Artes Tradicionais de Portugal

Exposição itinerante e fora de portas, comissariada por Maria Helena Mendes Pinto. A mostra apresentou um largo conjunto de colchas, trajes, peças de ourivesaria tecelagens, tapetes de Arraiolos e bordados tradicionais, pertencentes a coleções públicas e privadas portuguesas.
Travelling outdoor exhibition curated by Maria Helena Mendes Pinto. The show featured a wide selection of quilts, costumes, jewellery, tapestries, Arraiolos rugs and traditional embroidery. The pieces came from public and private collections.

Exposição itinerante organizada pelo Serviço Internacional da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG). Comissariada por Maria Helena Mendes Pinto, a mostra apresentou um largo conjunto de colchas, trajes, peças de ourivesaria e ainda tecelagens, tapetes de Arraiolos e bordados tradicionais, pertencentes a coleções públicas e privadas portuguesas. Deu a conhecer tradições artísticas de várias províncias de Portugal Continental e ilhas adjacentes.

O conjunto expositivo esteve patente, em primeiro lugar, no Tekstil Museum, em Jacarta, onde a exposição foi inaugurada em maio de 2002. Entre 2004 e 2005, a exposição circulou pelo Brasil e esteve presente em quatro locais distintos: na Embaixada de Portugal em Brasília, entre junho e agosto de 2004; no Museu Histórico Nacional no Rio de Janeiro, entre setembro de 2004 e janeiro de 2005; no Palácio das Artes em Belo Horizonte, entre fevereiro e abril de 2005; finalmente, no Museu de Arte da Bahia, em São Salvador, entre abril e junho de 2005.

A ideia inicial da exposição partiu de uma sugestão da então embaixadora de Portugal na Indonésia, Ana Gomes, «que entendeu oportuno marcar o reatamento das relações culturais entre os dois países, através de uma manifestação de grande impacto, em que Portugal patenteasse aspectos relevantes da sua cultura e cujas ligações ao Oriente fossem perceptíveis pelo público local» (Comunicado de imprensa, 26 mar. 2002, Arquivos Gulbenkian, INT 04493).

Esta proposta foi aceite por João Pedro Garcia, então diretor do Serviço Internacional da FCG, que, em conjunto com a equipa do Museu Calouste Gulbenkian (MCG), decidiu que faria sentido apostar numa exposição centrada na arte têxtil, «não só por ser uma área de interesse comum aos dois países mas também porque aquele museu da capital indonésia era o que melhor se prestava ao projecto» (Almeida, Visão, 9 mai. 2002, p. 148).

O projeto inicial foi concebido por Maria Helena Mendes Pinto, colaboradora do Serviço Internacional da FCG e especialista em artes decorativas, e incluía um conjunto de 220 peças provenientes de diversas coleções públicas e privadas nacionais, destacando-se o papel do Museu de Arte Popular de Lisboa, que cedeu mais de um terço do seu acervo para ser exposto nesta iniciativa.

A exposição foi pensada em dois núcleos principais: o primeiro, dedicado às colchas, primava pela sua riqueza temática e pela diversidade de proveniências apresentadas (Castelo-Branco, Urros, Alentejo, entre outras); o segundo núcleo focava os trajes tradicionais e era complementado por outras peças (ourivesaria, pequenos móveis e acessórios do quotidiano) que revelavam os costumes, valores e mentalidades de cada região. Devido a esta divisão temática, o título inicial atribuído a esta iniciativa era «Têxteis e Trajes Tradicionais de Portugal», optando-se posteriormente pela denominação mais geral «Artes Tradicionais de Portugal» (Relatório, 16 mar. 2001, Arquivos Gulbenkian, MHMP-00020).

Em Jacarta e com o apoio da tutela local, a mostra ocupou, na íntegra, o espaço do Museum Tekstil. No átrio central destacavam-se os vários exemplares de colchas de Castelo Branco e de outras regiões portuguesas, incluindo os arquipélagos da Madeira e dos Açores. De acordo com a comissária Maria Helena Mendes Pinto, o objetivo principal foi o de «procurar os pontos de contacto entre Portugal e o Oriente na nossa arte têxtil tradicional», que se encontraram, por exemplo, nas representações de motivos como pássaros ou motivos vegetalistas (Almeida, Visão, 9 mai. 2002, p. 148).

Nas doze salas em volta do átrio principal foram expostos diversos manequins, que exibiam os trajes das diversas regiões: Trás-os-Montes, Minho, Estremadura, Ribatejo, Madeira, Açores, entre outros. Foi no núcleo de ourivesaria, com as filigranas do Minho, que se encontraram as maiores semelhanças com alguma joalharia tradicional indonésia, aspeto que chamou a atenção dos visitantes locais (Diário de Notícias, 4 mai. 2002, p. 40).

Depois da apresentação na Indonésia, a equipa responsável pela organização, composta pela comissária Maria Helena Mendes Pinto, por João Pedro Garcia, pelo designer Mariano Piçarra e pela cocomissária Maria Madalena Ataíde Garcia, realizou, em janeiro de 2003, uma viagem de prospeção ao Brasil, para estudar os possíveis locais que poderiam receber esta mostra.

Foi ainda ponderado, em janeiro de 2001, que a exposição fosse apresentada em Banguecoque, depois de Jacarta. Com esta ideia em mente, foram visitados dois locais propostos pela Embaixada de Portugal na Tailândia: a National Gallery e o National Museum. Após várias deliberações, foi verificado que nenhum dos espaços reunia as condições suficientes para receber a exposição, maioritariamente devido a razões de espaço e visibilidade (Relatório da viagem a Banguecoque elaborado por Maria Helena Mendes Pinto, 6 jun. 2001, Arquivos Gulbenkian, MHMP-00020).

A Embaixada de Portugal em Brasília foi o ponto de partida para a itinerância da mostra no Brasil, integrando as comemorações do Dia de Portugal. Contudo, por falta de área disponível foram incluídas apenas 72 peças do acervo inicialmente selecionado (43 modelos à escala, 19 colchas e 20 peças de ourivesaria em ouro), distribuídas entre o átrio, o auditório e ainda uma sala no piso inferior deste edifício (Ofício de Maria Helena Mendes Pinto para José Blanco, 29 jan. 2003, Arquivos Gulbenkian, MHMP-00024).

Depois de Brasília, o Rio de Janeiro foi palco, durante a segunda semana de setembro, de uma série de iniciativas culturais luso-brasileiras, a que a FCG, através do seu Serviço Internacional, se associou. A exposição foi inaugurada em setembro de 2004, no Museu Histórico Nacional, e foi apresentada na sua versão integral.

Em diálogo com a exposição na cidade supracitada, a Cátedra Jorge de Sena da Universidade Federal do Rio de Janeiro e o Departamento de Antropologia do Museu Nacional organizaram, nos dias 8 e 9 de setembro, um seminário intitulado «Artifícios e Artefactos: Entre o Literário e o Antropológico», no qual quinze conferencistas de ambos os países debateram e procuraram estabelecer pontos de ligação entre estes dois âmbitos, desde a Idade Média até à contemporaneidade (Newsletter. Fundação Calouste Gulbenkian, n.º 56, 2004, p. 7).

Entre fevereiro e abril de 2005, a exposição esteve patente no Palácio das Artes em Belo Horizonte e foi organizada pela parceria entre a Embaixada de Portugal no Brasil e a Fundação Clóvis Salgado, ocupando três galerias do edifício, ou seja, uma área superior a 1000 m2 (Relatório, 29 jan. 2003, Arquivos Gulbenkian, MP-00024).

A última instituição a receber a mostra foi o Museu de Arte da Bahia, em São Salvador. A inauguração da exposição na primeira capital do Brasil colonial deu-se no mesmo dia em que se assinalava a chegada de Pedro Álvares Cabral a este país, no dia 22 de abril (Comunicado de imprensa, 19 abr. 2005, Arquivos Gulbenkian, ID: 51507).

O catálogo, publicado em inglês e indonésio, no âmbito da exposição em Jacarta, conta com apresentações de José Blanco, enquanto administrador da FCG, e da embaixadora de Portugal na Indonésia, Ana Gomes, seguidas por textos de Elisabeth Costa e Maria Helena Mendes Pinto. A obra inclui ainda a reprodução fotográfica do conjunto integral das peças selecionadas, distribuídas pelas várias províncias e temas a que estavam associadas.

No âmbito da itinerância da exposição no Brasil, foi publicada uma nova edição do catálogo. De acordo com o Relatório Balanço e Contas da FCG relativo ao ano de 2004, a publicação do catálogo em português permitiu a sua divulgação no mundo lusófono, e «o nível de estudos, aliado à escassez de trabalhos disponíveis nesta área, faz dele uma obra de referência para os que se interessam pela matéria» (Relatório Balanço e Contas. FCG. 2004, 2005, p. 122).

Na apresentação que redigiu para o catálogo, José Blanco chama a atenção para o papel da Fundação na preservação do património a nível nacional e internacional, na profusão do conhecimento de outras culturas e na divulgação no exterior da heterogeneidade artística do território português, num dos países mais pequenos do continente europeu (Artes Tradicionais de Portugal, 2004, p. 9).

Joana Atalaia, 2019


Ficha Técnica


Eventos Paralelos

Ciclo de conferências

Artifícios e Artefactos. Entre o Literário e o Antropológico

8 set 2004 – 9 set 2004
Fórum da Ciência e Cultura da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Rio de Janeiro, Brasil

Publicações


Material Gráfico


Fotografias


Documentação


Imprensa


Fontes Arquivísticas

Arquivos Gulbenkian (Maria Helena Mendes Pinto), Lisboa / MHMP-00024

Pasta com documentação referente à produção da exposição no Rio de Janeiro e em Brasília. Contém correspondência, plantas de salas, recortes de imprensa, convites de inauguração, entre outros. 2003 – 2005

Arquivos Gulbenkian (Maria Helena Mendes Pinto), Lisboa / MP-00024

Pasta com documentação referente à viagem realizada às cidades brasileiras de Belo Horizonte, São Salvador da Bahia e Rio de Janeiro entre os dias 9 a 16 de setembro de 2003 para organizar a exposição. 2003 – 2003

Arquivos Gulbenkian (Serviço Internacional), Lisboa / INT 04493

Pasta com documentação referente à produção da exposição em Jacarta. Contém correspondência de caráter organizativo entre as duas entidades, recortes de imprensa, lista de obras com preços de seguros, bibliografia, entre outros. 2001 – 2002

Arquivos Gulbenkian (Serviço Internacional), Lisboa / INT 04322

Pasta com documentação referente à visita do presidente da FCG, Emílio Rui Vilar, à exposição no Rio de Janeiro. 2001 – 2002

Arquivos Gulbenkian (Serviço Internacional), Lisboa / INT 04314

Pasta com documentação referente à produção da exposição em Jacarta. Contém correspondência, informação sobre pagamentos e recortes de imprensa. 2002 – 2011

Arquivos Gulbenkian (Maria Helena Mendes Pinto), Lisboa / MP-00026

Pasta com documentação referente à produção da exposição na Bahia. Contém correspondência, material de divulgação, recortes de imprensa, entre outros. 2004 – 2005

Arquivos Gulbenkian (Maria Helena Mendes Pinto), Lisboa / MHMP-00020

Pasta com documentação referente à produção da exposição em Jacarta. Contém apontamentos, relatórios de visitas feitas pela equipa da FCG, material fotográfico, recortes de imprensa, entre outros. 2000 – 2004

Arquivos Gulbenkian (Maria Helena Mendes Pinto), Lisboa / MP-00020

Pasta com documentação referente à viagem realizada a Banguecoque pela equipa da Fundação Calouste Gulbenkian para estudar a possibilidade de apresentar a exposição. 2001 – 2001

Arquivos Gulbenkian (Serviço Internacional), Lisboa / INT 04494

Pasta com documentação referente à produção da exposição em Jacarta. Contém correspondência interna e externa, listagens de obras e recortes de imprensa. 2001 – 2007

Arquivos Gulbenkian (Serviço Internacional), Lisboa / INT 04492

Pasta com documentação referente à produção da exposição em Jacarta. Contém correspondência interna e externa, cartas de empréstimos de obras, relatórios da deslocação a Jacarta e textos para o catálogo. 2000 – 2002


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