Kô et Kô

Em 1933, a pintora Maria Helena Vieira da Silva (1908-1992) tinha já trocado Lisboa pela capital francesa. Foi em Paris que, nesse ano, em colaboração com o poeta Pierre Guéguen, inventou uma história infantil. Embora esta faceta da sua produção artística seja menos conhecida, Vieira da Silva criou ilustrações para diversos contos infantis. Este gosto começou na sua infância, quando pintava com aguarelas as gravuras que ilustravam os seus livros de histórias.

Em 1933, a pintora Maria Helena Vieira da Silva (1908-1992) tinha já trocado Lisboa pela capital francesa. Foi em Paris que, nesse ano, em colaboração com o poeta Pierre Guéguen, inventou uma história infantil. Embora esta faceta da sua produção artística seja menos conhecida, Vieira da Silva criou ilustrações para diversos contos infantis. Este gosto começou na sua infância, quando pintava com aguarelas as gravuras que ilustravam os seus livros de histórias. Mais tarde, em 1931, Vieira da Silva retomou este tipo de criação artística num livro oferecido à pequena Violante Canto da Maya, um exemplar de Os desastres de Sofia da Condessa de Ségur, onde substitutiu as ilustrações originais de A. Pécoud por outras por si criadas. Kô et Kô, a história que Vieira da Silva imaginou e à qual Pierre Guéguen povoou de palavras, relata a história da viagem de dois esquimós pelo mundo, à descoberta do sol. Ao longo desta jornada que os leva rumo ao sul, Kô e Kô cruzam-se com diversas criaturas de contornos estranhos, como o urso-carrancudo e o seu filhote, o pássaro-de-grande-envergadura, o cavalo-de-seis-patas e o veado-voador, atravessam várias paisagens e vivem aventuras emocionantes. Nas pinturas criadas sob a forma de uma série de guaches, as formas são simplificadas e estilizadas, existindo uma depuração de pormenores, em consonância com a pesquisa pictórica que Vieira da Silva então realizava. Ao nível das cores utilizadas, observa-se um despojamento cromático, com uma preponderância de azuis, embora a paleta se torne mais quente com a chegada de Kô e Kô ao sul. Obra singular, o livro foi de imediato editado pela galerista Jeanne Bucher, com uma tiragem de apenas 300 exemplares, com o texto litografado de Pierre Guéguen e 14 páginas com as ilustrações de Vieria da Silva realizadas a pochoir pela casa Beaufumé, contendo no final dois cartões com as figuras e objectos que surgem na história para serem recortados e utilizados pelos leitores A propósito do lançamento do livro, Jeanne Bucher organizou na sua galeria parisiense a primeira exposição individual de Vieira da Silva – iniciando uma relação que continuaria para além da morte da fundadora da galeria, em 1946 -, onde foram expostos os guaches originais de Kô et Kô e uma série de estudos preparatórios realizados pela pintora. Em 1935, graças a António Pedro, alguns destes trabalhos foram também expostos em Lisboa, na Galeria UP. Mais recentemente, em 2001, os lisboetas tiveram novamente a oportunidade de admirar os belos guaches de Kô et Kô por ocasião de uma exposição realizada na Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva, onde também esteve exposto um livro da edição original, emprestado pela Galeria Jeanne Bucher. A Biblioteca de Arte possui também no seu fundo documental um exemplar da edição de 1933 que agora apresenta, celebrando assim o centenário do nascimento de Maria Helena Vieira da Silva.

TÍTULO/RESP. Kô et Kô : les deux esquimaux / Vieira da Silva ; Pierre Guéguen EDIÇÃO 1 ère ed.
PUBLICAÇÃO Paris : Jeanne Bucher, imp 1933
DESCR. FÍSICA [26] p. : il. color. ; 26 x 33 cm
NOTAS Ed. de 300 exemplares. Faltam neste exemplar os 2 cartões, com as figuras e objectos da história, que acompanhavam a edição original
COTA(S) P 13790

Atualização em 17 Julho 2017