Per formare

Almada Negreiros foi visto como um artista performer (do latim per formare, dar forma) por gerações posteriores, que nele encontraram um antecedente da forma artística efémera que a partir dos anos 1960 foi praticada pelas chamadas neovanguardas e que pressupunha que o processo artístico fosse ele próprio a ação que enunciava, sem obra final: a performance.

Desde os bailados que Almada coreografou, desenhou e dançou entre 1916 e 1918, aos manifestos artísticos que escreveu e disse publicamente, ou às provocações que fazia sozinho ou com o seu amigo Guilherme de Santa Rita, saltando por cima de mesas de café, interpelando os transeuntes ou criando momentos insólitos planeados ou espontâneos, há uma atitude teatral, escandalizadora e desconcertante, também presente nas conferências que se tornaram uma das suas expressões artísticas.

Para Almada, o artista moderno estava implicado na arte com o corpo, a voz, a vida. Essa vivência artística foi comum às vanguardas do início do século XX, e partilhou-a ainda com poetas e artistas que admirou ou com quem conviveu e colaborou (como Ramón Gómez de la Serna ou Federico García Lorca), mantendo sempre particular interesse na dança, no teatro e no cinema.