Parcours du Patrimoine Portugais, 1929 – 1999

70.º Aniversário da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN)

Exposição comemorativa dos 70 anos da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, que abordou a importância da intervenção desta instituição em edifícios referenciais da arquitetura portuguesa. Após itinerância por diversas cidades em Portugal, parte da mostra seguiu para Paris, onde foi apresentada no Centre Culturel Calouste Gulbenkian.
Exhibition commemorating 70 years of the Directorate-General of Buildings and National Monuments on the value of its work on seminal buildings of Portuguese architecture. After being held in several Portuguese cities, the show was taken to Paris where it opened at the Centre Culturel Calouste Gulbenkian.

«Caminhos do Património Português, 1929-1999» foi uma exposição itinerante que apresentou alguns dos projetos coordenados pela Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) e realizados durante o século XX. A mostra assinalou o septuagésimo aniversário dessa instituição pública, divulgando o seu papel na conservação arquitetónica e na promoção cultural dos equipamentos que foi tendo a seu cargo. Partiu da iniciativa da própria DGEMN, através dos seus Serviços de Inventário e Divulgação. O comissariado coube a João Vieira Caldas, à data chefe de Divisão de Inventário da DGMEN.

O catálogo de exposição indica que a estreia do périplo nacional da mostra ocorreu no edifício do Aljube, no Porto, onde ficou patente entre 12 de maio e 16 de junho de 1999. Seguiu posteriormente para a Igreja de São Tiago, em Coimbra, entre 23 de junho e 7 de julho de 1999, e daí para os antigos Celeiros da EPAC, em Évora, entre 23 de julho e 18 de agosto do mesmo ano. Seria finalmente apresentada em Lisboa, na Praça do Comércio [na própria sede da DGEMN (?)], entre 25 de agosto e 30 de setembro de 1999. Num artigo para a revista Pedra & Cal, especializada em património cultural, Cláudia Veloso aponta ainda a Madeira como um dos possíveis locais em que se previu expor o projeto (Veloso, Pedra & Cal, n.º 3, 1999, pp. 13-15).

Após encerrar em Lisboa, uma parte da mostra partiu para Paris, ficando patente no Centre Culturel Calouste Gulbenkian (CCCG). Daí, viajou para Espanha, ficando patente na sala de exposições da Biblioteca de Castilla y León – Biblioteca Pública de Valladolid (Arquivos Gulbenkian, PRS 05355). A imprensa indica que essa diligência se deu por convite da universidade pública dessa cidade (Ibid.).

Com museografia da Arquitectos Pioledo, a exposição era composta por várias vitrinas verticais, em ferro e vidro, organizadas em seis partes: Nascimento e Herança; Intervenções no Espaço Monumental; A Arquitectura do Século XX; As Pousadas em Monumentos; Métodos, Técnicas e Tecnologias; Intervenções Actuais. Ao longo destes núcleos, expunham-se materiais que iam desde imagens fotográficas a desenhos paisagísticos e desenhos arquitetónicos, incluindo a reprodução de plantas e cortes de época – desde o final do século XIX até à década de 1960. Merece nota um caso isolado de um projeto de mobiliário de 1962, da autoria do arquiteto João Andresen, para a Pousada de São Teotónio em Valença (Caminhos do Património..., 1999). No que respeita às fotografias apresentadas, elas iam desde vistas dos edifícios em diferentes épocas, até reportagens sobre o andamento de obras e intervenções promovidas pela DGEMN ao longo do tempo. Acompanhavam as diferentes fases de trabalho, quer nos locais de construção, quer em tarefas mais laboratoriais.

As novas tecnologias de informação também tiveram um papel relevante na mostra. Eram disponibilizados vários computadores que permitiam aceder a um CD-ROM de pesquisa alargada aos projetos da DGEMN, bem como ao IPA – Inventário do Património Arquitectónico. Também terá sido consultável a edição em CD-ROM da coleção de «Boletins» da DGEMN. Alguns exemplares físicos desse periódico eram igualmente expostos (Veloso, Pedra & Cal, n.º 3, 1999, p. 14).

O caráter multifacetado da DGEMN saía reforçado, abordando-se não apenas as intervenções no património arquitetónico histórico, mas também a construção de edifícios de raiz para albergarem os mais diversos serviços públicos. Destacava-se assim, o contributo proativo da DGEMN para a arquitetura e o urbanismo modernista em Portugal.

A coordenação da exposição ficou a cargo de Margarida Alçada, então diretora de Serviços de Inventário e Divulgação da DGEMN, que, para a versão de Paris, estabeleceu articulação com Nicole de Barbuat da parte do CCCG.

Na capital francesa, a inauguração da exposição decorreu a 13 de outubro de 1999. Foi antecedida por uma conferência do arquiteto Victor Mestre, intitulada «La Restauration du palais Frontera par Fernando de Mascarenhas» (Arquivos Gulbenkian, PRS 04923). Embora o convite refira o fecho a 10 de novembro 1999, o encerramento ter-se-á dado provavelmente no dia 5 desse mês, por forma a assegurar os preparativos para a apresentação em Valladolid (Arquivos Gulbenkian, PRS 05355).

Além das normais tarefas de produção, coube à delegação em França da Fundação Calouste Gulbenkian articular a tradução para francês de materiais textuais associados à versão de Paris, desde as tabelas e textos museológicos, até às edições que então se lançaram. Entre essas publicações, encontra-se uma brochura de exposição que reúne apresentações institucionais de Francisco Bethencourt, então diretor do CCCG, e de Vasco Martins Costa, enquanto diretor da DGEMN. Somam-se-lhes a introdução do comissário da exposição, João Vieira Caldas, um texto da historiadora Maria João Baptista Neto, e outro da arquiteta Ana Tostões (Arquivos Gulbenkian, PRS 05355).

Os Arquivos Gulbenkian guardam também um guião de exposição, integralmente em francês, que percorre alguns dos materiais selecionados para expor no CCCG. Esse documento revela que se manteve a estrutura de seis partes da mostra-base, embora obedecendo a uma seleção significativamente mais pequena de painéis (Parcours du Patrimoine..., 1999). Ainda assim, esse número mais restrito viria a ser ligeiramente aumentado. Um ofício de Margarida Alçada adianta 22 painéis para Paris, acrescentando ao citado guião materiais referentes ao Paço de Sousa, no núcleo I, e à Pousada do Cabo Espichel, no núcleo IV (Ofício de Margarida Alçada para Nicole Barbuat, 13 jul. 1999, Arquivos Gulbenkian, PRS 05355). Um ofício posterior do comissário João Vieira Caldas, refere a adição de mais dois painéis, pedindo a tradução desses novos conteúdos (Ofício de Vieira Caldas para Barbuat, 7 out. 1999, Arquivos Gulbenkian, PRS 05355). Uma nota referente à expedição da exposição para Valladolid parece confirmar que estiveram 24 painéis reunidos em Paris (Arquivos Gulbenkian, PRS 05355).

Como esta exposição itinerante fez notar, a DGEMN foi um dos organismos mais duradouros da Administração Pública portuguesa. Manter-se-ia até à entrada para o século XXI, ocupando-se de património arquitetónico em território nacional e além-fronteiras. Historicamente, a sua atividade tem a particularidade de ter atravessado todo o regime ditatorial do Estado Novo, permanecendo no ativo após a Revolução de 1974. Essa longevidade fará deste organismo, seguramente, um objeto de estudo central para a compreensão do desenvolvimento das políticas do património durante o século XX português e para as metodologias e práticas que foram legadas ao século XXI.

Daniel Peres, 2019


Ficha Técnica


Artistas / Participantes


Eventos Paralelos

Conferência / Palestra

La Restauration du Palais Frontera

13 out 1999
Fundação Calouste Gulbenkian / Delegação em França – Centre Culturel Calouste Gulbenkian
Paris, França

Publicações


Material Gráfico


Fotografias

Fotografias em álbum da inauguração da exposição

Documentação


Imprensa


Fontes Arquivísticas

Arquivos Gulbenkian (Centre Culturel Portugais de Paris), Lisboa / PRS 05355

Pasta com documentação referente à produção da exposição. Contém reprodução encadernada de um documento (em versão francesa) que terá funcionado como guião da exposição; edição francesa do caderno de exposição (versão editada em parceria com a Fundação Calouste Gulbenkian); dois folhetos, um sobre o Edifício do Aljube, no Porto (em português), e o outro sobre o Palácio Fronteira, em Lisboa (em francês). 1999 – 1999

Arquivos Gulbenkian (Centre Culturel Portugais de Paris), Lisboa / PRS 04923

Álbum com coleção fotográfica, cor: inauguração e conferência por Victor Mestre (CCCG, Paris) 1999 – 1999


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