João Pedro Brandão

Trama no Navio

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A convite da Orquestra Jazz de Matosinhos, João Pedro Brandão integrou, em Setembro de 2019, um grupo de compositores a quem foi encomendada música original para um dos grandes clássicos do cinema – O Couraçado Poutenkim, de Sergei Eisenstein. Coube-lhe a segunda parte do filme, Drama no Navio, e o investimento nessa empreitada foi tão intenso que o saxofonista resolveu não deixar a música morrer com o final da projeção. Assim, juntou um quarteto que lhe permite agora recriar esse jorro criativo, mantendo as premissas de densidade, intensidade, dramatismo e poesia resgatadas da película, mas tomando-as como faúlha para a construção de uma música nova e absorvente. A sugestão visual é aqui explorada em vídeo por Alexandra Corte-Real.


Programa

João Pedro Brandão Saxofone alto, Flauta, Composição
Ricardo Moreira Piano, Órgão
Hugo Carvalhais Contrabaixo
Marcos Cavaleiro Bateria
Alexandra Corte-Real Vídeo

Em Setembro de 2019, uns meses antes, portanto, do Apocalipse, João Pedro Brandão recebeu da Orquestra Jazz de Matosinhos a incumbência de musicar a segunda parte do filme “O Couraçado Potemkin”, de Sergei Eisenstein, conhecida como “Drama no Navio”. O desafio não satisfez o compositor, saxofonista e flautista: logo depois de prontificada a encomenda veio a vontade de reinterpretar essa narrativa musical de um modo mais livre e com um pequeno agrupamento. “Trama no Navio” é a feliz consequência, substituindo as imagens originais do realizador soviético pelas, trabalhadas, intermediadas, VJizadas, de Alexandra Corte-Real.

Este processo de reinterpretação teve como linha condutora, assumida a todo o momento, a depuração, começando pela retirada dos artefactos orquestrais e pela redução da música à sua «espinha dorsal», para utilizar as mesmas palavras de Brandão. Mantém-se o carácter dramático e a mesma narratividade, mas a música ganhou espaços, transparências e subtilezas. Continua a ser uma música “visual”, no sentido em que os sons são congeminados como imagens em movimento, mas há uma maior autonomia relativamente ao enredo em que se inspirou. O que quer dizer que, em “Trama no Navio”, nada há de ilustrativo ou pleonástico: a obra não serve um propósito, o de ser a banda-sonora de uma longa-metragem que, por isso, tinha de se render às suas arquitecturas. É, ela própria, um filme, um filme-outro, a cores, necessariamente com perspectivas motivadas pela actualidade, retirado de um filme histórico a preto-e-branco. Mais ainda: um filme dirigido para os ouvidos com a ideia de que estes, sinestesicamente (como o sabemos desde que foram publicadas as cartas que Schoenberg e Kandinsky escreveram um para o outro sobre a «harmonia das cores sonoras»), têm os seus próprios olhos.

Rui Eduardo Paes

 


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