Ciclo Conversas na Biblioteca

Curadoria  I  Sofia Nunes

Ângela Ferreira comenta
Nem faktura nem factography
a partir do texto  “From faktura to factography” de Benjamin Buchloh

dia 5 de junho   |  terça-feira    |    17h30-18h30   |   átrio    |  entrada livre

 

Sinopse

A apresentação terá como ponto de partida uma abordagem pessoal às questões propostas por Benjamin Buchloh no seu histórico ensaio “From Faktura to Factography”, publicado em 1984. Se a leitura do autor incide no hipotético abandono do paradigma modernista pelas vanguardas russas, as perguntas que ficam e nos interessa colocar são: para entendermos as vanguardas russas temos que as relacionar com o modelo ocidental do modernismo? Porque razões o ocidente ignorou o construtivismo até aos anos de 1960? Como apreender as vanguardas russas sem faktura nem factography?

 

Biografia

Ângela Ferreira (Maputo, 1958). Concluiu os estudos de Artes Plásticas na África do Sul, obtendo o grau de mestre na Michaelis School of Fine Art, University of Cape Town. Vive e trabalha em Lisboa, leciona na Faculdade de Belas Artes de Lisboa, onde obteve o Doutoramento, em 2016. Como artista visual, o seu trabalho desenvolve-se em torno do impacto do colonialismo e pós-colonialismo na sociedade contemporânea. Estas investigações são guiadas por uma pesquisa profunda e pelo filtrar de ideias que conduzem a formas concisas, depuradas e evocativas. Representou Portugal na 52ª Bienal de Veneza (2007), onde continuou as suas investigações sobre a forma como o modernismo europeu se adaptou, ou não, às realidades do continente africano traçando a história da ‘Maison Tropicale’ de Jean Prouvé. É ainda a arquitetura que serve de ponto de partida para o aprofundamento da sua longa pesquisa em torno do apagamento da memória colonial e a recusa da reparação, que encontra a sua mais complexa materialização na obra A Tendency to Forget (2015) focando o trabalho etnográfico do casal Jorge e Margot Dias. As suas homenagens escultóricas, sonoras e videográficas têm continuamente referenciado a história económica, política e cultural do continente africano ao recuperar a imagem e obra de algumas figuras inesperadas como Peter Blum, Carlos Cardoso, Ingrid Jonker, Jimi Hendrix, Jorge Ben ou Diego Rivera.