As Exposições de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian (1957, 1961 e 1986)

Apenas um ano após a sua formalização legal (Julho de 1956), a Fundação Calouste Gulbenkian fez a primeira intervenção pública na vida cultural nacional, organizando uma exposição realizada nas instalações da Sociedade Nacional de Belas Artes.

Apenas um ano após a sua formalização legal (Julho de 1956), a Fundação Calouste Gulbenkian fez a primeira intervenção pública na vida cultural nacional, organizando uma exposição realizada nas instalações da Sociedade Nacional de Belas Artes. Para os responsáveis pela Fundação, esta exposição iria permitir-lhes traçar “uma visão panorâmica do estado actual das artes plásticas em Portugal” que, no final da década de 1950, revelava evidentes sinais de mudança. Inaugurada em 7 de Dezembro de 1957 (repetida no Porto em 1958), a I Exposição de Artes Plásticas mostrava um conjunto de 251 obras – 143 de pintura, 37 de escultura e 75 de desenho e gravura – de 148 artistas. No prefácio do catálogo lia-se que a Fundação desejava “proporcionar aos artistas (…) uma nova oportunidade de estabelecer contacto com o público” e ainda permitir aos mais jovens “revelarem a sua obra (…), afirmarem as suas aptidões e (…) permitir-lhes a obtenção de bolsas de estudo, no País e fóra dele”. O júri de admissão cumpriu os objectivos enunciados, já que entre os nomes seleccionados se contavam tanto artistas com reconhecimento no contexto nacional, como Eduardo Viana (grande prémio) e Almada Negreiros – que protagonizou uma das polémicas do evento, ao apresentar 4 composições abstractas geométricas -, como jovens em início de carreira. Paralelamente à exposição, que mereceu larga cobertura jornalística e teve um enorme sucesso de público, a Fundação providenciou a realização de algumas conferências, proferidas por Bernard Dorival (conservador do Musée d’Art Moderne de Paris), Roland Penrose (director do Institut of Modern Arts de Londres) e Mário Dionísio (professor e ensaísta), que apresentou um texto intitulado “Conflito e unidade na arte contemporânea”.
Em Dezembro 1961, a Fundação Calouste Gulbenkian repetiu a iniciativa de 1957. A II Exposição de Artes Plásticas, desta vez realizada nas instalações da Feira Internacional de Lisboa, juntou a arquitectura às secções anteriores. Esta não era, porém, a única alteração, pois como se afirmava no catálogo “Também agora, um regulamento estudado para fixar as principais normas (…) precisou que a ela seriam admitidas todas as formas e meios de expressão em Arte”. O júri alargou-se, renovou-se e passou a ser só um para a selecção e para a premiação, incluindo representantes dos artistas (por eles eleitos) nas pessoas do pintor Fernando de Azevedo e do arquitecto João Abel Manta. Se o número de artistas seleccionados foi menor – 141 – o de obras expostas aumentou: 298; e se na I Exposição ainda se puderam ver obras que perpetuavam um naturalismo academizante e fora do “ar do tempo”, mas dominante nos certames oficiais do regime, na II todas enunciavam já claramente as rupturas estéticas da década de 1960, protagonizadas por uma nova geração de artistas. Uma vez mais, esta iniciativa da Fundação foi um êxito junto do público e da crítica, tendo sido acompanhada por um programa cultural que incluiu concertos organizados pelo Serviço de Música e sessões de cinema.
Depois de um interregno de 25 anos, em 1986, por ocasião da celebração dos seus 30 anos de existência, a Fundação Calouste Gulbenkian organizou a III Exposição de Artes Plásticas (de 20 de Julho a 31 de Agosto), desta vez já realizada nos seus espaços expositivos da Av. de Berna. No prefácio do catálogo explicava-se que nesta III edição, atendendo-se “às muitas alterações sofridas no campo das Artes Plásticas” desde os anos 60, introduziam-se novas secções – “Objectos e Instalações”, a “Fotografia” e o “Vídeo” – e estabelecia-se que “as obras a apresentar seriam posteriores a 1980, data mundialmente reconhecida como um significativo marco da viragem da Pintura e da Escultura”. Foram recebidas para concurso 2671 obras, das quais o júri escolheu 345. No elenco de artistas seleccionados cruzavam-se gerações e sensibilidades estéticas diversas, embora predominassem os nomes que emergiram na cena artística nacional nas décadas de 1960 e 70. O conjunto de documentos que ficaram para a memória futura destas iniciativas da Fundação Calouste Gulbenkian pertence ao acervo da Biblioteca de Arte, que o disponibiliza ao estudo e investigação. É constituído pelos catálogos da I, II e III exposições, por um conjunto de fotografias da I e da II (que se encontra digitalizado e acessível para consulta na rede interna da BA), pelo programa das sessões de cinema da II e por um vídeo sobre a III.

TÍTULO/RESP. I e II Exposição de Artes Plásticas [ Material gráfico ]*
PRODUÇÃO 1957-1961
DESCR. FÍSICA 519 provas fotográficas ; 24 x 26,5 cm – 9 x 12 cm ; 382 negativos ; 13 x 18 cm – 6 x 6 cm : p&b
CONTÉM I Exposição de Artes Plásticas / fotografias de Mário Novais… [et al.]1957; II Exposição de Artes Plásticas / fotografias de Mário Novais, Horácio Novais e de José Pereira 1961
COTA(S) CFT032.1/1-418 ; CFT032.2/1-306
* As referências bibliográficas de todos documentos estão disponíveis no catálogo da BA www.biblartepac.gulbenkian.pt

Atualização em 13 Julho 2017