O Poder da Palavra III

Mulheres: navegando entre a presença e a ausência

A terceira edição do projeto «O Poder da Palavra» propõe uma intervenção expositiva na Galeria do Oriente Islâmico que procura a voz das mulheres neste espaço do Museu.

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Onde se encontram as mulheres na Galeria do Oriente Islâmico? E como aparecem neste lugar? Estas questões, aparentemente simples, que nunca foram antes contempladas, levam a uma nova leitura feminista da Coleção. Ao abandonar o enquadramento tradicional de categorias imperiais, que sempre enfatizou as dinastias de herança masculina (safávidas, mogóis, otomanos), este projeto procura recuperar as vozes das mulheres que criaram estes objetos, ou que desempenharam um papel na sua existência.

Um grupo de mulheres que se expressam em diferentes línguas (árabe, persa, turco e português) juntou-se para investigar e contar histórias de forma colaborativa, e assim criar novas narrativas que dão poder às mulheres e que são aqui exploradas: desde a história de Eva e do Pecado Original até à Herstory [a História Dela], da Artesã ou Mulher Artista ao Corpo.

As participantes trouxeram igualmente para o projeto as suas próprias narrativas, ao partilharem as suas histórias de vida, poemas e obras de arte. As suas conversas acerca das suas experiências foram registadas num podcast especial, que é acompanhado por um recurso online que inclui imagens e textos académicos, pessoais e imaginários.

 

Projeto e podcast

Núcleos

Os objetos deste núcleo oferecem uma primeira resposta a esta questão: as mulheres aparecem nesta galeria sobretudo como figuras «exóticas», oferecendo vinho, tocando música, dançando e contando histórias. Ao longo do século XIX, vulgarizou-se na Europa a imagem da mulher «oriental» encantadora e sedutora. Mas quando olhamos mais de perto para estes objetos, vemos que encerram outras narrativas poderosas, a partir da perspetiva das próprias mulheres, as quais exploramos nesta terceira edição de O Poder da Palavra

Para saber mais sobre as obras, clique nas imagens em baixo.

 

 

AS VOZES DO PROJETO

Curadora convidada
Shahd Wadi, investigadora em Estudos Feministas.

Coordenação (Fundação Calouste Gulbenkian) 
Jessica Hallett (conservadora do Médio Oriente); Diana Pereira e Susana Gomes da Silva (Serviço Educativo).

Colaboração
Faranaz Keshavjee, investigadora em Estudos Islâmicos; Joana Simões Piedade, ativista de Direitos Humanos e mediadora; Leylâ Gediz, artista; Merve Pakyürek, programadora cultural; Özge Topçu, artista; Rasha Salah, curadora; Sarah Nagaty, doutoranda em Estudos Culturais; Solmaz Nazari, licenciada em Direito Islâmico.

Um agradecimento especial a Clara Serra, conservadora de têxteis do Museu Calouste Gulbenkian.

O Poder da Palavra procura conhecer as histórias-artísticas-de-vida das mulheres associadas a estes objetos do Museu. Numa miniatura persa do século XV, sete contadoras de histórias olham do alto para o rei sassânida Bahram Gur, que as mantém (as aprisiona?) em pavilhões. São mais do que simples beldades: partilham histórias de sabedoria de sete regiões e representam os sete dias, planetas e cores.

A pintura de Leylâ Gediz, inspirada nesta miniatura, ultrapassa o binarismo de género, abandonando por completo a figuração e reduzindo a imagem aos seus componentes básicos, nem masculinos nem femininos, apenas sete cores representando sete partes do mundo.

 

 

AS VOZES DO PROJETO

Curadora convidada
Shahd Wadi, investigadora em Estudos Feministas.

Coordenação (Fundação Calouste Gulbenkian) 
Jessica Hallett (conservadora do Médio Oriente); Diana Pereira e Susana Gomes da Silva (Serviço Educativo).

Colaboração
Faranaz Keshavjee, investigadora em Estudos Islâmicos; Joana Simões Piedade, ativista de Direitos Humanos e mediadora; Leylâ Gediz, artista; Merve Pakyürek, programadora cultural; Özge Topçu, artista; Rasha Salah, curadora; Sarah Nagaty, doutoranda em Estudos Culturais; Solmaz Nazari, licenciada em Direito Islâmico.

Um agradecimento especial a Clara Serra, conservadora de têxteis do Museu Calouste Gulbenkian.

Ao representar «outras mulheres», a Eva (Hawwa’) persa da Antologia do Iskandar Sultão convida-nos a reconhecer as diferenças e até a questionar uma definição unívoca do que é ser mulher. Apesar do conceito de Pecado Original não fazer parte do Islão, ideias que investem Eva de poder foram desaparecendo ao longo do tempo. A primeira mulher de Adão, Lilith, uma rebelde, foi obliterada. No Alcorão, Eva não é descrita como sendo inferior a Adão, nem é criada a partir da sua costela, nem culpada por comer da Árvore da Imortalidade. Pelo contrário, é Adão que passa 130 anos penitenciando-se em Sarandib (Sri Lanka). No tapete de oração da tribo Beshir, a Árvore da Imortalidade é representada por uma romãzeira. A romã simboliza o corpo da mulher, a fertilidade e o desejo.

 

 

AS VOZES DO PROJETO

Curadora convidada
Shahd Wadi, investigadora em Estudos Feministas.

Coordenação (Fundação Calouste Gulbenkian) 
Jessica Hallett (conservadora do Médio Oriente); Diana Pereira e Susana Gomes da Silva (Serviço Educativo).

Colaboração
Faranaz Keshavjee, investigadora em Estudos Islâmicos; Joana Simões Piedade, ativista de Direitos Humanos e mediadora; Leylâ Gediz, artista; Merve Pakyürek, programadora cultural; Özge Topçu, artista; Rasha Salah, curadora; Sarah Nagaty, doutoranda em Estudos Culturais; Solmaz Nazari, licenciada em Direito Islâmico.

Um agradecimento especial a Clara Serra, conservadora de têxteis do Museu Calouste Gulbenkian.

«Herstory» [A história dela] é um termo que reconquista espaço para as mulheres na história, na qual estas anteriormente se encontravam ausentes, em silêncio e esquecidas. Uma nova investigação procurou revelar as mulheres na coleção, muitas das quais se encontravam relegadas para o segundo plano enquanto «esposas». Durante o período otomano, foram muitas as mulheres que alcançaram grande poder, o que levou à fixação de uma nova categoria histórica: o «Sultanato das Mulheres» (c. 1533-1656).

Geralmente referida como «a esposa de Calouste Gulbenkian», Nevarte escreveu a sua própria história, usando o poder da palavra para desafiar as tradições sociais, com cartas escritas em código ao seu amado para evitar ser descoberta. As mulheres retratadas nos postais colecionados por Gulbenkian são anónimas. E tal como muitas outras mulheres, os seus nomes foram esquecidos pela história.

 

 

AS VOZES DO PROJETO

Curadora convidada
Shahd Wadi, investigadora em Estudos Feministas.

Coordenação (Fundação Calouste Gulbenkian) 
Jessica Hallett (conservadora do Médio Oriente); Diana Pereira e Susana Gomes da Silva (Serviço Educativo).

Colaboração
Faranaz Keshavjee, investigadora em Estudos Islâmicos; Joana Simões Piedade, ativista de Direitos Humanos e mediadora; Leylâ Gediz, artista; Merve Pakyürek, programadora cultural; Özge Topçu, artista; Rasha Salah, curadora; Sarah Nagaty, doutoranda em Estudos Culturais; Solmaz Nazari, licenciada em Direito Islâmico.

Um agradecimento especial a Clara Serra, conservadora de têxteis do Museu Calouste Gulbenkian.

As noções ocidentais de artes «maiores» e «menores» remeteram um amplo leque de objetos artísticos produzidos por mulheres e outras comunidades para o domínio do «artesanato». As mulheres artistas que produziram estes objetos permanecem, muitas vezes, anónimas, e as suas obras são frequentemente assinadas por homens (veja-se o tapete na secção «Eva, o Pecado Original?»). Desde, pelo menos, o segundo milénio a.C., que as mulheres começaram a utilizar a agulha e linha na criação de bordados. Em tempos mais recentes, esta arte tornou-se no «locus educacional» das mulheres orientadas para um ideal feminino, um espaço que elas frequentemente escolheram subverter, convertendo o bordado numa ferramenta de resistência usada para contar, em linguagem críptica, as suas histórias pessoais. A pintura de Leylâ Gediz, com emojis bordados, é um encontro entre narrativas das mulheres do passado e do presente.

 

 

AS VOZES DO PROJETO

Curadora convidada
Shahd Wadi, investigadora em Estudos Feministas.

Coordenação (Fundação Calouste Gulbenkian) 
Jessica Hallett (conservadora do Médio Oriente); Diana Pereira e Susana Gomes da Silva (Serviço Educativo).

Colaboração
Faranaz Keshavjee, investigadora em Estudos Islâmicos; Joana Simões Piedade, ativista de Direitos Humanos e mediadora; Leylâ Gediz, artista; Merve Pakyürek, programadora cultural; Özge Topçu, artista; Rasha Salah, curadora; Sarah Nagaty, doutoranda em Estudos Culturais; Solmaz Nazari, licenciada em Direito Islâmico.

Um agradecimento especial a Clara Serra, conservadora de têxteis do Museu Calouste Gulbenkian.

A nossa história começa e acaba com o corpo. As mulheres narram os seus corpos, sonham nos seus corpos, questionam com os seus corpos e resistem com os seus corpos. As belas toalhas bordadas deste núcleo carregam memórias dos corpos que em tempos envolveram no hamam. Este espaço privado dedicado às abluções das mulheres era também lugar de partilha de histórias e palavras sem limites sociais impostos sobre o corpo. Banhando-se livremente numa piscina, a antiga protagonista persa Shirin, despida e usando calças azuis de odalisca, desfruta desta liberdade. Através dos seus corpos, as mulheres têm procurado criar um espaço político de resistência e mudança.

 

 

AS VOZES DO PROJETO

Curadora convidada
Shahd Wadi, investigadora em Estudos Feministas.

Coordenação (Fundação Calouste Gulbenkian) 
Jessica Hallett (conservadora do Médio Oriente); Diana Pereira e Susana Gomes da Silva (Serviço Educativo).

Colaboração
Faranaz Keshavjee, investigadora em Estudos Islâmicos; Joana Simões Piedade, ativista de Direitos Humanos e mediadora; Leylâ Gediz, artista; Merve Pakyürek, programadora cultural; Özge Topçu, artista; Rasha Salah, curadora; Sarah Nagaty, doutoranda em Estudos Culturais; Solmaz Nazari, licenciada em Direito Islâmico.

Um agradecimento especial a Clara Serra, conservadora de têxteis do Museu Calouste Gulbenkian.


Programa

Outras formas de pensar e de fazer
Curadoria participativa feminista: o projeto O Poder da Palavra e a exposição Mulheres: Navegando entre presença e ausência
Sexta, 24 setembro, 16:00
Saber mais

No âmbito das Jornadas Europeias do Património: Património Inclusivo e Diversificado