• 1921
  • Madeira
  • Óleo e Madeira
  • Inv. 83P985

António Carneiro

Praia da Figueira da Foz

As estadias frequentes de António Carneiro, juntamente com a sua família, em casas de amigos localizadas junto a zonas balneares (Melgaço, Leça da Palmeira, Figueira da Foz) serviram de ponto de partida para a criação de inúmeras marinhas, nas quais o artista põe em prática diferentes pesquisas, desde a vontade de captação lumínica cara ao Impressionismo até à auscultação, despovoamento e introspecção do universo simbolista.

 

Neste pequeno óleo, datado de 1921, e intitulado Figueira da Foz, Carneiro aproxima-se da estética e preocupações impressionistas com uma pintura certamente realizada sur le motif, cujo suporte em madeira e as dimensões reduzidas aproximam do registo da pochade. Fazendo uso de uma pincelada solta, que reitera o carácter matérico da pintura, Figueira da Foz evoca texturas e nuances de iluminação, ao mesmo tempo que procura a captação do instante, do imediato, numa eterna fixação do momento, como se de uma fotografia se tratasse. As crianças que brincam nos baloiços, os chapéus-de-sol que vergam com a força do vento, as ondas que se preparam para morrer na areia são eternizadas, porém, não no seu aspecto descritivo (normalmente associado ao medium fotográfico), mas como impressão, isto é, segundo o efeito óptico que causam no artista. Esta é, por isso, uma obra em que o artista se liberta das convenções académicas para fazer uso pleno da liberdade e imediatismo que caracterizam muitos dos seus óleos e aguarelas criadas em ambiente familiar.

 

Se em outras paisagens de António Carneiro o despovoamento e a escala sobre-humana, conferida pela vastidão do mar e presença de escarpas, dominam, remetendo para uma dimensão espiritual e busca de sentido onde mais do que a presença impera a ausência, Figueira da Foz apresenta um cenário povoado de figuras que com ele interagem, aproximando também esta paisagem de uma crónica de costumes ao evocar a ideia de joie de vivre tão frequentemente imortalizada ao longo da, na altura já extinta, belle époque.

 

 

Daniela Simões

Março 2015

TipoValorUnidadesParte
Largura23,5cm
Altura15,7cm
Tipo data
Texto1921
Posiçãoc.i.e.
Tipo assinatura
TextoAntónio Carneiro
Posiçãoc.i.d.
Tipo outras
TextoFigueira da Foz
Posiçãoc.i.e.
TipoAquisição
DataJulho de 1983
TipoCarimbo
TextoCol. Jorge de Brito
Posiçãono verso
António Carneiro (1872-1930) - algumas pinturas e desenhos
CAMJAP/FCG
Curadoria: Alice Costa Guerra
21 de Junho de 2005 a 8 de Janeiro de 2006
Galeria do Piso 01 do museu do CAM
Exposição de pinturas e desenhos.
Inauguração do CAM
CAM/FCG
Curadoria: A definir
20 de Julho de 1983
Lisboa, Centro de Arte Moderna/ FCG
20 de Julho 1983.
Atualização em 23 janeiro 2015

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