15 Maio 2020

Como é que as plantas se esquecem?

Investigadores desvendam mecanismos na memória genética das plantas que define funções determinantes

Um grupo de investigadores internacional descobriu a resposta para a pergunta: como é que as plantas se esquecem?

O estudo agora publicado na revista Nature Cell Biology revela mais informação sobre a capacidade das plantas, identificada como “memória epigenética”, permite registar informação importante para, por exemplo, recordar o frio prolongado no Inverno de forma a assegurar que florescem na altura certa na Primavera. Assim que produzem sementes, esta informação é “apagada” da memória para não florirem demasiado cedo no inverno seguinte.

Jörg Becker, investigador principal do Instituto Gulbenkian de Ciência, envolvido na equipa internacional liderada pelo investigador Frédéric Berger, do Gregor Mendel Institute da Austrian Academy of Sciences, refere que neste trabalho analisaram as histonas do pólen, pois a hipótese que colocaram foi de que o processo de esquecimento poderia ocorrer no esperma incorporado.

Segundo Jörg Becker, “o estudo levou-nos a identificar um fenómeno, a chamada “reconfiguração epigenética”, semelhante a apagar e reformatar dados num disco rígido”.

Apesar de o fazerem de maneira diferente dos seres humanos, as plantas também têm memórias. A “memória epigenética” ocorre quando se modificam proteínas especializadas, as histonas, que têm um papel importante na indexação e definição do ADN da célula. Uma dessas histonas modificadas, a H3K27me3, tende a marcar genes que estão desativados. No caso da floração, em condições de frio, a H3K27me3, acumula-se nos genes que controlam a floração.

Os investigadores, verificaram que a H3K27me3 desaparece completamente no esperma e “isso garante que a “memória” seja apagada de centenas de genes, não só dos que impedem a floração, mas também dos que controlam um vasto leque de funções importantes nas sementes” reforça Jörg.

 

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