Arquiteto de empreendimentos

No início dos anos 1900, Gulbenkian esforça-se para conseguir convencer vários magnatas do petróleo baseados no Cáucaso dos benefícios de entrarem em joint ventures com os bancos Rothschild Frères, Deutsche Bank e Royal Dutch.

Entretanto, o consórcio Royal Dutch-Shell expande-se de forma agressiva, comprando empresas petrolíferas nos Estados Unidos, no México, na Venezuela e na Roménia, bem como no Cáucaso. Foi Gulbenkian que negociou muitos destes contratos. As comissões de 1 ou 2% que lhe eram asseguradas como pagamento mostraram-se muito lucrativas à medida que o petróleo deixava de ser simplesmente uma fonte de querosene (usado para iluminação) para passar a ser uma fonte de gasolina, gasóleo, ceras, lubrificantes e químicos como o tolueno (usado para fazer T.N.T.).

Embora a sua relação com a anglo-holandesa Royal Dutch-Shell fosse extraordinariamente próxima nos anos 1910 e 1920, Gulbenkian zelava pela sua independência e privacidade. Como verdadeiro internacionalista, tinha a capacidade de olhar para as questões económicas e diplomáticas de várias perspetivas em simultâneo – e de se apresentar como um corretor honesto, sem preconceitos e sem ligações a nenhum império, estado-nação ou empresa.

Munido de uma vasta cultura oriental e ocidental, Calouste Gulbenkian converteu o seu estatuto de imigrante – que para muitos seria uma desvantagem – numa vantagem, aproximando o Oriente e o Ocidente. Gulbenkian considerava-se um ”arquiteto de empreendimentos” com visão e sentido de equilíbrio dos interesses em jogo, e um designer de estruturas, mais do que um negociante de petróleo.

Nascido súbdito arménio do sultão otomano, Gulbenkian adquiriu a nacionalidade britânica em 1902 e conservou-a até ao final da sua vida. Contudo, isto não o impediu de prestar serviços diplomáticos tanto ao Império Otomano como ao Império Persa. Em 1909 e 1910, foi nomeado conselheiro financeiro da legação otomana em Paris e em Londres. Em 1919, foi nomeado para uma posição equivalente como conselheiro da embaixada persa (depois iraniana) em Londres. Depois de três décadas em Londres, a partir de 1918 Gulbenkian passaria a maior parte do seu tempo em Paris.