Nova base para «Close II»

Enquanto o edifício se encontra encerrado para obras de remodelação, vamos desvendar alguns segredos dos bastidores do CAM. Como deslocar e conservar mais de 11 000 obras, como organizar campanhas de restauro e fotografia ou como preparar a reabertura de um museu são algumas das questões que iremos explorar nos próximos meses.
Movimentação da escultura «Close II», de Antony Gormley. Foto: Elizabeth Martins

O manuseamento e o acondicionamento adequado das obras de arte são duas das principais – e permanentes – preocupações de um museu com uma coleção à sua guarda. Há uma procura e uma adaptação constante dos materiais de conservação, um trabalho progressivo e essencial para a sustentabilidade da coleção. Pensar no futuro em cada decisão que se toma pode permitir evitar custos ou perdas mais adiante.

Os materiais de acondicionamento utilizados deverão ser sempre estáveis, duradouros, não suscetíveis a ataque biológico, acid free ou de pH neutro, em suma, inócuos para a peça – e, claro, o uso de luvas durante o manuseamento é imprescindível. O acondicionamento é pensado para a preservação da peça e de acordo com o material específico de cada obra, devendo-se antever todas as adversidades que comprometam a conservação da mesma. Todo este processo não exclui a necessidade de monitorização regular e a conservação preventiva da coleção.

 

Antony Gormley, «Close II», 1993. Inv. 95EE46

 

Durante a movimentação das esculturas no CAM, deparámo-nos com a necessidade de substituir alguns materiais de acondicionamento e bases com rodas que apresentavam sinais de deterioração. No caso da escultura Close II de Antony Gormley, a base de madeira onde assentava apresentava um empeno ao centro e as rodas deformadas. A escultura, com cerca de 2 x 1,75 m, composta por gesso, fibra de vidro e várias placas de chumbo soldadas entre si, necessitava de uma nova base adaptada ao seu formato e que facilitasse o seu manuseamento.

 

Nova base para a escultura «Close II», de Antony Gormley. Foto: Elizabeth Martins

 

A equipa de museografia «pôs mãos à obra», pensou e executou uma base em MDF de alta densidade, com propriedades hidrófugas, reduzida abrasividade e resistência mecânica. A face superior foi revestida a espuma de polietileno, outro material muito utilizado em conservação.

O resultado é uma base robusta com rodas novas e design inovador. A sua forma ergonómica permite alcançar o tronco da escultura em todos os lados, facilitando assim o seu transporte, manuseamento e acondicionamento em reserva.

 

Elizabeth Martins
Conservadora-restauradora

 


A obra de Antony Gormley

A figura humana é uma presença regular na obra de Antony Gormley (1950); mesmo as suas esculturas não figurativas são condicionadas pelo corpo humano, pela sua ausência ou pela presença do corpo do espectador. As figuras criadas pelo artista evocam temas como a memória, a História, a religião, mas também o mundano e o quotidiano.

Os corpos de Gormley não têm características pessoais, distintas e individualizadas – não têm raça, género ou mesmo feições –, embora, desde 1981, sejam moldados a partir do próprio corpo do artista. É o caso de Close II, na qual vemos uma figura humana deitada, virada para o chão, com os membros superiores e inferiores abertos, formando um «X».

 

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