas palavras dos curadores, como «um céu-sublime-moderno, como quando, de olhos fechados, interpelamos a nossa experiência da doença, a nossa esperança de saúde» (Saúde e Arquitetura em Diálogo, 2015, p. 11).

Entre os casos selecionados, encontravam-se exemplares da arquitetura portuguesa, como o Hospital Termal das Caldas da Rainha (1488), o Hospital Real de Todos-os-Santos de Lisboa (1504), o Pavilhão de Segurança do Hospital Miguel Bombada (1896), os hospitais de São João no Porto (1959) e de Santa Maria em Lisboa (1953) e o Centro de Saúde de Vila do Conde (2004-2006), bem como de outros países europeus como o St. Nikolaus-Hospital (Alemanha, 1447), o Hôpital Lariboisière (França, 1853) e o Paimio Sanatorium (Finlândia, 1932), o Maggie's Cancer Centre – Singleton Hospital (Reino Unido, 2007-2011) e Therme Vals (Suíça, 1990-1996), entre outros. Esta estrutura permitia ainda ao visitante encontrar paralelismos entre passado e presente, notando-se por vezes a reinterpretação de algumas soluções ensaiadas no passado, com forte ligação à natureza.

O núcleo dedicado à contemporaneidade era o maior, com nove casos de estudo, revelando a enorme diversidade de propostas decorrente das particularidades da ciência clínica e biomédica, as quais têm levado à construção de edifícios com morfologias muito distintas, como resposta a diferentes necessidades, refletindo igualmente os mais recentes progressos científicos e tecnológicos.

A publicação produzida por ocasião da exposição segue a estrutura da mostra, dividindo-se em sete capítulos, correspondentes aos diferentes núcleos, nos quais a documentação exposta se encontra reproduzida. Com uma vasta seleção de registos fotográficos da exposição, captados por Fernando Guerra, aos quais se juntam uma planta do projeto museográfico, torna-se possível ao leitor seguir o percurso da mostra. Deste modo, a publicação reflete a investigação levada a cabo pelos curadores, com a colaboração da equipa de consultores, e, simultaneamente, documenta uma exposição que juntou arquitetura, ciência e tecnologia.

Mariana Roquette Teixeira, 2020


Ficha Técnica


Artistas / Participantes


Eventos Paralelos

Ciclo de conferências

Fórum Gulbenkian de Saúde 2015

20 out 2015 – 21 out 2015
Fundação Calouste Gulbenkian / Edifício Sede – Auditório 2
Lisboa, Portugal

Publicações


Fotografias


Fontes Arquivísticas

Arquivo Digital Gulbenkian, Lisboa / ID: 152617

Coleção fotográfica, cor: inauguração e aspetos (FCG, Lisboa) 2015


Exposições Relacionadas

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