Exposição Retrospectiva de Arte Ornamental Portuguesa e Espanhola

O Palácio Alvor, às Janelas Verdes, engalanou-se no dia 12 de Janeiro de 1882 para receber os ilustres convidados para à inauguração da Exposição Retrospectiva de Arte Ornamental Portuguesa e Hespanhola. O evento contou com a presença de suas majestades D. Luís I, rei de Portugal e D. Afonso XII, monarca espanhol.

O Palácio Alvor, às Janelas Verdes, engalanou-se no dia 12 de Janeiro de 1882 para receber os ilustres convidados para à inauguração da Exposição Retrospectiva de Arte Ornamental Portuguesa e Hespanhola. O evento contou com a presença de suas majestades D. Luís I, rei de Portugal e D. Afonso XII, monarca espanhol. Os principais jornais que então se publicavam no país, dedicaram parte das suas primeiras páginas ao relato da cerimónia e à descrição dos aspectos gerais da exposição. Na origem da decisão de realizar, em Lisboa, este evento, esteve a representação portuguesa numa exposição realizada um ano antes no South Kensington Museum, em Londres, onde também se apresentaram obras de arte do vizinho ibérico. Aproveitava-se todo o trabalho já realizado por uma comissão onde pontuavam diversas personalidades da sociedade portuguesa da época, como o arquitecto José Luís Monteiro e o jovem médico Sousa Viterbo. Para a exposição de Lisboa reuniram-se cerca de 4000 objectos, dos quais cerca de 250 foram emprestados por entidades do país vizinho: pratas, peças de mobiliário, azulejos, tapetes, faianças, armas, vidros, tecidos, manuscritos…. O país gostou e aplaudiu a iniciativa, “a mais valiosa empreza que se poderia realisar em Portugal para o estudo da historia artistica”. Aberta ao público durante seis meses, a exposição foi visitada por mais de 100.000 pessoas, o que constituíu um êxito sem precedentes, sobretudo por ter sido a primeira vez que entre nós se realizou um evento semelhante.

Um ano depois do seu encerramento era publicado, em reduzida tiragem, o Album de Phototypias da Exposição Retrospectiva de Arte Ornamental de Lisboa. Constituíam-no 55 fototipias – processo de reprodução fotográfica – realizadas a partir dos clichés da autoria do fotógrafo Carlos Relvas (1838-1894). Como afirmava no prefácio o seu filho José Relvas, esta obra resultava do propósito “de tornar perduraveis as collecções que o encerramento da Exposição restituiria novamente á anterior desmembração”. O exemplar que a Biblioteca de Arte adquiriu, recentemente, em leilão reveste-se de particular valor porque, para além de luxosamente encadernado, ser dedicado pelo próprio autor ao “Illmo. Senhor Conselheiro António Augusto d’Aguiar”.

TÍTULO/RESP. Album de phototypias da exposição retrospectiva de arte ornamental em Lisboa, 1882 / Clichés de Carlos Relvas ; phototyp. de J. Leipold ; introdução José Relvas
PUBLICAÇÃO Lisboa : Officina de J. Leipold, imp. 1883
DESCR. FÍSICA [71] p., 55 f. il., [2] p. : il., estampas ; 45 cm
COTA(S) E-AHP 25

Atualização em 13 Julho 2017