Ignaz Schick & Oliver Steidle

ILOG2

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Duo nascido na cena underground e experimental berlinense, cuja reputação de incendiário projeto de palco foi crescendo através de sucessivas atuações na capital alemã. O culto que se formou em torno de Ilog2, a parceria artística de Ignaz e Oliver Steidle, rapidamente se estabeleceu graças a uma criatividade fervilhante, que tanto absorve elementos do jazz, da improvisação, do noise e da música eletroacústica, quanto do hip-hop, do dubstep ou do house. Daqui resulta uma música em permanente ebulição, feita de diferentes linguagens que não param de desafiar-se, tocada em tempo real e sem qualquer trabalho prévio de produção. Explosiva e imprevisível.


Programa

Ignaz Schick Gira-discos
Oliver Steidle Bateria, Percussão, Eletrónica

As estratégias que regem a dupla de Ignaz Schick e Oliver Steidle são equivalentes – o único factor que realmente as diferencia são os materiais utilizados – às técnicas de cut-up de William S. Burroughs. Por meio do chamado “turntablism” (gira-disquismo) e do sampling do primeiro, e de uma mutante e irrequieta utilização da bateria por parte do segundo, a fórmula ILOG2 caracteriza-se por um trabalho de colagem e montagem realizado a uma velocidade estonteante que tem tanto de precisão métrica quanto de inventividade e, sim, de loucura e humor. Nos seus temas, casam-se aspectos da livre-improvisação (tudo é feito em tempo real e de forma espontânea), da música contemporânea e da electroacústica experimental com outros provenientes do hip-hop, do dubstep, da house e do techno dançante, numa dissipação de fronteiras entre música de alta cultura e música popular que coloca todos os conceitos musicológicos vigentes às avessas.

Saltitante, contorcionista, virtuosística no melhor dos sentidos e em permanente mutação estrutural e de conteúdos sonoros (polirritmias, citações de falas pilhadas dos media, field recordings, ruído de proveniência impossível de detectar, flashes de orquestrações introduzidos a (des)propósito), a música de Schick (colaborações com gente diversa que tem ido de George Lewis a Keith Rowe) e Steidle (a alma do projecto The Killing Popes) é particularmente eficaz na forma como transporta as premissas do jazz para o século XXI, mudando tudo o que julgávamos estar irremediavelmente assente. É como se as cascatas de notas de um Charlie Parker só ganhassem pleno sentido quando confrontadas com o rap punkizado dos Beastie Boys, num frenesim esquizóide que vem dar razão a Virilio e à sua ideia de que é a aceleração do tempo que nos governa. Isso e um tablet para fazer zapping pela Internet.

Rui Eduardo Paes

 


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