Formes et vie

Em 1951, publicava-se em Paris o primeiro número da revista Formes et vie, cujo complemento do título permitia perceber não só a sua periodicidade, como também o seu programa conceptual: “Revue trimestrielle de synthèse des arts”. Esta revista surgiu no contexto das alterações que se registaram ao longo da década de 1950 no panorama internacional da história das artes visuais, com a emergência de novos paradigmas estéticos e de novos artistas…

Em 1951, publicava-se em Paris o primeiro número da revista Formes et vie, cujo complemento do título permitia perceber não só a sua periodicidade, como também o seu programa conceptual: “Revue trimestrielle de synthèse des arts”. Esta revista surgiu no contexto das alterações que se registaram ao longo da década de 1950 no panorama internacional da história das artes visuais, com a emergência de novos paradigmas estéticos e de novos artistas, como os americanos J. Pollock, M. Rothko e W. De Kooning, por exemplo, e o desaparecimento de outros que marcaram a criação artística da primeira metade do século 20, como H. Matisse, F. Léger e C. Brancussi. Relativamente à “síntese das artes” que a revista advogava, esta ideia não era nova, mas nestes anos foi particularmente desejada, partilhada e defendida por numerosos artistas, arquitectos e críticos de arte. Entre os seus mais fervorosos defensores encontrava-se o arquitecto Le Corbusier (1887-1965) que, talvez por isso, era um dos membros do “Comité de patronage” da revista, juntamente com Albert Gleizes (1881-1953), Fernand Léger (1881-1955) e Fredo Sidès (?-1953). Em comum todos tinham o envolvimento em alguns dos movimentos das vanguardas artísticas que marcaram as primeiras décadas do século 20 ocidental. Gleizes e Léger tinham estado profundamente envolvidos na exploração da linguagem estética do Cubismo, participando nos dois salões que fizeram a apresentação pública do movimento: em 1910, o “Salão de Outono”, juntamente com Metzinger, Marcel Duchamp, Roger de la Fresnaye, Henri Le Fauconnier e Francis Picabia, e em 1911, o “Salão dos Independentes”. Gleizes foi também o autor, com Metzinger, do livro Du Cubisme, publicado em Paris, em 1912. Quanto a Fredo Sidès, foi um dos organizadores do “Salon des Realités Nouvelles”, realizado pela primeira vez em Paris em 1946 e exclusivamente dedicado à Abstracção. Para além do “Comité de patronnage”, a revista contava ainda com um “Comité de rédaction” de que faziam parte os arquitectos Jean Dubuisson (n. 1914), o escultor e arquitecto húngaro Etienne Beöthy (1897-1961) e o crítico e historiador e de arquitectura Michel Ragon (n.1924). Dos seus correspondentes no estrangeiro constava o jornalista, músico e escritor brasileiro Oswaldo de Andrade Filho (1914-1972). Reuniram-se assim num mesmo projecto não só diferentes gerações, como também diferentes práticas profissionais e artísticas com o propósito de estudar e abordar a forma sob diversos pontos de análise. Este programa de intenções era claramente exposto no primeiro número: “Propomo-nos estudar e definir todos os aspectos da forma e os seus desenvolvimentos estáticos ou dinâmicos, com a colaboração de arquitectos, de artistas plásticos, de designers, de engenheiros, de biólogos, de estetas, de psiquiatras, de etnólogos… . Arquitectura, artes plásticas, técnica, design-industrial: elementos de síntese solidários duma evolução constantes cuja origem remonta às primeiras idade da existência do homem”*. No número 1, cuja capa foi desenhada por Le Corbusier, que publicava um extracto da sua comunicação ao VII Congresso do CIAM, realizado em Londres em 1951, podiam também ler-se um artigo de Fernand Léger sobre a relação da arquitectura moderna com a cor e um outro que historiava a evolução das formas dos aviões. No segundo número novos nomes vieram juntar-se ao “Comité de rédaction”, como o do arquitecto Jean Prouvé. No número 2 três temas mereciam um destaque especial: a evolução do vestuário e a sua relação com a arquitectura, com textos, entre outros, do costureiro Pierre Balmain e de André de Fouquières (cronista do jornal Le Figaro); as lojas e centros comerciais e a composição nas artes visuais, com um ensaio do escritor romeno Matila Ghyka. Note-se que os artigos eram publicados em língua francesa, mas tinham uma tradução – na íntegra, ou parcial – em inglês. Formes et Vie acabou por ter uma existência efémera, apesar do segundo número conter já uma secção de publicidade. Estes dois números não deixam, no entanto, de se constituir como documentos importantes para o estudo da arte neste período. * “Nous nous proposons d’étudier et de definir tous les aspects de la forme et de ses développments statiques ou dinamyques, avec la collaboration d’architectes, de plasticiens, de designers, d’ingénieurs, de biologistes, d’esthéticiens, de psychiâtres, d’etnologues…. Architecture, arts plastiques, technique, industriel-design: éléments de synthèse solidaires d’une evolution constant don’t l’origine remonte aux premiers âges de l’existence de l’homme”.

TÍTULO/RESP. Formes et vie : revue trimestrielle de synthèse des arts
NUMERAÇÃO N. 1 (1951) – n. 2 (1952)
PUBLICAÇÃO Paris : Éditions Falaize, 1951-1952
DESCR. FÍSICA 31 cm
PERIODICIDADE Trimestral
NOTAS A capa do n. 1 (1951) foi concebida por Le Corbusier

ISSN 0426-9527
COTA(S) PA 398

Atualização em 13 Julho 2017