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Ana Vidigal — Menina Limpa, Menina Suja

2010

23 Julho a 26 Setembro 2010
CAM – Nave e Piso 1
Curadoria: Isabel Carlos

Menina Limpa, Menina Suja é o título de uma série de obras de Ana Vidigal de 2000 e impõe-se como título desta exposição, já que constitui uma síntese perfeita dos seus trinta anos de trabalho que esta mostra antológica pretende revisitar. Menina Limpa, Menina Suja ou, como escreve numa das obras da série, «ao lado de uma menina limpa há sempre uma menina suja», Vidigal construiu um universo único e autoral a partir de múltiplas autorias, tanto plásticas como literárias. Os textos que surgem nas suas telas têm, tal como os signos visuais, múltiplas origens e diversas hierarquias.

A obra de Ana Vidigal (Lisboa, 1960) foi sempre conotada sobretudo com a pintura, mas esta exposição pretende que o seu trabalho não fique reduzido a essa técnica; a própria artista chamou de «trabalho paralelo» a essa outra dimensão mais espacial e, no limite, mais experimental. Funcionando como chave para toda a obra da artista, no início da exposição apresenta-se um vídeo de 2000, intitulado Domingo à Tarde, revelando a prática, a metodologia e o processo de Vidigal.

Esta antológica procura mostrar as várias dimensões da obra de Vidigal porque elas são contínuas e paralelas e porque seguramente sem o «trabalho paralelo» a pintura seria outra; entre os materiais «sujos» da pintura e a «limpeza» dos materiais de escritório e de retrosaria existe um trânsito e um fluxo de quem deseja inverter pirâmides valorativas e trazer para primeiro plano o que habitualmente está em último.

Sem nunca ser ostensiva ou propagandística mas sempre lúdica, por vezes marota, a obra de Vidigal é atravessada pela crítica social e de costumes à sociedade portuguesa: uma espécie de retrato iconográfico dos últimos trinta anos de uma jovem democracia ainda atravessada por muitos anacronismos, moralismos e assimetrias. Não o faz através de dispositivos como o documentário, a entrevista, o depoimento ou os documentos históricos, mas antes por um vocabulário artístico constituído a partir das imagens com que crescemos, dos livros infantis à banda desenhada – os primeiros veículos de concepções do mundo e da sociedade que nos enformam e formam.

Estamos perante alguém que «arruma» a história por cores e imagens, e não por datas e factos, que entrelaça a chamada alta e baixa cultura, o suave com o duro, o imediato com o complexo, o plano pessoal com o social e político, a Menina Limpa com a Menina Suja.

«Uma das minhas memórias de infância são os livros da Anita, eu adorava a Anita, era absolutamente fascinada, não propriamente pelo que a Anita fazia, mas pelos desenhos. E depois, lembro-me que uma das minhas grandes discussões com a minha mãe, que era extremamente arrumada, era como organizar a minha estante onde tinha a colecção toda da Anita. A minha mãe punha 1, 2, 3, 4, 5… e eu punha encarnados, amarelos, azuis, por cores.»

(Ana Vidigal, 2009)

«”Menina Limpa, Menina Suja”, o título da exposição, é uma antologia feita com rigor e consistência do trabalho de Ana Vidigal em que a inovação técnica toma maior relevo.»

Luísa Soares de Oliveira in Público / Ípsilon

«São 120 obras para contar 30 anos de carreira. A exposição antológica ‘Ana Vidigal. Menina limpa, menina suja’, (…) é uma oportunidade única para ficar a conhecer as várias facetas da obra desta artista – a pintura abstracta, as colagens, os objectos, as instalações. Um trabalho que, sem facilitismo mas com muita perspicácia e ironia, olha para a condição da mulher, para a família, para as memórias, para o Portugal que fomos e que somos.»

Maria João Caetano in Diário de Notícias

«Ana Vidigal explica que esta exposição “é como estar a olhar para um livro e a folheá-lo para trás”. A visita começa nos anos 80, com algumas peças da primeira exposição que fez. Organizada de forma cronológica, as obras vão-se multiplicando pelas paredes e pelo chão, terminando à entrada da sala, com três quadros, um deles de 2010.»

Diana Garrido in i

+ Leia a entrevista de Ana Vidigal a Anabela Mota Ribeiro em Público Online

Actividades:

Encontros ao Fim da Tarde

por Isabel Carlos e Ana Vidigal

Domingos com Arte

por Carolina Silva

Uma obra de arte à hora do almoço

por Carolina Silva

Atualização em 02 março 2016

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