Investigadora do IGC eleita membro da EMBO

Karina Xavier, investigadora principal do Laboratório de Sinalização Bacteriana eleita membro da principal organização Europeia em Ciências da Vida.
Karina Xavier © IGC 2021

A Karina Xavier, bioquímica reconhecida pelo estudo em quórum sensing na microbiota e investigadora principal do grupo de Sinalização Bacteriana, do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC) , junta-se Inês Cardoso Pereira, bioquímica reconhecida pela sua investigação em microrganismos anaeróbios e biocatálise, é investigadora e Vice-diretora do Instituto de Tecnologia Química e Biológica António Xavier da Universidade NOVA de Lisboa (ITQB NOVA). As duas investigadoras são as únicas cientistas em Portugal a integrar a lista de novos membros da EMBO – Organização Europeia de Biologia Molecular.

“A eleição para membro da EMBO reconhece feitos excecionais na área das ciências da vida”, diz a Diretora da EMBO, Maria Leptin. “Os novos membros irão dar o seu conhecimento e orientação para ajudar a EMBO a tornar-se mais forte nas suas iniciativas. Hoje, a organização conta com mais de 1800 investigadores de renome, incluindo quase uma centena de laureados com o prémio NOBEL. Portugal conta com duas dezenas de investigadores na organização, atingindo agora o número de 24.

Os investigadores são eleitos por pares, em reconhecimento do trabalho que têm desenvolvido em áreas como a biologia celular, imunologia e medicina molecular, entre outros. Em 2021, foram eleitos 64 investigadores – 55 europeus e 9 de países terceiros. Para além dos investigadores agora eleitos, o ITQB NOVA tem três investigadores e o IGC soma mais oito. As duas investigadoras portuguesas eleitas este ano estão sediadas em Oeiras, um município que tem desenvolvido uma Estratégia de Ciência e Tecnologia que se pauta pela parceria com as instituições de investigação sediadas no concelho. Esta eleição reconhece também a importância da investigação fundamental nas ciências da vida e a importância de recrutar e apoiar os melhores investigadores em Portugal.

A EMBO foi criada em 1963, quando reuniu um grupo inicial de 150 investigadores para promover a excelência nas ciências da vida na Europa e fora dela. Os principais objetivos da organização são apoiar investigadores talentosos em todas as fases da sua carreira, estimular o intercâmbio de informação científica e ajudar a construir um ambiente de investigação onde os cientistas possam realizar o seu melhor trabalho.

Doutorada em bioquímica, pelo Instituto de Tecnologia Química e Biológica António Xavier da Universidade NOVA de Lisboa, Karina Xavier começou por estudar a Archaea, um organismo unicelular semelhante às bactérias. Em 2000 integrou o laboratório liderado por Bonnie Bassler, microbiologista da Universidade de Princeton, dedicada ao estudo da sinalização bacteriana. Foi aí que começou a estudar a forma como as bactérias comunicam. Ao investigar a função de uma molécula específica, a AI-2, na bactéria Escherichia coli., misturou-a com outra bactéria (Vibrio cholerae). Descobriu que a molécula AI-2 tinha a capacidade de regular a expressão de genes em ambas as bactérias. Pela primeira vez mostrou que esta poderia ser uma forma de comunicação entre bactérias de espécies diferentes. Uma revelação que ditou a sua procura a partir daí. Em 2006 integrou o Instituto Gulbenkian de Ciência para iniciar o seu próprio grupo de investigação, dedicado à Sinalização Bacteriana, e alargar a área de estudo para compreender como funciona este mecanismo na microbiota. A microbiota desempenha um papel crucial na saúde humana e ainda há muitos mecanismos que estão por explicar. O grupo liderado por Karina está agora focado em compreender os fatores que influenciam a comunicação das bactérias no contexto da microbiota dos intestinos e a perceber como ajudar a microbiota a recuperar de perturbações provocadas por antibióticos ou dietas desequilibradas. Filha de dois cientistas, Karina sempre foi muito curiosa e as perguntas uma constante no seu diálogo. Características que acredita estarem na base da sua decisão de carreira e críticas para desenvolver a investigação de cariz fundamental a que se dedica.

Para Karina Xavier “é uma enorme honra ser nomeada para fazer parte desta organização que incluí tantos cientistas de referência em áreas tão relevantes da Biologia como a Biologia Molecular, Genética, Ecologia e Evolução. Representa também uma grande oportunidade, pois vai permitir aumentar a rede de colaboração com cientistas de todo o mundo.”

 

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