Voyage pittoresque de Constantinople et des rives du Bosphore

No início do século XIX surgiram na Europa inúmeras publicações relatando as aventuras de viajantes por terras do Próximo e Médio Oriente. O incremento deste género literário tinha começado em meados de Setecentos, como consequência do gosto pelas viagens que entretanto se tinha tornado uma actividade em voga entre os europeus. Grande parte destes relatos eram agora acompanhados de imagens que permitiam aos autores enriquecer as suas descrições e aos leitores viajar de forma, diríamos hoje virtual, por paisagens mais ou menos exóticas e pitorescas, conhecendo gentes e costumes diferentes e curiosos ao seu olhar ocidental.

No início do século XIX surgiram na Europa inúmeras publicações relatando as aventuras de viajantes por terras do Próximo e Médio Oriente. O incremento deste género literário tinha começado em meados de Setecentos, como consequência do gosto pelas viagens que entretanto se tinha tornado uma actividade em voga entre os europeus. Grande parte destes relatos eram agora acompanhados de imagens que permitiam aos autores enriquecer as suas descrições e aos leitores viajar de forma, diríamos hoje virtual, por paisagens mais ou menos exóticas e pitorescas, conhecendo gentes e costumes diferentes e curiosos ao seu olhar ocidental. Eram as “Voyages pittoresques” que, muitas vezes, resultavam de projectos expedicionais que envolviam escritores, artistas e cientistas e onde a imagem veio a ocupar um papel cada vez mais preponderante e o texto apenas servia como apontamento complementar e informativo das ilustrações. Estas compreendiam mapas geográficos, plantas e vistas de cidades, monumentos, cenas de costumes que, de forma pitoresca, representavam os diferentes aspectos da vida quotidiana e ainda, por vezes, apontamentos da fauna e flora. Quando os viajantes eram artistas, à representação topográfica documental juntava-se a qualidade artística e a riqueza temática das suas composições, dando realce ao exotismo dos lugares visitados, no que pode considerar-se o prenúncio da pintura orientalista de Oitocentos.

A obra Voyage pittoresque de Constantinople et des rives du Bosphore é um belíssimo exemplar da literatura de viagens do início do século XIX. O seu autor, o artista francês Antoine Ignace Melling (1763-1831), chegou a Istambul em 1784 para um périplo pelo Mediterrâneo Oriental e Ásia Menor. O encantamento sentido na antiga capital do Império romano do Oriente e o facto de ter sido nomeado, em 1795, arquitecto do sultão Selim III, acabaram por levá-lo a aí permanecer durante 18 anos. Antoine Melling teve, assim, a oportunidade de observar de perto a corte otomana, desenhando detalhadamente palácios reais, cenas do quotidiano palaciano e diversos aspectos da paisagem do Bósforo e do Corno Dourado. Regressado a Paris, iniciou a publicação da sua “viagem pitoresca” em 1807. Composta por 48 gravuras realizadas a partir dos desenhos de Melling, acompanhadas por um breve texto, a obra seria completada em 1819. O exemplar da Biblioteca de Arte, comprado por Calouste Gulbenkian, tem a particularidade de ter pertencido à biblioteca particular da Duquesa du Berry e reunir as 48 gravuras num só volume.

TÍTULO/RESP. Voyage pittoresque de Constantinople et des rives du Bosphore / [d’après les dessins de M. Melling, architecte de l’Empereur Sélim III et dessinateur de la Sultane Hadidgé sa soeur] ; [rédigé par J. C. D. de Lacretelle et J. D. Barbié du Bocage]
PUBLICAÇÃO [Paris [etc.] : Treuttel et Würtz : Pierre Didot l’ainé, 1809-1819]
DESCR. FÍSICA 10, [120] p., [96] f. il. : il., estampas ; fol. (64 cm)
PROVENIÊNCIA Colecção Calouste Gulbenkian – Documentação
COTA(S) E-VG 4

Atualização em 21 Abril 2016