Arte de Cister em Portugal e Galiza

CITEAUX 98. 900 Anos da Ordem de Cister

Exposição itinerante organizada em parceria pela Fundação Calouste Gulbenkian e pela Fundación Pedro Barrié de la Maza, que apresentou a história artística da Ordem de Cister e homenageou um importante historiador de arte e antigo diretor do Serviço de Belas-Artes da FCG, Artur Nobre de Gusmão.
Travelling exhibition organised by the Calouste Gulbenkian Foundation in partnership with the Fundación Pedro Barrié de la Maza, presenting the artistic history of the Order of Cistercians and paying homage to notable art historian Artur Nobre de Gusmão, former director of the Foundation’s Fine Art Service.

Exposição coletiva e itinerante, organizada em parceria pela Fundação Calouste Gulbenkian (FCG) e pela Fundación Pedro Barrié de la Maza, inaugurada no dia 20 de novembro de 1998 na Galeria de Exposições Temporárias da Sede da Fundação Calouste Gulbenkian (piso 01).

A mostra realizou-se no âmbito do convénio assinado entre as duas instituições em 1990, que visava o incentivo à investigação e divulgação das relações artísticas entre Portugal e a Galiza, e acordava também a produção alternada de exposições bienais. Este convénio, que contou com a participação do presidente da FCG, José de Azeredo Perdigão, e de outras entidades ligadas à administração das duas fundações, já permitira concretizar a exposição «Imaxes da Arte en Galicia» (1991) e a exposição itinerante «Do Tardo-Gótico ao Maneirismo. Galiza e Portugal» (1995).

De acordo com um apontamento de Jorge Rodrigues para Manuel da Costa Cabral, então diretor do Serviço de Belas-Artes da FCG, havia muito que a exposição «Arte de Cister em Portugal e Galiza» era discutida e desejada. Feita uma primeira reunião, no dia 10 de maio de 1996, em Lisboa – em que esteve presente o diretor do Museu de Pontevedra –, seguiram-se outros encontros entre as duas instituições, decisivos para a definição do tema, dos «formatos e organização das imagens», bem como das cores a empregar, de modo a obter uma «menor "carga" expositiva» (Apontamento de Jorge Rodrigues a Manuel Costa Cabral, 28 mai. 1996, Arquivos Gulbenkian, SBA 15531).

Comissariada por Jorge Rodrigues e por José Carlos Valle Pérez, diretor do Museo de Pontevedra, a exposição serviu ainda o propósito de homenagear a figura de Artur Nobre de Gusmão, «um dos mais notáveis historiadores de arte peninsulares do nosso século, verdadeiro mestre de diversas gerações de pesquisadores e grande precursor dos estudos artísticos sobre Cister em Portugal. Foi também, enquanto antigo diretor do SBA, o principiador da importante relação entre as duas fundações, que procurou, acima de tudo, “evidenciar as afinidades artísticas entre Portugal e Galiza”» (Arte de Cister em Portugal e Galiza, 1998, p. VIII).

«Arte de Cister em Portugal e Galiza» apresentou ao público um conjunto de 200 objetos, entre eles fotografias, mapas e outros documentos gráficos, que testemunharam a evolução da arte cisterciense desde a fundação medieval ao século XVIII. A título complementar, foram ainda apresentadas cerca de 40 peças escolhidas pelos especialistas convidados, oriundas de mosteiros, igrejas, museus e arquivos de Portugal e da Galiza. Estes especialistas também contribuíram para a «definição dos conteúdos da exposição e catálogo, escolhendo os temas e objectos artísticos a tratar, definindo as peças a reunir e elaborando os textos que [acompanharam] a mostra e o seu catálogo» (Comunicado de imprensa, 1998, Arquivos Gulbenkian, SBA 10992).

A seleção das obras apresentadas na exposição refletia a influência artística da Ordem de Cister, fortemente implantada em Portugal e na região da Galiza. Entre as peças apresentadas (capitéis, aduelas, lápides, imagens, retábulos, pavimentos), destacavam-se, segundo divulgou o jornal Público, «relicários em prata-dourada, cálices e custódias, e ainda o impressionante trabalho de iluminura e manuscritos» (Siza, Público, 19 fev. 1999). Entre os dez especialistas que colaboraram na organização da mostra (cinco portugueses e cinco galegos), avultavam os nomes de José Carlos Valle Pérez, diretor do Museo de Pontevedra e especialista em arquitetura do período medieval, Juan Monterroso Montero, investigador de artes decorativas da Idade Moderna, ou Manuel Luís Real, especialista em arquitetura e escultura medievais.

Reformada no início do século XII por Bernardo de Claraval, a Ordem de Cister guiava-se por uma prática religiosa assente na oração e no ascetismo. Os documentos apresentados na mostra demonstravam a preferência desta ordem pelos «lugares isolados, propícios à meditação, o que levou os monges a integrarem frequentemente antigas comunidades eremitas que acabaram por se converter à Ordem» (Marques, Expresso, 24 dez. 1998, p. 13).

Espanha e Portugal viveram a implantação da Ordem de Cister de modos diferentes, tendo em conta, desde logo, a diferença de trezentos anos que separara a entrada da ordem nos dois países da Península Ibérica. No caso da Galiza, a ordem dos «monges brancos» chegou em 1142, com a fundação do Mosteiro de Santa Maria do Sobrado. No caso português, apesar de existirem divergências entre os historiadores, chegou-se ao consenso de que a sua implantação coincidiria com a fundação do Mosteiro de São João de Tarouca, ao qual, como recorda o jornal Expresso, «pertence o primeiro documento português (1144) que faz menção explícita à Ordem de Cister» (Ibid.).

A norma figurativa que era comum na «arte de Cister» residia na sujeição à austeridade própria da Alta Idade Média, com os seus «capitéis sempre lisos ou com temas vegetalistas», onde não era comum encontrar representações figurativas, salvo raras exceções, representando «imaginária animal» (Ibid.). A simplicidade era também reconhecida em algumas peças de ourivesaria, bem como em alguns dos «cálices expostos […] sem grande investimento decorativo» (Ibid.). As peças em exposição, datadas deste período histórico, contrastavam com as de um outro núcleo expositivo, referentes à segunda metade do século XIV, em que começava a notar-se «o anúncio tímido do triunfo da devoção mariana» e a revalorização dos interiores e exteriores dos mosteiros, com uma maior ornamentação das fachadas e com a proliferação da pintura sobre madeira, da estatuária e escultura tumular (Ibid.).

No seu circuito de itinerâncias, a exposição «Arte de Cister em Portugal e Galiza», depois da sua apresentação na Galeria de Exposições Temporárias da Fundação Calouste Gulbenkian (de novembro de 1998 a janeiro de 1999), percorreu vários locais durante o ano de 1999: a Câmara Municipal de Matosinhos (fevereiro-março), a Fundación Pedro Barrié de la Maza (abril-maio), o Museo de Pontevedra (junho-julho), a Casa da Cultura de Melgaço (outubro) e, finalmente, o Museo do Pobo Galego, em Santiago de Compostela (final do ano).

A exposição foi complementada por um ciclo de conferências apresentado no Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), em Lisboa, entre 18 e 20 de novembro de 1998, contando com as participações de especialistas convidados, portugueses e galegos, que apresentaram estudos recentes sobre as especificidades históricas, artísticas e simbólicas da arte cisterciense. Posteriormente, entre 14 e 16 de abril de 1999, o ciclo foi repetido na Fundación Pedro Barrié de la Maza.

O catálogo publicado teve a edição conjunta das duas fundações organizadoras, incluindo a reprodução fotográfica integral das obras da exposição, da responsabilidade de Mariano Piçarra, Magno Moraes Mello e Xurxo S. Lobato; textos institucionais de apresentação, da autoria da presidente da fundação galega, Carmela Arias Díaz de Rábago, e do administrador da FCG, Pedro Tamen; uma breve homenagem a Artur Nobre de Gusmão, da autoria de Jorge Rodrigues e José Carlos Valle Pérez; e ainda as comunicações do ciclo de conferências.

O material fotográfico disponibilizado pelo Arquivo Fotográfico do Museu Calouste Gulbenkian (MCG) apresenta os aspetos referentes à exposição na Câmara Municipal de Matosinhos.

Joana Atalaia, 2019


Ficha Técnica


Eventos Paralelos

Ciclo de conferências

Arte de Cister em Portugal e Galiza. Conferências

18 nov 1998 – 20 nov 1998
Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA)
Lisboa, Portugal
Ciclo de conferências

Arte del Císter en Galicia y Portugal. Ciclo de Conferencias

14 abr 1999 – 16 abr 1999
Fundación Pedro Barrié de la Maza
Corunha, Espanha

Publicações


Material Gráfico


Fotografias


Documentação


Imprensa


Fontes Arquivísticas

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Belas-Artes), Lisboa / SBA 25466

Pasta com documentação referente à produção da exposição. Contém material de divulgação. 1998

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Belas-Artes), Lisboa / SBA 25169

Pasta com documentação referente à produção da exposição. Contém material de divulgação. 1999

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Belas-Artes), Lisboa / SBA 10992

Pasta com documentação referente à produção da exposição. Contém verba destinada à realização da exposição, correspondência interna e externa, documentação sobre as conferências, recortes de imprensa, entre outros. 1995 – 2002

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Belas-Artes), Lisboa / SBA 15531

Pasta com documentação referente à produção da exposição. Contém correspondência interna e externa, apontamentos sobre a produção da exposição, recortes de imprensa, plantas, material de divulgação, entre outros. 1996 – 1998

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Belas-Artes), Lisboa / SBA-S004-P0080-D02451

Coleção fotográfica, cor: aspetos (Câmara Municipal de Matosinhos, Porto) 1999


Exposições Relacionadas

Definição de Cookies

Definição de Cookies

A Fundação Calouste Gulbenkian usa cookies para melhorar a sua experiência de navegação, a segurança e o desempenho do website. A Fundação pode também utilizar cookies para partilha de informação em redes sociais e para apresentar mensagens e anúncios publicitários, à medida dos seus interesses, tanto na nossa página como noutras.