Satisfaction

Allan Kaprow (1927-2006) foi um dos protagonistas da cena artística norte-americana da segunda metade do século 20. A recente exposição retrospectiva que lhe foi dedicada – Allan Kaprow – Art as Life (2008) – que teve por base de estudo e investigação o seu espólio, guardado no Getty Research Institute (Los Angeles), veio permitir um maior e mais profundo conhecimento sobre o conjunto da sua prática artística…

Allan Kaprow (1927-2006) foi um dos protagonistas da cena artística norte-americana da segunda metade do século 20. A recente exposição retrospectiva que lhe foi dedicada – Allan Kaprow – Art as Life (2008) – que teve por base de estudo e investigação o seu espólio, guardado no Getty Research Institute (Los Angeles), veio permitir um maior e mais profundo conhecimento sobre o conjunto da sua prática artística, que vai muito além do ‘Happenning’ de que foi o inventor. Com formação académica em arte e filosofia, os primeiros trabalhos que Kaprow realizou, entre o final da década de 1940 e o final da década seguinte, foram de pintura e desenho; mas o seu interesse por aspectos mais conceptuais e filosóficos da arte levaram-no a realizar a ‘assemblages’ e ‘action-collages’ e finalmente ‘instalações-esculturas’, a que chamou ‘Environments’ e onde utilizou como materiais, objetos do quotidiano. Em 1958, enquanto aluno de John Cage na New School for Social Research (Nova Iorque), Allan Kaprow criou o ‘Happenning’, termo empregue no artigo que escreveu sobre Jackson Pollock – “The legacy of Jackson Pollock” –, publicado na revista Art News em Outubro desse ano. O primeiro ‘Happening’, intitulado “18 Happennigs in 6 parts”, aconteceu em 1959, na Reuben Gallery (Nova Iorque), de que Kaprow foi um dos fundadores e contou com Jasper Johns e Robert Rauschenberg entre os participantes. Em 1961, no artigo “’Happenings’ in the New York Scene” Kaprow definiu ‘Happenning’ no contexto da arte contemporânea: um acontecimento coreografado, que facilita e estimula a interação espontânea entre objetos – mas também pessoas – e os espectadores. No final dos anos 1960, Kaprow passou a preferir utilizar o termo ‘Activity’ para as suas acções, que deixaram progressivamente de ser eventos realizados em espaços públicos, com uma participação mais alargada, para se revestirem de um carácter mais intimista, envolvendo um grupo mais restrito de participantes, que eram muitas vezes amigos seus e alunos. Nos anos seguintes, estes trabalhos/atividades passaram a ser frequentemente acompanhados por ‘Activity-booklets’, pequenas publicações compostas por fotografias e textos que ao fornecerem as indicações necessárias para a sua realização, dispensavam a participação do próprio Kaprow. A partir dos anos 1980 e até ao final da sua vida, os seus trabalhos assumiram um carácter ainda mais introspectivo e privado, reduzindo-se os intervenientes a dois ou a um único indivíduo.
Satisfaction foi uma das ‘Activities’ criadas por Kaprow, cujo ‘Activity-booklet’ que a acompanhou permite reconstituir. Um grupo de quatro casais – dois homens e duas mulheres – representam pequenos guiões, onde a ênfase da ação é dada na atenção (ou falta dela) de que cada um tem necessidade e que espera receber/dar ao outro. Editado pela M.L.D’Arc Gallery, este é um pequeno livro de artista que documenta uma das quatro performances de Satisfaction realizadas em Nova Iorque, em Abril de 1976 “por quatro grupos de quatro, utilizando os seus ambientes quotidianos”, com fotografias a preto e branco e o texto do guião de Kaprow. As últimas páginas contêm um pequeno ensaio do autor, onde ele discute o conjunto de interações emocionais que simples ações de comunicação, como uma conversa telefónica, podem e pretendem provocar nos seus intervenientes.

TÍTULO/RESP. Satisfaction / Allan Kaprow ; fotos Bee Ottinger
PUBLICAÇÃO New York : M.L. D’ARC Gallery, cop. 1976
DESCR. FÍSICA [13] p. : il. ; 28 cm
NOTAS Livro de artista
COTA(S) LA 129

Atualização em 12 Julho 2017