FCG Secção: Comunidades Arménias

Entrevista: Arman Amirkhanian

Conheça a equipa do Serviço das Comunidades Arménias.

Arman Amirkhanian começou a trabalhar no Serviço das Comunidades Arménias em 1995 após conclusão da licenciatura em Economia e Gestão da Universidade Católica Portuguesa, de Lisboa. Atualmente é responsável pela contabilidade do Serviço, por supervisionar diversas iniciativas na Arménia e gerir os projetos eletrónicos para ensino da língua e cultura arménia.

Em Julho de 2014, o Serviço abriu um concurso online para propostas de projetos que motivassem crianças e jovens a aprender arménio ocidental na diáspora através das novas tecnologias: aplicações, jogos educativos, edições eletrónicas, cartoons , entre outros. No total foram recebidas 24 candidaturas, posteriormente avaliadas por uma comissão de seleção, constituída por dois especialistas em aplicações educativas e três membros do Serviço das Comunidades Arménias.  Arman foi um dos membros da comissão e continua a acompanhar o desenvolvimento dos 8 projetos selecionados.

 

Como surgiu a oportunidade de trabalhar para o Serviço das Comunidades Arménias?

Estava a concluir a minha licenciatura e no início da minha carreira. Só recentemente tinha começado a enviar o meu currículo quando recebi a proposta da Fundação para fazer parte do Serviço das Comunidades Arménias. Como é de esperar, fiquei bastante entusiasmado quando surgiu esta oportunidade e não hesitei. Parecia que o lugar tinha sido feita à minha medida! A única desvantagem foi perder a minha viagem de finalistas a Cuba.

 

Qual foi uma das maiores transformações que observou no Serviço?

Notavelmente, o Serviço foi-se modificando ao longo do tempo. Entre as diversas alterações, destaco o impacto significativo que teve o desenvolvimento tecnológico na evolução do Serviço. Hoje em dia é impensável, mas quando comecei a trabalhar, raramente se utilizavam computadores; a maior parte do trabalho era feito manualmente ou com recurso à máquina de escrever. Eu estava encarregue de arquivar a correspondência, uma tarefa que se traduzia numa pesquisa incansável. Tinha de consultar centenas de pastas, procurar os nomes por ordem alfabética e, ao mesmo tempo, interpretar como traduzir os nomes escritos em arménio. Em suma, era uma tarefa desgastante que consumia bastante tempo. Logo que me foi atribuído um computador, criei uma base de dados para facilitar o registo da correspondência. Posso dizer que graças ao desenvolvimento tecnológico, o Serviço tornou-se mais eficiente.

 

Trabalha no Serviço há 20 anos. Alguma vez considerou mudar de emprego?

Ao longo dos anos recebi outras propostas e, devo confessar, que por vezes o meu trabalho se tornou repetitivo. No entanto, dois elementos sempre me motivaram para continuar: o desejo de contribuir para um Serviço melhor e de ajudar as comunidades arménias. Recentemente, o Serviço procurou revigorar a sua estratégia: reavaliámos as nossas prioridades, repensámos a forma como distribuímos os nossos subsídios e optámos por direcionar os nossos esforços para apoiar iniciativas inovadoras.

 

Considera que foi significativo para o departamento começar a apoiar projetos educativos alicerçados às novas tecnologias?

Infelizmente, não dispomos de recursos financeiros ilimitados e, como tal, o nosso objetivo é empregar os recursos que possuímos do modo mais eficiente. O Serviço começou por apoiar projetos de uma maneira cíclica para institucionalizar parcerias. Devido aos recursos e meios de comunicação disponíveis, este método minimizava o risco dos subsídios serem usados incorretamente pelos beneficiários. No atual contexto, este já não é o processo mais eficaz para responder à realidade e desafios das comunidades arménias. Para o Serviço se manter relevante no mundo arménio foi preciso adaptarmo-nos aos novos tempos. Entre outros ajustamentos, desenvolvemos uma postura mais flexível de colaboração no que se refere à nossa seleção de parceiros e investimos no apoio a iniciativas inovadoras. É importante referir que a maneira como as comunidades arménias se relacionam também se alterou  sendo indispensável encorajar a comunicação e interação entres os diversos membros das várias comunidades da diáspora arménia. Ao favorecer a prática das novas tecnologias, o Serviço ambiciona interagir com as comunidades arménias desenvolvendo uma acessibilidade global tendo um impacto positivo junto de uma nova geração.

 

Esta é uma nova prioridade do Departamento. Que desafios iniciais enfrentou?

Nunca antes tínhamos cooperado extensivamente com o sector tecnológico e, consequentemente, o nosso conhecimento sobre aplicações era limitado. Foi, por isso, fundamental colaborarmos e consultarmos especialistas. Quando surgiu a ideia de apadrinharmos projetos baseados em atividades eletrónicas, fiz uma investigação exaustiva sobre os produtos e empresas relacionados com a palavra arménia nas lojas de aplicações da Android e IOS. Optámos, igualmente, por criar um concurso que teve uma boa adesão por parte dos candidatos e, na minha opinião, foi bem-sucedido. Para avaliar os projetos concebemos uma comissão de seleção composto por dois especialistas em aplicações educativas que fizeram uma primeira avaliação, dando relevância à parte tecnológica. Tendo em consideração as suas apreciações, eu e dois outros membros do Serviço, debatemos quais as iniciativas que se enquadravam nas nossas prioridades. Decidimos centrar o nosso apoio em aplicações que, na nossa perspetiva, beneficiassem o ensino da língua arménia. A preservação do arménio ocidental é uma das nossas grandes primazias, no entanto, foi mais difícil encontrar propostas para projetos que incluíssem o arménio ocidental. Para ultrapassar este percalço, negociámos com vários dos beneficiários para incluírem o arménio ocidental nos seus produtos. Esta é uma iniciativa sem precedentes para mim e para o Serviço e, como tal, ainda estamos a testar o que funciona e o que não funciona.

 

Como membro da comissão de seleção, quais foram os elementos que julgou essenciais durante o processo de avaliação e que continua a ter em consideração?

Considero ser extremamente importante que as aplicações sejam apelativas e que despertem a curiosidade dos utilizadores sejam eles crianças ou adultos. Os programas devem s
er esteticamente atrativos, simples de compreender e não podem ter nenhuma forma de erros técnicos ou de conteúdos. Acima de tudo, as pessoas devem conseguir desfrutar do produto! Os projetos selecionados são direcionados, igualmente, para as crianças e para os pais,  para que possam em conjunto aprender e ensinar a língua arménia num ambiente divertido e interativo que vai além dos métodos tradicionais de ensino. Cada vez que testo um dos protótipos, tento sempre imaginar como os meus filhos iriam reagir. Sou da opinião que estas iniciativas tecnológicas podem ter um impacto positivo na educação: por exemplo, o meu filho, antes de saber ler ou escrever, já sabia fazer somas e subtrações porque costumava jogar um jogo onde um peixe comia números, tendo acabado por desenvolver uma compreensão didática da matemática.

 

Quais foram os projetos selecionados?

HY Pictures- “NolaREADs Interactive Graphic Novels”
Digital Pomegranate-“Playland Armenia”
InConceptLabs-“Armenian Language Learning Mobile Application”
Mediapolis-“Armenian Alphabet”
Vergine and Garo Aprahamian-“PTIT Children’s Periodical”
Hayk Hayotsyan-“Alphabet for Toddlers” and “Spelling Game”
Massis Orer-“Armenian Conjugation”
Anna Sargsyan- “Moolt Game” project

 

Como avalia os resultados e desenvolvimento dos projetos que tem vindo a acompanhar?

Estamos numa fase inicial e ainda não tenho informação suficiente para avaliar o impacto que os projetos vão ter no ensino da língua arménia ou se os objetivos do Serviço foram alcançados. Mas estou otimista em relação aos resultados finais. De momento, dois projetos foram lançados no mercado: Hayk Hayotsyan-“Alphabet for Toddlers” e Mediapolis – “Armenian Alphabet”. Na minha opinião, ambos os lançamentos são um sucesso e têm recebido críticas positivas. Considero uma experiência construtiva e, devo admitir, que tenho apreciado testar os vários protótipos, estando ansioso por partilhá-los com os meus filhos.

 

De que forma o Serviço vai continuar a apoiar iniciativas eletrónicas que beneficiem o ensino da língua arménia?

Estou confiante que o Serviço vai continuar apoiar o desenvolvimento de uma pegada digital arménia. No entanto, considero essencial observar os resultados destes projetos, antes de avançar com novas estratégias para aplicações. Em todo o caso, vai continuar a ser fulcral trabalhar através de parcerias. Após termos confirmado que o arménio ocidental é fracamente representado no sector das aplicações, penso que uma forma do Serviço promover a preservação do arménio ocidental é estimular a criação de mais aplicações, livros interativos, programas linguísticos de forma a encorajar o uso diário do arménio ocidental. 

 

Como é que a sua posição progrediu dentro do Serviço?
A minha posição evoluiu em paralelo com as necessidades do Serviço. Como recém-licenciado, a minha primeira grande tarefa foi criar e monitorizar a base de dados e programas informáticos a implementar no Serviço para a sua rotina diária. Isto antes de a Fundação começar a contratar empresas externas para modernizarem os programas informáticos. Entre 1995 a 2005 o Serviço das Comunidades Arménias esteve sempre em primeiro lugar no que toca à inovação tecnológica. Todos os protótipos eram testados pelo Serviço e eu era responsável por fazer uma avaliação crítica sobre se correspondiam aos requisitos da Fundação. Com o tempo o meu papel na área de contabilidade foi aumentando e a parte tecnológica ficou um pouco de parte. Agora sinto que estou de volta ao mundo tecnológico, ao mesmo tempo que supervisiono alguns projetos na Arménia e, claro, continuo a administrar a contabilidade do serviço.

 

Se pudesse conceber a sua própria aplicação para promover o ensino da língua arménia, o que criava?

Criava um livro interativo cuja história mudava com base nas ações da própria criança. Incluía jogos de letras e puzzles para estimular o raciocínio e compreensão. Criava personagens coloridas, um diálogo cómico e, claro, muita música! Mas acho melhor deixar a conceção de aplicações para os especialistas. Aconselho a todos a prestar atenção aos projetos que estamos a apoiar porque acho que vão ser surpreendidos pela positiva!