IGC recebe o primeiro EU-LIFE Visiting Postdoctoral Seminar

Iniciativa pretende criar oportunidades para postdocs visitarem outros institutos parceiros da EU-LIFE
Luís Ribeiro

O primeiro seminário no contexto dos EU-LIFE Visiting Postdoctoral Seminars aconteceu no passado dia 13 de Julho. Esta iniciativa pretende criar oportunidades para postdocs visitarem outros institutos parceiros da EU-LIFE e falarem sobre o seu trabalho e caminhos futuros da sua investigação. Os participantes têm também a oportunidade de fazer networking a um nível internacional e impulsionar o seu perfil profissional. A EU-LIFE é uma aliança, que o IGC integra, que junta quinze centros de investigação de topo em ciências da vida. Em conjunto abordam problemas complexos associados à investigação científica e a sua gestão, contribuindo para fazer avançar a ciência europeia.

Luís Ribeiro da Universidade Católica de Leuven, na Bélgica, visitou o IGC e ficámos a conhece-lo melhor.

Em que se foca a sua investigação?

Luís Ribeiro (LR) – Mudei-me para a Bélgica há sete anos para estudar os mecanismos que os neurónios usam para controlar a abundância de recetores sinápticos. Descobrimos que há um recetor que é responsável por garantir que outros recetores se localizam no local certo na sinapse. Se este processo é comprometido, a transmissão entre as células que compõem o cérebro não funciona. Para entender com detalhe como isto acontece estudamos o cérebro do ratinho, obtendo células do hipocampo e do córtex e colocando-as numa placa de Petri em cultura.

Qual o impacto desta oportunidade na sua carreira?

LR – Candidatei-me aos EULIFE Visiting Postdoctoral Seminars em 2019. Isto quando ainda estava a tentar encontrar uma posição independente em Portugal. Passei a minha carreira em lugares longe de Lisboa e não conheço bem a ciência que se desenvolve na área, incluindo no IGC. E acho que esta era uma boa oportunidade para perceber melhor a ciência que se faz em Portugal e conhecer grupos que já estão bem estabelecidos no IGC. Isto pode eventualmente impulsionar a minha carreira independente.

Quais as expectativas desta visita?

LR – Eu queria visitar o instituto e perceber melhor a ciência que se faz. Conhecer as pessoas que trabalham no IGC e o local em si, para ter uma ideia melhor de como funciona. Vou começar em breve a minha posição independente na Universidade de Coimbra e acho que ter uma ideia mais detalhada da ciência que se faz me pode ajudar muito a criar novas colaborações. Até agora a minha primeira impressão é muito boa. O local é muito bonito e toda a gente muito acessível. Estou a gostar bastante.

Quais os principais desafios profissionais que enfrenta?

LR – Depois de um postdoc muito longo é difícil de fazer a transição para uma carreira independente. Acho que isto é algo que todos os postdocs experienciam em algum ponto na sua carreira. Para mim, felizmente, funcionou. Ainda estou sobrecarregado com o que falta completar dos meus estudos pós-doutorais e pensar como começar uma posição independente deixa-me um pouco agitado. Acho que, nesta situação, interagir e conhecer investigadores com mais experiência vai ser muito útil.

Porquê voltar para Portugal?

LR – Decidi voltar principalmente por razões pessoais. Embora pessoal, acho que pode ser inspirador para muitas pessoas. Há algum tempo atrás, fiquei muito doente. Depois disso decidi que só devo fazer coisas que me deixam feliz. Porque tenho uma grande paixão pela ciência e é mesmo o que gosto de fazer, decidi tentar voltar para Portugal, fazer o que gosto no sítio que gosto e perto das pessoas que gosto.