Binário

A década de 1950 foi um período fértil na produção arquitectónica portuguesa, sobretudo no domínio da habitação, onde se operaram diversas inovações, quer ao nível dos programas quer da sua conceptualização espacial. Inovações em parte resultantes de uma nova atitude defendida no polémico I Congresso Nacional de Arquitectura realizado, em Lisboa, em 1948,…

A década de 1950 foi um período fértil na produção arquitectónica portuguesa, sobretudo no domínio da habitação, onde se operaram diversas inovações, quer ao nível dos programas quer da sua conceptualização espacial. Inovações em parte resultantes de uma nova atitude defendida no polémico I Congresso Nacional de Arquitectura realizado, em Lisboa, em 1948, pelos jovens arquitectos do ICAT (Iniciativas Culturais Arte e Técnica), dinamizado por Keil do Amaral, e da ODAM (Organização dos Arquitectos Modernos), criada no Porto em 1947, de que de faziam parte, entre outros, os arquitectos Fernando Távora, Viana de Lima e Arménio Losa. Construiram-se, nestes anos, na capital, o Bairro das Estacas (1949-1954), da autoria de Formosinho Sanches e Ruy de Athouguia, os blocos de apartamentos no cruzamento da Av. dos Estados Unidos com a Av. de Roma (1952-1958) de Filipe Figueiredo e José Segurado, os blocos da Av.Infante Santo (1952-1956), de Alberto Pessoa, Hernâni Gandra e João Abel Manta e o bloco das Águas-Livres (1953-1959) sob projecto de Nuno Teotónio Pereira e Bartolomeu Costa Cabral. No Porto, a figura referencial foi o arquitecto Fernando Távora, de cujo projecto são o Mercado da Vila da Feira (1954) e a Casa de Ofir (1956), a que se juntou o então jovem Álvaro Siza Vieira, que se destacará nas décadas seguintes como um dos nomes mais marcantes do panorama arquitectónico nacional, com reconhecimento além fronteiras. Da transição desta década datam outras obras que se apresentam como marcos num novo modo de pensar a cidade e a arquitectura em Portugal: a sede da Fundação Calouste Gulbenkian (1959-1969) da equipa de Alberto Pessoa, Pedro Cid e Ruy de Athouguia, a Igreja do Sagrado Coração de Jesus (1961-1970), da equipa de Nuno Teotónio Pereira, Nuno Portas e Pedro Vieira de Almeida e uma outra obra paradigmática : a Casa de Chá da Boa Nova (1958-1963), em Leça da Palmeira, de Siza Vieira.

Neste contexto, em 1958, surgiu no panorama editorial português um novo título dedicado à arquitectura : a revista Binário, cujos primeiros directores foram o arquitecto Manuel Tainha e o engenheiro Jovito Tainha. De periodicidade mensal, ao longo dos seus 18 anos de existência assumiu-se como uma publicação informativa, de carácter técnico-cultural, mas também de crítica do que em Portugal se fazia nos campos da arquitectura, urbanismo, engenharia civil e, nos seus últimos anos, também no âmbito do design. Igualmente divulgados foram os projectos de alguns dos nomes mais marcantes da arquitectura internacional do século 20. A Biblioteca de Arte possui no seu fundo documental a colecção completa desta revista, referencial para o estudo da prática e pensamento arquitectónicos contemporâneos em Portugal.

TÍTULO/RESPONS. Binário : arquitectura, construção, equipamento / editor e prop. A. Palmares ; directores Manuel Tainha e Jovito Tainha
NUMERAÇÃO N. 1 (Abril 1958) – n. 208-216 (1976/77)
PUBLICAÇÃO Lisboa : [s.n.], 1958 – 1977 ( Lisboa : Sociedade Industrial de Tipografia )
DESCR. FÍSICA Il. ; 30 cm
PERIODICIDADE Mensal
COTA(S) PAQT 27

Atualização em 21 Abril 2016