Possibilities 1 : an occasional review

Em 1939, os tambores da guerra soaram novamente e o continente europeu tornou a mergulhar em destruição e sofrimento. Se alguns artistas tinham já começado a partir para o outro lado do Atlântico como consequência da subida ao poder do Partido Nazi na Alemanha, muitos outros o fizeram a partir desse ano. Nova Iorque, sobretudo, foi o destino escolhido para o retomar das suas actividades artísticas.

Em 1939, os tambores da guerra soaram novamente e o continente europeu tornou a mergulhar em destruição e sofrimento. Se alguns artistas tinham já começado a partir para o outro lado do Atlântico como consequência da subida ao poder do Partido Nazi na Alemanha, muitos outros o fizeram a partir desse ano. Nova Iorque, sobretudo, foi o destino escolhido para o retomar das suas actividades artísticas. Desde o início do século 20 que a «grande maçã» mostrava estar atenta aos movimentos das vanguardas europeias e receptiva às suas criações. Exemplo desta atitude foram as exposições de obras de Picasso, Matisse, Brancusi e Picabia, entre outros, realizadas por Alfred Stieglitz na sua galeria da 5ªAvenida e o Armory Show, grande exposição realizada em 1913, onde se expuseram alguns trabalhos de Amadeu de Sousa Cardoso. Por outro lado, os anos da década de 1940 foram cruciais na afirmação da arte americana, para o que contribuíram medidas como o Federal Art Project (FAP). Este programa (1935-1943), elaborado pela administração Roosevelt no contexto da Grande Depressão e do New Deal, destinou-se a garantir e apoiar a sobrevivência dos artistas americanos naqueles tempos de crise. Entre os muitos que integraram as acções do FAP contam-se os nomes dos fotógrafos Berenice Abbott, Walker Evans e Dorothea Lange e dos pintores Arshile Gorky, Mark Tobey, Mark Rothko e Jackson Pollock. Entretanto, em 1942, surgia em Nova Iorque, fundada por Peggy Guggenheim, a galeria Art of this Century. Durante os seus poucos anos de actividade – encerrou em 1947, com o regresso de Peggy à Europa – esta galeria funcionou não só como uma espécie de local de encontro de artistas que a guerra no continente europeu obrigou ao exílio, como os surrealistas Max Ernst, André Breton, André Masson e Yves Tanguy, como foi também uma rampa de lançamento para os novos artistas americanos que começavam a emergir na cena artística contemporânea. Na primeira grande exposição que esta galeria dedicou aos jovens talentos da pintura americana, distinguiram-se três artistas cujas opções estéticas e produção pictórica se identificam com o Expressionismo Abstracto praticado pela chamada Escola de Nova Iorque : Jackson Pollock (1912-1956), William Baziotes (1912-1963) e Robert Motherwell (1915-1991).

Foi neste cenário da vanguarda artística nova-iorquina do pós-guerra que, em Setembro de 1947, surgiu a revista Possibilities 1: An Occasional Review cuja responsabilidade editorial era partilhada por três das suas mais marcantes personalidades : Robert Motherwell, pintor, Harold Rosenberg (1906-1978), escritor e crítico de arte, que esteve na origem da expressão «action painting», e John Cage (1912-1992), compositor e músico. A estes três americanos juntava-se Pierre Chareau (1883-1950), arquitecto e designer francês que, antes de partir para Nova Iorque, em 1940, tinha sido o autor da Maison de verre (Paris, 1927) e um dos fundadores da Union des Artistes Modernes (1929). Neste primeiro e único número (o segundo chegou a ser preparado, mas não foi publicado) Motherwell e Harold Rosenberg apresentavam Possibilities como a magazine of artists and writers who «practice» in their work their own experience without seeking to transcend it in academic, group or political formulas. Nesta espécie de manifesto afirmavam ainda que Such practice implies the belief that through conversion of energy something valid may come out e que The question of what will emerge is left open. Escreveram também artigos, entre outros, Jean Arp, William Baziotes, Miró, Pollock, Mark Rothko e Oscar Niemeyer (sobre a arquitectura de uma igreja recentemente construída no Brasil). A revista era ainda o número 4 de uma série intitulada Problems of Contemporary Art que, por sua vez, integrava uma outra, Documents of Modern Art, dirigida por Robert Motherwell, que se propunha publicar os textos fundamentais para o estudo e compreensão da arte do século 20. Apesar da sua demasiado efémera existência, Possibilities constitui um documento importante no contexto da arte contemporânea e é hoje uma raridade bibliográfica.

TÍTULO/RESP. Possibilities 1 : an occasional review / editors Robert Motherwell, Harold Rosenberg, John Cage, Pierre Chareau
PUBLICAÇÃO New York : Wittenborn, Schultz, cop. 1947
DESCR. FÍSICA 111 p. : il. ; 26 cm
COLECÇÃO (Problems of contemporary art ; 4)
NOTAS Nº 1, Winter 1947/48 (único número publicado) tratado monograficamente
COTA(S) AE 1850

Atualização em 21 Abril 2016