FCG Secção: Fundação

Entrevista: Maria Carvalhosa

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A Maria Carvalhosa integrou o Serviço das Comunidades Arménias em Agosto de 2013. Iniciou o seu trabalho na fundação no Serviço Internacional, depois integrou a equipa da revista Colóquio/Letras e, de 2001 a 2013, após especialização na área da Ajuda ao Desenvolvimento com um mestrado em Desenvolvimento e Cooperação Internacional, passou a trabalhar na área da cooperação com os países africanos de língua portuguesa (PALOP) e Timor Leste da fundação. Atualmente é coordenadora do programa de Bolsas do Serviço que inclui os seguintes subprogramas: Global Excellence Scholarship, Undergraduate Studies Scholarship, Armenian Studies Scholarship, Western Armenian Teacher Education Scholarship, Short Term Grants, Bolsas para Estudantes Arménios em Portugal, Bolsas de Emergência.

 

Há quanto tempo trabalha na Fundação Calouste Gulbenkian?

Trabalho na fundação há 33 anos.

 

Como surgiu a oportunidade de trabalhar no Serviço das Comunidades Arménias?

Aquando da reestruturação do serviço, em 2013, interessei-me pelo seu programa e enviei o meu currículo ao novo diretor. Uma vez licenciada em Relações Internacionais, achei que a minha formação de base se adequaria à atividade do serviço e, em parte, o mestrado em cooperação. Uma das coisas que me motivou bastante foi poder devolver um pouco aos arménios aquilo que um arménio, o nosso fundador, nos legou e nos ensina. Entusiasmou-me também o facto de poder conhecer melhor a cultura arménia e os arménios, uma cultura muito antiga e um povo muito positivo e resiliente.

 

Qual é a parte mais gratificante do seu trabalho?

Uma delas é tão simplesmente a receção quase diária de mensagens de candidatos e bolseiros de gratidão pelo nosso trabalho. Desde uma simples resposta a uma dúvida ou mesmo uma resposta negativa quanto à possibilidade de candidatura até à atribuição de uma bolsa ou pequeno subsídio, o feedback é sempre muito agradável e gratificante.

A leitura das propostas de projeto de tese que recebemos no âmbito das candidaturas às bolsas de excelência e às bolsas para estudos arménios é talvez a parte mais enriquecedora do meu trabalho e, como tal, gratificante. Em suma, sendo um trabalho exigente, tendo em conta a sucessão de candidaturas a bolsas e o compromisso com prazos, não havendo lugar para atrasos, é gratificante o retorno dos candidatos e bolseiros e o que nos ensinam.

 

Qual é o aspeto mais desafiante do seu trabalho?

Defrontar-me no início de cada ano com a abertura de candidaturas a 7 categorias de bolsas e chegar ao fim com a missão cumprida. É entusiasmante elaborar o relatório anual das bolsas do serviço e ter a noção concreta dos resultados alcançados. Em 2015, por exemplo, foram atribuídas 259 bolsas, incluindo renovações, as quais, presumo, contribuem para um salto qualitativo, a nível académico, profissional, pessoal, na vida dos estudantes e investigadores que delas beneficiam e para o aumento do conhecimento na área dos estudos arménios.

 

Quais são as questões mais frequentes que os candidatos lhe colocam?

Os candidatos colocam-nos sempre muitas questões. Fico sempre com a ideia de que acham mais simples enviar-nos um email com as suas próprias dúvidas do que ler a informação disponibilizada no nosso website. Por norma, se a resposta está disponível online, encaminho-os para o nosso website, para o regulamento da bolsa a que se pretendem candidatar e, se for caso disso, para as «Perguntas Frequentes» e para os relatórios das bolsas dos anos precedentes. As dúvidas mais frequentes talvez se relacionem com a elegibilidade em relação a uma dada categoria de bolsa.

 

Pode explicar em breves palavras o objetivo de cada um dos programas de bolsas?

A explicação e regulamento de cada um dos nossos programas de bolsas encontram-se disponíveis no nosso website. O principal objetivo é não só dar a oportunidade a estudantes de origem arménia de prosseguirem os seus estudos superiores mas também encorajar a investigação na área dos estudos arménios, sobretudo relacionados com temas da atualidade. Procuramos sempre um equilíbrio entre área temática, região, período, disciplina, género. A maioria das nossas bolsas são direcionadas para a obtenção de grau universitário, mas também temos programas de curta duração para investigação e intercâmbio de conhecimentos.

 

Quantas candidaturas em média recebe por ano?

A média das candidaturas/ano situa-se nas 570 candidaturas, sublinhando que em 2015 o número de candidaturas duplicou em relação a 2014. Em 2016, os números aparentam (apesar de só no final de maio terminarem as candidaturas) ser semelhantes aos de 2015 e, se assim for, a média de 2015-2016 situar-se-á entre as 700 e as 750 candidaturas.

 

Quantas bolsas foram atribuídas em 2015?

As 259 bolsas atribuídas em 2015 distribuíram-se da seguinte forma:

Global Excellence scholarship: 6 bolsas e 4 renovações, num total de 10;

Armenian Studies Scholarship: 13 bolsas e 12 renovações, num total de 25;

Short Term Grants for Armenian Studies: 47 bolsas;

Western Armenian Teacher Education Scholarship: 1 bolsa;

Short Term Conference and Travel Grants: 88 bolsas;

Undergraduate Studies Scholarship: 43 bolsas e 33 renovações, num total de 76;

Support to Armenian Students in Portugal: 6 bolsas e 6 renovações, num total de 12.

 

 

O que distingue uma boa candidatura de uma má candidatura?

Sob o ponto de vista formal, uma boa candidatura cumpre todos os requisitos em termos de documentação e organização do dossier, ou seja, os documentos estão bem classificados e não inclui mais do que o expressamente requerido. Sob o ponto de vista do conteúdo, distingue-se uma boa candidatura de uma má candidatura para mestrado, doutoramento e pós doutoramento essencialmente na originalidade e pertinência ou não da proposta de tese, após verificado o mérito — universidade de topo, notas, recomendações —. No plano da licenciatura, são valorizados as notas, a universidade, o curso. O país de origem do candidato é um requisito, sendo que a maior parte das bolsas vão para o Líbano, Síria, Turquia, devido à lacuna existente em termos de recursos de educação.

 

Qual é o critério de avaliação das candidaturas?

Os critérios foram previamente estabelecidos com o relançamento do programa de bolsas em 2014 e os principais são, tal como referido atrás, o mérito do candidato, a universidade que frequenta, a originalidade e atualidade do projeto de doutoramento nas categorias de bolsas para estudos de segundo e terceiro ciclo (mestrado e doutoramento) e pós doutoramento. O critério de seleção dos estudantes é centrado no mérito e não no rendimento dos pais ou dos próprios estudantes, como anteriormente. No entanto, estudantes que usufruam de outras bolsas devem obrigatoriamente informar-nos durante o processo de candidaturas.

 

Como dizer não a um candidato merecedor de bolsa?

Todos sabemos que os recursos são limitados. Temos critérios bem definidos e fornecemo-nos de grande ponderação na avaliação das bolsas, contudo, o número de candidatos merecedores de bolsa é mais elevado que o número de bolsas que temos para oferecer. A título de exemplo, na nossa mais recente candidatura a bolsas para estudos universitários tivemos 68 candidatos com todas as condições para obterem bolsa, com média curricular muito elevada, entre os 80% e os 100%, sendo que teremos que excluir uma grossa fatia destes. Faz parte do processo competitivo.

 

Que conselho gostaria de dar aos estudantes que se candidatam?

Que não desistam de lutar pelos seus objetivos e que é o caminho por vezes difícil que se faz para chegar ao destino, o que nos enriquece. É um lugar-comum, mas aconselharia a que tenham sempre isso presente…