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Jardim de Verão

Cultura Arménia em Portugal: “Postais” da Fundação Gulbenkian

O legado arménio deixado por Calouste Gulbenkian marca uma forte presença na comemoração dos 60 anos da Fundação Calouste Gulbenkian através da iniciativa Jardim de Verão. Durante 10 dias, o Serviço das Comunidades Arménias, volta a apresentar a cultura Arménia ao público português através de concertos, workshops, exibição de um filme e duas mesas-redondas num total de 17 eventos!

Os eventos Arménios são mais um componente das várias atividades organizadas por vários elementos da Fundação, nomeadamente o Serviço de Música, O Programa Língua e Cultura Portuguesa, e o Museu Calouste Gulbenkian entre outros.

 

24 de Junho

Os eventos Arménios começam no dia 24 de Junho com um espetáculo, 1001 Viagens danças Arménias com Shakeh e Trio Dellalian que conta a história da Diáspora Arménia através da música e da dança. Numa primeira parte serão apresentados solos coreografados pela bailarina Shakeh Major Tchilingirian acompanhada pelo Trio Dellalian. Na segunda parte Shake convidará o público a participar no “Círculo da Vida” completando a noite com duas danças tradicionais arménias.

 

25 e 26 de Junho

Durante o primeiro fim-de-semana Nina Grigoryan apresenta um workshop, Desenhar a Música, cuja criatividade cativa a atenção e interesse pela música arménia. No dia 25 de Junho o workshop é dedicado a maiores de 16 anos em Inglês. No dia 26 de Junho é dedicado a crianças entre os 6 aos 14 anos e será em Português. Os participantes vão ter a oportunidade de transformar as emoções provocadas pela música numa explosão de cores!

 

27 de Junho

Com uma extensa história e uma cultura rica, os arménios encontram-se hoje dispersos pelo mundo. A Arménia tornou-se independente da União Soviética em 1991, mas atualmente a República continua a enfrentar vários desafios no contexto pós-soviético. Calouste Gulbenkian era um arménio de Istambul. Mas o que quer dizer “ser Arménio” em pleno século XXI? Estas e outras questões serão debatidas na sessão Conversa sobre história e cultura Arménia, no dia 27 de Junho. O debate será moderado por António Loja Neves, com a participação de Licínia Simão, Marc Nichanian e Razmik Panossian.

No final do dia o Duduk volta a estar em destaque! Este instrumento representa verdadeiramente a alma do povo arménio e a sua sonoridade incomparável é conhecida mundialmente. Este concerto de Duduk Ode a Nairi (Antiga Arménia) com Aram Ipekdjian (duduk) e Irma Toudjian (piano) inclui obras para Duduk solo e Duduk com piano, com destaque para a música religiosa, medieval e tradicional arménia.

 

29 de Junho

A conferência Os Arménios e a Produção de Tapetes: Três Milénios de Paixão, dia 29 de Junho, vai ser apresentada pelo o prof. Dickran Kouymjian para sublinhar o papel fundamental dos artesãos arménios na arte da tecelagem da Ásia Menor, até à dramática interrupção desta arte milenar causada pelo genocídio de 1915-1916. Esta conferência organizada no âmbito da exposição do museu Kum Kapi: Tapetes Viajantes, também apoiada pelo Serviço das Comunidades Arménias.

 

30 de Junho

A dança volta a ter destaque dia 30 Junho num espetáculo inédito, SAR (Dança Moderna de Istambul) com Mihran Tomasyan e Saro Usta. Uma performance interpretada por dois amigos Arménios que cresceram juntos no bairro de Kurtuluş, em Istambul que agora com 30 anos, recorrem à música, ao movimento e ao papel para evocar as suas memórias e questionar o seu futuro, os seus sonhos e desafios.

 

1 de Julho

Dia 1 de Julho é dedicado ao canto modal Arménio. Aram e Virginia Kerovpyan procuram introduzir os participantes ao canto modal, num workshop intitulado Uma Viagem Entre Sons, tal como praticado na tradição Arménia, através da preparação vocal e da aprendizagem de cantos litúrgicos arménios e desafiam todos os participantes a cantar (em inglês com tradução consecutiva para português). Os resultados desta aprendizagem serão apresentados no concerto com o Akn Ensemble no mesmo dia.

vimeo.com/110834010

Será também exibido pela primeira vez em Portugal o filme, Singing in Exile de Salvatore Finocchiaro e Nathalie Rossetti, que segue o casal Aram e Virginia Kerovpyan numa viagem onde guiam jovens atores europeus e o encenador Jaroslaw Fret, do Instituto Grotowski de Wroclaw (Vratislávia), numa busca iniciática sobre os lugares, como a Turquia, onde a tradição de canto litúrgico modal, património que remonta ao século V e ameaçado de desaparecimento. O canto torna-se, assim, a língua da criação e da partilha, o sopro da vida.

O dia não podia acabar de melhor maneira do que com um concerto de Tigran Hamasyana um pianista fora do vulgar que embora tenha formação clássica e jazz, a sua música vai buscar influências muito variadas, que incluem a música folk arménia, o rock, a eletrónica, a poesia, entre outras. Nos últimos dez anos, com o lançamento de quatro álbuns aclamados pela crítica, colecionou elogios de figuras como Chick Corea, Herbie Hancock e Brad Mehldau. Na Fundação Calouste Gulbenkian, Tigran Hamasyan vai apresentar-se a solo.

 

2 de Julho

No concerto Quarteto de Cordas Arménio, dia 2 de Julho, Artur Mouradian, Hrayr Karapetyan, Sevak Avanesyan e Hrachya Avanesyan oferecem uma oportunidade para aprender, de forma divertida, sobre os instrumentos e os compositores, com música de Mozart (Eine Kleine Nachtmusik), Beethoven (Minuet), Saint Saens (Carnival des Animaux), Komitas/Aslamazyan (Armenian Folk Miniatures), G. Bizet (Carmen) e Carlos Gardel (Tangos de Buenos Aires).

De seguida o workshop, Herança e Cultura Arménia com o grupo Houshamadian com Vahe Tachjian, Shogher Margossian e Movses Hrayr Der Kevorkian tem como objetivo incitar um debate dinâmico com o público sobre objetos históricos, relacionando os mesmos com memórias, onde o espaço será propício para um fluxo de ideias criativas. Os participantes vão olhar para objetos antigos, como por exemplo uma foto, uma carta ou até mesmo um utensilio de cozinha, e imaginarem uma história baseada no objeto dando asas a sua imaginação.

Uma antiga canção Arménia que passou de gerações ancestrais para os artistas será transformada num exercício musical para o público, com muitas palmas e melodias à mistura!

E finalmente vai haver uma demonstração culinária onde o público vai ter a oportunidade de cozinhar o prato tradicional Ich.

No final do dia, podemos ouvir um concerto ao ar livre do Collectif Medz Bazar. Este coletivo de músicos representa uma junção harmoniosa entre os instrumentos temperados (de som fixo) e as músicas baseadas na tradição modal, cruzando os instrumentos de percussão do Médio-Oriente com as vozes parisienses de várias origens (Arménia, Turca e Franco-Americana) e inspirando-se na música folclórica da Ásia Menor e do Irão, nos ritmos da Trácia, na música venezuelana, no hip-hop, jazz e bluegrass, entre outras.

youtube.com/watch?v=FRFQ_amDp_U

 

3 de Julho

No último dia, 3 de Julho, temos outro concerto por parte do Quarteto de Cordas Arménio, desta vez Artur Mouradian, Hrayr Karapetyan, Sevak Avanesyan e Hrachya Avanesyan, tocam String Quartet n.º2 de A. Borodin e Armenian Folk Miniatures de Komitas/Aslamazyan.

Seguido por um workshop para crianças com a Maral Kerovpyan e Ana Madureira baseado no livro para crianças Quem são os Arménios? (disponível na livraria da Fundação Calouste Gulbenkian). O público terá a oportunidade de descobrir a língua e a música arménia através de jogos e canções, explorando o alfabeto arménio para aprender a escrever os seus nomes, desenhar cativantes “bird-letters” (cartas com asas) e aprender uma dança! (Em inglês com tradução consecutiva para português. )

O programa dos eventos Arménios acaba com outro magnífico concerto, porque só um era pouco, do Collectif Medz Bazar.

Pode consultar o programa por inteiro do Jardim de Verão: gulbenkian.pt/programacao-jardim-verao