FCG Secção: Fundação

Entrevista: Tatevik Sargsyan

Conheça a equipa do Serviço das Comunidades Arménias.

Em Março de 2015 Tatevik Sargsyan mudou-se para Lisboa para se juntar à equipa do Serviço das Comunidades Arménias tendo trabalhado, anteriormente, na delegação de Londres da Fundação Calouste Gulbenkian. Licenciada em Direito e Alemão, concluiu o mestrado em Politicas Públicas na University College London (UCL). Estagiou no Parlamento inglês e trabalhou nas áreas das artes e publicações e em escritórios de advocacia no Reino Unido e na Alemanha.

Tatevik tem-se dedicado essencialmente à vertente da comunicação e imagem do serviço — através da criação de conteúdos digitais para a novo website — e colaborado  na criação de uma nova estratégia de apoio a publicações e traduções, com base no Plano de Atividades (2014-2018). Atualmente, a sua prioridade é o projeto Traduções que será lançado em fevereiro de 2016:Calouste Gulbenkian Translation Series.

Como tomou conhecimentos das atividades do Serviço das Comunidades Arménias?

Estou familiarizada com o nome Gulbenkian desde pequena, tendo aprofundado mais durante os meus estudos, ao ler o infame processo legal Re Gulbenkian (1968). Mais tarde, já a trabalhar,  interessei-me pelas iniciativas filantrópicas da delegação do Reino Unido da Fundação, principalmente na área das artes, pelo seu apoio à Liverpool Biennial em 2010. Coincidentemente, antes de começar a trabalhar na delegação de Londres, estava a viver perto dos escritórios da Fundação. Aí, interessei-me pelo trabalho do Serviço das Comunidades Arménias e, após ter lido o Plano de Atividades (2014-2018),  por futuras possibilidades de trabalho em iniciativas de cariz contemporânea relacionadas com os arménios, sobretudo as publicações.

O que a motivou a considerar que podia contribuir para o Serviço das Comunidades Arménias?

Após ter lido o Plano de Atividades (2014-2018), interessei-me pela abordagem que estava a ser desenvolvida e tive curiosidade em perceber como o Plano seria posto em prática. Como tenho interesse nas áreas da edição e da comunicação,  considerei a possibilidade de trabalhar na área da modernização e preservação da herança literária arménia. Penso que existe ainda alguma falta de conhecimento sobre a atividade do Serviço das Comunidades Arménias, especialmente no que diz respeito ao apoio a iniciativas na Arménia e na diáspora. Concordo profundamente com a estratégia que temos seguido no sentido de dar uma maior abertura e transparência em relação às nossas atividades e à nossa missão. Penso que nos devemos «exibir» um pouco mais especialmente se estivermos envolvidos em bons projetos.

De onde surgiu a ideia de lançar a Calouste Gulbenkian Translation Series?

O apoio a publicações sempre foi uma área prioritária do Serviço. Recebemos algumas propostas de financiamento para a publicação em arménio mas, não sendo a Fundação uma editora, estamos desenvolver uma nova política centrada em necessidades específicas em vez de fornecer um apoio ad hoc. A criação da série Traduções é  um passo em frente nesta nova abordagem. Ao disponibilizarmos a estudantes e académicos textos clássicos das ciências socias podemos, por exemplo, contribuir para a evolução e uso da língua arménia e dar a conhecer ao público arménio temas relevantes da atualidade.

Em que obras se vai centrar a Calouste Gulbenkian Translation Series?

A coleção vai se centrar em quatro categorias de traduções: línguas estrangeiras para arménio, e vice-versa, e turco para o arménio, e vice-versa. O facto de nos concentrarmos em obras do século XIX ao XXI reforça a nossa opção por uma abordagem mais contemporânea relativamente à nossa missão. Esta iniciativa também nos dará oportunidade de colaborarmos com tradutores, realçando pontos fortes e fracos do seu trabalho. Tradutores de qualidade e oportunidades de formação para jovens tradutores terão um papel significativo não só neste programa mas também na nossa estratégia de promover e preservar a língua arménia. Disponibilizar, noutras línguas, textos arménios importantes, especialmente sobre temas da atualidade é outro aspeto importante. Acho que este projeto será bem acolhido por muitos arménios da diáspora, tal como por qualquer académico que tenha interesse em estudos arménios. Pessoalmente, gostei de ler várias traduções para inglês de textos arménios importantes como Zabel Yesayan e Shushanik Kurghinian, embora estes sejam textos literários e, como tal, não estão inseridos nesta coleção de traduções.

Como serão selecionadas as obras?

Numa primeira fase será a Comissão Consultiva de Traduções (advisory Translation Committee) que selecionará os textos. Esta comissão é composta por oito especialistas arménios de diversas áreas profissionais e de várias partes do mundo. Estamos agora a desenvolver a nossa longa lista de textos e, com o apoio da comissão, teremos posteriormente uma lista menor para cada categoria, a qual anunciaremos no início de 2016.

Na sua opinião, que impacto vai ter a Calouste Gulbenkian Translation Series junto dos académicos e estudantes?
Espero que esta coleção possa contribuir para o desenvolvimento de uma cultura de debate em contexto arménio e que, através da partilha online, seja uma ótima ferramenta para o conhecimento de novo vocabulário e promoção de uma rede de tradutores e editores. Através deste programa encorajamos os estudantes a seguirem os seus estudos em ciências socias, contrariando a tendência de seguirem apenas as áreas da medicina, direito, engenharia. Também, considero uma mais-valia para as universidades terem acesso a estas traduções para o ensino e investigação.

Quais são alguns dos seus autores arménios contemporâneos favoritos?

 

Para estar a par de obras contemporâneas, costumo consultar sites arménios como InknagirGranish, e QueeringYerevan(este, apoiado pelo Serviço). Gosto do facto destes websitespermitirem a leitura de textos em arménio ou inglês, particularmente porque me ajudam a expressar-me em arménio num contexto que aprecio. Também leio o  jornalAsymptote Journal  para trabalhos de tradução, nem todas contemporâneas, não só em arménio, mas também em inglês e alemão. Recentemente li a obra The Fleeting City por Hovhannes Tekgyozyan em arménio, mas gostaria que houvesse a possibilidade de ler em inglês para poder comparar. Em geral estou mais familiarizada com autores contemporâneos de ascendência arménia que escrevem em inglês, tais como Arthur Nersesian, Nanacy Agabian, Diana Arterian, e Anna Aslanyan.

Considera que esta iniciativa será bem recebida pelas comunidades arménias?

Temos recebido vários emails por parte de tradutores que estão contentes e interessados em colaborar com esta iniciativa. Através deste programa pretendemos desenvolver uma rede consistente de tradutores, colocando em contato tradutores e editoras, promover cursos e aumentar a visibilidade do seu trabalho. Creio que uma vez lançada a coleção, iremos ter feedbackpositivo por parte do nosso público-alvo.

Acredita que o Serviço das Comunidades Arménias poderá ter uma influência positiva na vida da geração mais jovem de arménios?

Sem dúvida, e esta influência deve ser exercida através de diferentes formas, a mais óbvia através do nosso programa de bolsas. No entanto, devemos encorajar os mais jovens da Arménia e da diáspora para o desenvolvimento de projetos inovadores. Uma das formas de o fazermos tem sido através da uma estratégia digital e de comunicação mais transparente. Alguns dos nossos maiores projetos centram-se na preservação e digitalização da língua arménia, de que é exemplo o projeto Wikicamp, de reforço da presença do arménio ocidental na Wikipedia, e a Translation Series, que irá disponibilizar uma série de recursos literáriosonline. Pretendemos que as pessoas tenham os instrumentos necessários para promover debates importantes sobre temas da atualidade relevantes para os arménios. Considero que, para cativar uma audiência mais jovem, é necessário um ambiente apelativo. Em parte, devemos igualmente procurar parcerias com as mais recentes comunidades arménias, em Espanha, Alemanha e Rússia. Devemos procurar desenvolver um maior contacto entre nós e as comunidades arménias e vice-versa para, desta forma, conseguirmos interagir com uma nova geração proporcionando iniciativas que realmente beneficiam e contribuem para o reforço da língua e cultura arménia.