Conservação e acondicionamento customizado

Enquanto o edifício se encontra encerrado para obras de remodelação, vamos desvendar alguns segredos dos bastidores do CAM.
Foto: Elizabeth Martins

O princípio basilar da conservação de uma coleção de arte, esteja em reserva ou em exposição, é a sua manutenção em ambiente estável e seguro.

As reservas do Centro de Arte Moderna possuem condições específicas para a salvaguarda das obras, sendo a principal a segurança física do espaço e a sua acessibilidade limitada a pessoal autorizado. O controlo ambiental é monitorizado diariamente e mantido em intervalos admissíveis de temperatura e humidade relativa.

Após cada exposição, as obras são cuidadosamente limpas de poeiras superficiais e acondicionadas de forma a minimizar deteriorações provocadas por fatores extrínsecos, como pó, sujidade e humidade. Para evitar estes três agentes, a maioria das peças (pinturas e esculturas) são envolvidas em películas PET (polietileno tereftalato), um poliéster estável que protege a peça e permite também observá-la por ser um material transparente.

 

Reservas de escultura. Obras acondicionadas e identificadas. Foto: Elizabeth Martins

 

No caso de esculturas e de instalações com formatos complexos ou protuberantes, são elaboradas soluções mais personalizadas. Cada obra é acondicionada de forma a ser protegida contra eventuais impactos físicos e devidamente identificada. A equipa de museografia, juntamente com conservadores, preparam proteções para arestas e zonas mais frágeis, caixas à medida com travamentos no interior e bases com rodas.

A escultura UW84DC#14, de Richard Deacon, apresenta uma forma voluptuosa e complexa, comparável a uma apara de lápis. Trata-se de uma peça de grandes dimensões, em madeira contorcida e alumínio. Para evitar o seu manuseamento ao máximo construiu-se uma plataforma sobra rodas e protegeram-se todas as zonas de contato da peça com a base.

 

Richard Deacon, « UW84DC#14», 2001. Inv. EE65
Preparação da escultura para acondicionamento em reserva. Foto: Elizabeth Martins

 

A obra em ferro Burning in A Forbidden Sea, de Rui Chafes,  tem naturalmente um peso considerável e uma forma extremamente difícil de manusear. Neste caso, optámos por assentar a peça num pufe, sobre um plinto. Assim é possível movê-la facilmente das reservas para a galeria, posicioná-la no local e içá-la com cabos de aço, sem necessidade de a manusear diretamente.

 

Rui Chafes, «Burning in A Forbidden Sea», 2011. Inv. 14E1758
Preparação da escultura para acondicionamento em reserva. Foto: Elizabeth Martins

 

Outra obra volumosa e de grande peso é a construção em ferro de Alfredo Queiroz Ribeiro O sr. e eu éramos grandes amigos, com seis pontos de contacto com o chão e uma forma bandeirante com várias arestas proeminentes. Deparámo-nos novamente com a complexidade do seu manuseamento,  o que levou a estudar uma estrutura que facilitasse a sua deslocação e, ao mesmo tempo, que a protegesse de impactos. A equipa de museografia desenvolveu uma estrutura que, para além de a sustentar, ocupa menos espaço físico.

 

Alfredo Queiroz RIbeiro, «O Sr. e eu éramos grandes amigos», 1971. Inv. 74E849
Obra sobre uma base elaborada pela equipa de museografia do CAM. Foto: Elizabeth Martins

 

O acondicionamento customizado é um processo criativo e evolutivo adaptado a cada obra. Ponderam-se as melhores soluções para minimizar ao máximo o manuseamento direto, facilitar o acesso e evitar a necessidade de força humana na deslocação das peças.

 

Elizabeth Martins
Conservadora-restauradora

Atualização em 16 dezembro 2021

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